Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/10666
Título: Prejuízos e conflituosidade social do urso-pardo e do lobo na Península Ibérica
Autor: Díaz Álvarez, Elisa
Orientador: Fonseca, Francisco Petrucci, 1953-
Naves Cienfuegos, Javier
Palavras-chave: Carnívoros
Lobo - Península Ibérica
Urso pardo - Península Ibérica
Teses de mestrado - 2013
Data de Defesa: 2013
Resumo: Os grandes carnívoros são um dos grupos mais conflituosos no referente à sua conservação; são muitos os trabalhos que reconhecem a presença de um conflito associado a este grupo. Este conflito pode ser dividido numa parte objectiva, nomeadamente os prejuízos causados pela espécie, e numa parte subjectiva, nomeadamente as atitudes ou sentimentos que a espécie desperta na população local. Ambas estas partes são igualmente importantes e determinantes para a conservação dos grandes carnívoros. Neles também se destaca a importância de trabalhar conjuntamente com as populações locais para aumentar as probabilidades de êxito na sua conservação. Os estudos referentes à ocorrência simultânea de vários grandes carnívoros na mesma região são menos frequentes, mas os seus resultados parecem indicar que a coexistência tem alguma influência no conflito com o Homem. O urso-pardo (Ursus arctos) e o lobo (Canis lupus) são dois dos grandes carnívoros da Península Ibérica, e as duas espécies têm associada alguma conflituosidade social. O objetivo principal deste trabalho foi analisar a influência que diferentes factores, entre eles a referida coexistência, têm na componente subjectiva do conflito gerado pelo urso-pardo e pelo lobo. A primeira parte do estudo focou-se em estudar se a ocorrência simultânea das duas espécies alterava a componente subjectiva do conflito, para o qual foram analisadas as notícias de imprensa e o valor económico dos prejuízos (€) causados entre 2009 e 2012 em Portugal, Catalunha e as Astúrias, no oeste, nordeste e noroeste da Península Ibérica respectivamente. A média anual para o lobo foi de 145.490,00 € em Portugal, 832.107,50 € nas Astúrias e 615 € na Catalunha, enquanto que as médias anuais para o urso-pardo foram de 117.822,50 € nas Astúrias e 21.516,00 € na Catalunha. No referente ao lobo, a análise da relação Portugal:Astúrias mostrou uma taxa de 1:5,72 € no valor económico dos prejuízos, enquanto que a relação foi de 1:7,05 para o total das notícias, de 1:11,60 para as notícias referentes a ‘Ataques’ e ‘Prejuízos’, e de 1:15 para as notícias com uma visão negativa da espécie. No referente ao urso-pardo, a relação Catalunha:Astúrias mostrou uma taxa de 1:5,48 € no valor económico dos prejuízos, enquanto que a relação foi de 1:3,29 para as notícias gerais, de 1:4,27 para as notícias referentes a ‘Ataques’ e ‘Prejuízos’, e de 1:1,50 para as notícias com uma visão negativa da espécie. Se a ocorrência simultânea não tivesse influência nenhuma, notícias e prejuízos não deveriam mostrar diferenças significativas. No entanto, tal não acontece; para o lobo a relação das notícias é sempre superior à taxa dos prejuízos, enquanto que para o urso-pardo a relação das notícias é sempre inferior à taxa dos prejuízos. Fica evidenciado, portanto, que a atitude para com o lobo reflectida nas notícias é mais negativa nas Astúrias, onde ele coexiste com o urso-pardo, do que na região portuguesa, onde só ocorre o lobo. Semelhantemente, a atitude para com o urso-pardo reflectida nas notícias é mais positiva na região asturiana, onde ele coexiste com o lobo, do que na região catalã, onde a coexistência é ainda muito recente. A segunda parte focou-se na procura dos principais factores que poderiam estar relacionados com a hostilidade, ou seja, com a baixa tolerância ou antipatia referente ao lobo e ao urso-pardo. Nesta parte foram realizados inquéritos aos criadores de gado do concelho de Cangas de Narcea, nas Astúrias, para a análise da componente subjectiva do conflito, como já fora feito noutros trabalhos. Neste estudo realizaram-se inquéritos anónimos de resposta fechada, preenchidos em entrevistas pessoais e individuais. Os resultados dos 103 inquéritos recolhidos evidenciaram uma atitude muito negativa para com as duas espécies (3,59 em 5 para o lobo e 3,14 em 5 para o urso-pardo), e superior do que a reflectida pelas notícias na primeira parte do trabalho. Adicionalmente, as duas hostilidades evidenciaram estar 71% correlacionadas. A hostilidade não evidenciou uma relação muito alta com os prejuízos sofridos; apenas um coeficiente de 0,25 (p-value:0,05) com os do ano 2012 e só no caso do lobo. De facto, 54 dos 103 inquiridos não tinham sofrido ataques de lobo entre 2009 e 2012, e 74 não tinham sido prejudicados pelo urso-pardo. As correlações mais altas com a hostilidade foram evidenciadas pelo desejo de classificar as duas espécies como cinegéticas (0,45 para o lobo e 0,48 para o urso-pardo, os dois com p-value:0,01), pela inconformidade com o pagamento recebido (coeficiente de -0,244 com p-value:0,05), e pela importância das espécies para o ecossistema (coeficientes de -0,488 para o lobo e -0,503 para o urso-pardo, com p-value:0,01 para os dois). Apascentar os gados nos pastos evidenciou ser marginalmente significativo na hostilidade relativamente ao lobo (0,057 com p-value:0,05), enquanto que o resultado foi determinante para a hostilidade relativa ao urso-pardo (0,019 com p-value:0,05). Os resultados obtidos parecem evidenciar que a ocorrência simultânea de várias espécies de grandes carnívoros tem influência na percepção social e pessoal dos conflitos associados. Estes resultados revelam ainda que a atitude dos criadores de gado para com as duas espécies é mais negativa do que o que é reflectido nas notícias de imprensa, pelo que o estudo das atitudes nos sectores mais próximos aos grandes carnívoros seria mais adequado e ajudaria a compreender melhor a percepção social das espécies, favorecendo a adequação das medidas aplicadas e, consequentemente, melhorando as probabilidades de êxito.
Descrição: Tese de mestrado. Biologia (Biologia da Conservação). Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, 2013
URI: http://hdl.handle.net/10451/10666
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