Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/10357
Título: Ecological indicators of grazing effects in cork oak woodlands: an integrated approach
Autor: Santos, João Pedro Silva Daun e Lorena
Orientador: Reis, Margarida Santos, 1955-
Pinho, Pedro
Palavras-chave: Gestão ambiental
Pastorícia
Montado
Agricultura
Teses de mestrado - 2013
Data de Defesa: 2013
Resumo: Uma vez que o consumo de carne e lactinícios tem vindo a aumentar no mundo, cada vez mais surge o desafio de desenvolver formas sustentáveis de produção. Assim, neste trabalho aborda-se também um aspecto essencial da alimentação humana, com uma forma de criação de gado sustentável, sem colocar em risco o futuro equilíbrio natural do ecossistema. Os indicadores ecológicos têm vindo a ser crescentemente utilizados na monitorização de sistemas naturais, sendo definidos como características mensuráveis de estrutura, composição e função, que reflectem condições bióticas ou abióticas, processos e perturbações dos mesmos. O estudo e aplicação de indicadores ecológicos pode, portanto, tornar-se útil na averiguação de mudanças importantes nos ecossistemas. De modo a combinar ambos os factores expressos anteriormente, ou seja, a produção de gado e a análise da mudança que esta pode causar, o objectivo do presente estudo foi selecionar indicadores ecológicos para o medir o impacto da pastorícia no ecossistema Montado. Os Montados são sistemas agro-silvo-pastorais dinâmicos com múltiplas oportunidades de exploração humana, uma das quais a pastorícia. Para que essa exploração decorra da melhor forma, é necessário que o habitat se mantenha em boas condições ambientais. Há por isso uma forte relação de dependência entre a gestão que Homem faz e a sua estabilidade ecológica. Para procurar seleccionar indicadores relevantes do efeito da pastorícia foram selecionadas duas áreas de estudo (Companhia das Lezírias (CL) e na Herdade da Ribeira Abaixo (HRA)) onde foram considerados dois tratamentos: pastoreio e exclusão de pastoreio (controlo). Na CL, o pastoreio refere-se a gado bovino e na HRA a ovino. A exclusão ao pastoreio na CL ocorre desde 2008 enquanto a HRA não tem pastoreio nos locais de controlo há mais de 20 anos. Para cada tratamento, foram amostradas 9 áreas circulares de cerca de um hectare, totalizando trinta e seis sítios de amostragem. A CL é uma propriedade do Estado, localizada em Samora Correia, a 40 km de Lisboa, com 18000 ha entregues à exploração agro-silvo-pastoril. Os solos da zona amostrada são maioritariamente arenosos. Em toda a extenção do espaço amostrado, não há grandes variações de inclinação do terreno. As suas zonas de pastoreio são Pastagens Permanentes Biodiversas Ricas em Leguminosas, que foram plantadas em 2007, no local amostrado, de forma a aumentar a produtividade pastoril e conteúdo em carbono da matéria orgânica do solo. Estas áreas de pastoreio são pastadas no meses de Outono e Inverno, período após o qual o gado bovino é transferido para outras pastagens. A HRA está localizada na Serra de Grândola, em Grândola, 100 km a Sul de Lisboa. Neste estudo não só foi usada a área da HRA (221ha), para os locais de amostragem do tratamento sem pastoreio, como também propriedades circundantes, pastoreadas por gado ovino. Os seus solos são marcados pela presença de xistos e grauvaques, com litosolos pobres em matéria orgânica. Na HRA, a inclinação do terreno é distinta da CL, já que estamos numa zona de serra, com vários pequenos montes que surgem no espaço amostrado. Os indicadores ecológicos seleccionados para avaliação incluíram líquenes epífitos, plantas vasculares, escaravelhos coprófagos e a caracterização elementar e isotópica de folhas de sobreiro. Os líquenes, plantas e escaravelhos coprófagos representam indicadores bióticos e a análise elementar e isotópica das folhas de sobreiro indicadores abióticos. A amostragem decorreu durante os períodos de Janeiro e Fevereiro para os líquenes. Os líquenes foram amostrados na superfície do tronco dos sobreiros, seguindo o protocolo europeu standard. Entre os dois locais, 120 árvores foram amostradas no total. Foram registadas as espécies de macrolíquenes epifíticos e também a sua frequência. As espécies que não foi possível identificar no campo foram recolhidas e identificadas em laboratório. Os dados foram organizados por abundância de espécies e de grupos funcionais a que essas espécies pertencem (“oligotróficos”, “mesotróficos” e “nitrófilos”). A amostragem de plantas decorreu em Maio de 2013. A frequência de plantas vasculares e cobertura de solo foram registadas segundo o método do ponto de intersecção, em que uma vareta metálica é colocada perpendicularmente ao solo e anotados os elementos que lhe toquem. Em cada sítio de amostragem foram efetuados dois transectos de 10m, com 21 pontos regularmente espaçado por transeto. Os indicadores amostrados foram os grupos funcionais quanto à forma de crescimento (arbustivas, basais e semi-basais, erectas, em