Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/10324
Título: Factors shaping bat occurrence in urban green areas
Autor: Duarte, Gonçalo Filipe Fernandes, 1982-
Orientador: Palmeirim, Jorge M., 1957-
Rebelo, Hugo Emanuel Vitorino
Palavras-chave: Morcegos
Biodiversidade
Ecologia urbana
Cascais - Portugal
Teses de mestrado - 2013
Data de Defesa: 2013
Resumo: Urbanisation is one of mankind’s longer-lasting activities. Bat species most sensitive to human activities have suffered population declines due to urbanisation and the resulting loss of habitats. The presence of urban green areas in a city can promote the presence of bats and increase their activity in general. Little is known about the characteristics that an urban green area should have to promote the presence of bat species. This study was conducted in the municipality of Cascais and addresses three questions: What features of urban green areas promote bat activity? Which urban green areas in Cascais have best conditions for bat occurrence? Which urban green areas should be improved? During 67 nights, between September 2011 and October 2012, 354 points in 15 urban green areas were sampled with bat detectors. A total of 39 variables were used to describe the urban green areas, and their surroundings. The data were statistically analysed using Generalized Linear Mixed Models. The most relevant variables were canopy perimeter, proportion of canopy area in green area, and area covered by low shrubs. Higher bat activity occurs where canopy perimeter is greater, when the relative amount of canopy in a green area is high and where shrub vegetation occurs. Bat activity tends to be null in places where the distance to forest edge is greater than 50m. Four urban green areas stand out by having a high number of predicted bat passes, while in two urban green areas predictions indicate very low levels of bat activity. Results suggest that in order to promote bat activity, urban green areas should be forested, have clearings, extensive edge perimeters and low shrubby vegetation. The majority of urban green areas in the eastern part of the municipality need improvement in order to promote bat presence.
Para uma cidade e seus habitantes a presença de uma comunidade de quirópteros saudável e diversa pode significar uma melhor qualidade de vida, pois estes animais são responsáveis por inúmeros serviços de ecossistema cruciais para o Homem. Em ambiente urbano, por exemplo, a remoção de uma grande quantidade de mosquitos, mariposas e outros insectos afecta positivamente a qualidade de vida dos habitantes, a sua saúde e o turismo, existindo, por isto, um valor económico positivo associado às comunidades de morcegos. O processo de urbanização é uma das actividade humanas mais duradouras, estando também associada a extinções locais. Devido à expansão urbana, e alterações de habitat a ela associadas, as espécies de morcego mais sensíveis à perturbação humana podem ter sofrido declíneos populacionais. Ainda assim, a preservação de espaços verdes urbanos com vegetação arbórea e cursos de água pode promover a presença de morcegos e até aumentar a sua actividade global, uma uma vez que estas áreas constituem um refúgio não só para estes animais como também para a restante biodiversidade em ambiente urbano. Atendendo à quantidade de zonas urbanas, à sua dimensão e taxa de crescimento, os espaços verdes urbanos poderão até ser relevantes para a conservação a uma escala regional. Contudo, pouco se sabe sobre as características destes espaços que poderão promover a presença de espécies de morcegos, melhorar a sua qualidade como área de forrageio ou até a disponibilidade de abrigos. Este estudo, que decorreu no concelho de Cascais, pretende identificar quais as características dos espaços verdes urbanos que estão associadas à presença e actividade de morcegos respondendo a três questões: a) Quais as características que devem os espaços verdes urbanos ter para promover a diversidade e actividade de morcegos? b) Quais os espaços verdes urbanos de Cascais que têm condições óptimas para a ocorrência de morcegos? etc) Quais as áreas verdes urbanas deste concelho que devem ser melhoradas para promover a presença de morcegos? o concelho apresenta uma variedade de espaços verdes urbanos que vão desde espaços centenários ou com mais de 50 anos, até áreas cuja criação é recente, entre cinco a dez anos. Onze variáveis foram utilizadas para descrever as condições de amostragem, incluindo variáveis climáticas. Para descrever as características do espaços verdes urbanos e a área circundante usaram-se 39 variáveis. Estatisticamente utilizaram-se os Modelos Lineares Mistos Generalizados com distribuição binomial negativa. Atendendo a que dois pontos realizados no mesmo mês são provavelmente mais semelhantes que pontos realizados em meses diferente, e que o mesmo ocorrerá com pontos realizados no mesmo parque ou em parques diferentes, definiram-se como variáveis de efeitos aleatórios o "mês" e o "espaço verde urbano". Utilizou-se o Akaike inforrnation Criterion (AIC), o ΔAIC (diferença entre o AIC de cada modelo e o AIC mínimo presente no conjunto de modelos), e o Akaike weights (wi), Le., a probabilidade de ocorrência de um modelo em relação ao conjunto de modelos estabelecido, para fazer a selecção de modelos. Usando model averaging foi possível prever os valores de passagens de morcegos para as áreas de estudo com base nas variáveis de efeito fixo da totalidade dos modelos finais. A amostragem ocorreu em Setembro e Outubro de 2011 e entre Março e Outubro de 2012. Durante 67 noites amostraram-se 354 pontos em quinze espaços verdes urbanos. Os 3540 minutos de amostragem deram origem a 1662 registos, onde se identificaram 2327 passagens de morcegos. Identificou-se um mínimo de quatro espécies presentes nas áreas de estudo, sendo a abundância de passagens de animais do género Pipistrellus (P. pipistrellus