tufos e trepadeiras. Os indicadores do solo foram solo nú, líquenes, musgo, pedras, folhada, e vegetação morta. Os insectos coprófagos foram amostrados através de duas armadilhas de queda em cada sítio de amostragem. Uma delas foi colocada em espaço aberto (sem cobertura de vegetação), e a outra em espaço fechado (coberta por árvores e/ou arbustos). Cada armadilha consistia num pequeno recipiente, coberto por uma rede plástica sobre a qual foram colocados excrementos de vaca. Foram deixadas no local durante 48 horas. Os insectos recolhidos foram trazidos para laboratório para triagem, tendo sido isolados os escaravelhos coprófagos da subfamília Aphodiinae e das famílias Scarabaeidae e Geotrupidae, e esses foram identificados ao nível da espécie. Os dados foram organizados por abundância de espécies e por grupos funcionais a que essas espécies pertencem (“tunnelers” e “dwellers”), sendo divididos também por tamanho (pequenos e grandes). As folhas de sobreiro foram recolhidas das mesmas árvores onde os líquenes foram amostrados, também em Janeiro e Fevereiro de 2013. Cerca de 10 folhas de cada árvore foram secas, moídas e analisadas quando ao seu conteúdo em Carbono e Azoto e respectivos isótopos. Os indicadores resultantes foram o rácio Carbono/Azoto, o δ13C e o δ15N. O processo de tratamento estatístico dos dados envolveu análises multivariadas (DCCA/RDA/CCA) e univariada não-paramétrica (testes U de Mann-Whitney). Começou por realizar-se uma análise multivariada das espécies de líquenes e insetos coprófagos, para compreender a composição das comunidades e a sua relação com o pastoreio. Os resultados mostraram que o principal factor organizativo das comunidades não foi o pastoreio, mas sim as áreas de estudo e/ou a espécie de gado. Prosseguiu-se testando os restantes indicadores baseados em grupos funcionais e na análise elementar e isotópica das folhas. Estes indicadores foram comparados considerando o tratamento e a área de estudo, através de testes não paramétricos U de Mann-Whitney. e graficamente representados em boxplots. De acordo com os resultados, os indicadores foram distribuídos por três grupos. O primeiro contém os que são significativamente diferentes para o efeito do tratamento nas duas áreas de estudo. O segundo grupo, contém os indicadores que só são estatisticamente distintos no tratamento numa das áreas de estudo. O terceiro, tem aqueles que, ou mostram tendências opostas nas duas áreas de estudo, ou não têm diferenças com significância estatítica em nenhuma das duas. Integraram o primeiro grupo os arbustos, as plantas semi-basais, e escaravelhos coprófagos “tunnelers” (escavadores de túneis) de tamanho pequeno. Estes três indicadores foram assim apontados como melhores indicadores para o impacto da pastorícia no Montado. De seguida foi feita uma análise multivariada com os indicadores do primeiro grupo. O passo seguinte foi incluir outras variáveis ambientais através de uma análise parcial. Deste modo, averiguou-se o efeito que estas novas variáveis (usadas como covariáveis) terão nos dados iniciais, procurando-se isolar o efeito da pastorícia. Esta análise permitiu verificar que as variáveis radiação solar potencial, inclinação e densidade de árvores em cada local de amostragem não tiveram influência no resultado obtido anteriormente. Finalmente, através dos “scores” do primeiro eixo da análise parcial foi construído um índice de integridade ecológica que ajudou a entender de que forma os espaços são impactados pela pastorícia. O índice resultante apontou a seguinte ordenação das áreas de estudo e tratamentos: em primeiro lugar, como menos impactada surgiu a HRA não pastoreada. Segui-se a CL também não pastoreada. Em terceiro, ficou a CL pastoreada, e por último, ou seja, a mais impactada pela actividade pastoril, a HRA pastoreada. Concluindo, esta ordenação permite compreender melhor o impacto da pastorícia nas áreas estudadas. Os usos deste índice podem estender-se a outras problemáticas ambientais (tal como o abandono agrícola e as actividades de exploração florestal), e são uma boa ferramenta de análise e de informação para o público geral ou para gestores e políticos. Adicionalmente, poderão ajudar na monitorização de impactos da actividade humana e do estado do ecossistema em locais de relevância ecológica, na avaliação de acções de conservação e na prioritização alvos de novas medidas de protecção ambiental.
Descrição: Tese de mestrado. Biologia (Ecologia e Gestão Ambiental). Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, 2013
URI: http://hdl.handle.net/10451/10357
Aparece nas colecções:FC - Dissertações de Mestrado

Ficheiros deste registo:
Ficheiro Descrição TamanhoFormato 
ulfc103183_tm_joao_santos.pdf1,52 MBAdobe PDFVer/Abrir


FacebookTwitterDeliciousLinkedInDiggGoogle BookmarksMySpace
Formato BibTex MendeleyEndnote Degois 

Todos os registos no repositório estão protegidos por leis de copyright, com todos os direitos reservados.