e P. pygmaeus) superior a 90% do total de passagens. As outras duas espécies presentes são Nyctalus leisleri e Eptesicus serotinus. Esta última espécie foi apenas identificada num complexo onde se incluíam as espécies Myotis myotis/blythii, espécies estas muito pouco prováveis de ocorrerem em ambiente urbano. Não se verificou a presença de autocorrelação espacial nos dados analisados. No que diz respeito à análise das condições de amostragem, constatou-se que o modelo com a temperatura e a velocidade média do vento era o mais parcimonioso. Dados cujas temperaturas ficavam abaixo dos 12° C e/ou cuja velocidade média do vento era igualou superior a 3.0 ms-1 foram eliminados uma vez que nestas condições a actividade tendia a ser nula ou muito reduzida. Deste modo, apenas os dados recolhidos em condições óptimas foram considerados para a análise da influência das características dos espaços verdes e paisagem circundante na actividade dos morcegos. Desta análise resultaram doze modelos finais, nos quais estavam presentes cinco variáveis: perímetro de canópia, quantidade relativa de canópia no espaço verde urbano, área coberta por espécies arbustivas baixas, distância à orla da floresta e área coberta por árvores resinosas. O perímetro de canópia mostra uma relação positiva com a actividade de morcegos, o mesmo tendo sido verificado com a quantidade relativa de canópia na área total do parque, atingindo no entanto um máximo quando os valores rondam os 60 a 70% da área total do espaço verde urbano. A presença de arbustos de porte inferior a 2m está também associado a uma maior actividade de morcegos, havendo um acréscimo significativo na actividade quando o valor ultrapassa os 44% da área de detecção. A distância à orla da floresta revelou uma relação negativa com a actividade de morcegos, i.e., quanto mais afastado da orla da floresta menor é a actividade e, a partir do 50m de distância esta tende a ser nula ou praticamente inexistente. A quantidade de área coberta por árvores resinosas é também positiva para a actividade dos morcegos, havendo no entanto um pico de passagens de morcego por volta dos 53% da totalidade da ár ea d e de t ecça-o. A s esti.m atI.v as d as passagens de morcegos para as quinze áreas de estudo indicam que a zona Oeste do concelho tem um conjunto de espaços verdes urbanos mais adequados para os morcegos que a zona Este. Quatro espaços verdes destacam-se por terem em grande parte da sua área as características que promovem a presença de quirópteros: Parque Marechal Carmona, Parque Palmela, Parque Urbano do Alto dos Gaios e o Pinhal do Junqueiro. Em sentido inverso, por serem quase totalmente desadequados para a presença de morcegos, destacamse dois espaços verdes urbanos: Parque Urbano do Outeiro de Polima e a Quinta de S. Gonçalo.' Os resultados indicam que o processo de urbanização no concelho de Cascais tem sido prejudicial para as comunidades de quirópteros. Com excepção da variável "área coberta por arbustos baixos", todas as outras variáveis presentes nos modelos finais estão relacionadas com a presença de manchas de árvores. O perímetro de canópia foi a característica mais relevante, o que pode ser explicado pelo facto de várias espécies de morcegos utilizarem preferencialmente esta zonas. Esta preferência pode ficar a dever-se ao facto de: os animais procurarem abrigo do vento para facilitar o voo; as florestas constituírem reservatórios de presas; poder haver acumulação de insectos nas orlas abrigadas em presença de vento; estas zonas conferirem maior protecção contra predadores do que espaços abertos; e de constituírem marcos de navegação que ajudam os animais a deslocarem-se e encontrarem rapidamente os seus percursos. Apesar de haver maior abundância de presas na floresta, o seu interior não está acessível a todas as espécies pois são ambientes acusticamente mais complexos que as zonas de orla. Este facto, corroborado ainda pelo favorecimento de locais com subcoberto arbustivo baixo, mostra uma preferência por locais com menor número de obstáculos, e acusticamente mais fáceis de utilizar. A ausência de relevância das variáveis relacionadas com a água justifica-se pelo facto de nas zonas onde ocorrem os espaços verdes urbanos as propriedades serem essencialmente moradias com piscinas, o que significa que a disponibilidade de água no concelho é constante. Para criar um espaço verde urbano com características que favoreçam a presença de morcegos necessitamos de uma zona florestada que cubra 60 a 70% da totalidade da área espaço verde, com clareiras cujo comprimento máximo seja inferior a 60/70m, e com uma disposição de árvores que promova um elevado perímetro de canópia. Em termos de vegetação, dever-se-á favorecer sempre a presença de espécies nativas e, no caso das árvores, promover a existência de árvores de crescimento rápido e lento. O subcoberto arbustivo baixo deverá estar presente e, caso se considere necessário ou desejável devido à presença de espécies tipicamente de interior de floresta, manter ou promover a existência de algumas manchas de coberto arbustivo alto, preferencialmente ao longo de linhas de água. Deverá ainda manter-se uma elevada disponibilidade de água durante todo o ano. Finalmente, para evitar um uso desregrado que comprometa os objectivos de conservação deverão estabelecer-se caminhos para os utilizadores do espaço verde urbano.
Descrição: Tese de mestrado. Biologia (Biologia da Conservação). Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, 2013
URI: http://hdl.handle.net/10451/10324
Aparece nas colecções:FC - Dissertações de Mestrado

Ficheiros deste registo:
Ficheiro Descrição TamanhoFormato 
ulfc103238_tm_goncalo_duarte.pdf4,06 MBAdobe PDFVer/Abrir


FacebookTwitterDeliciousLinkedInDiggGoogle BookmarksMySpace
Formato BibTex MendeleyEndnote Degois 

Todos os registos no repositório estão protegidos por leis de copyright, com todos os direitos reservados.