Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/10951
Título: O educação estética de Schiller na contemporaneidade: o uso da arte para uma educação moral
Autor: Nunes, Ana
Orientador: Serrão, Adriana Veríssimo
Palavras-chave: Schiller, Friedrich von,1759-1805 - Estética
Educação moral
Civilização moderna - Filosofia
Teses de mestrado - 2014
Data de Defesa: 2013
Resumo: A Europa vivia os dias da Revolução Francesa, da promessa de uma República, da procura de um indivíduo livre e iluminado, capaz de fazer um uso dos seus pensamentos. No entanto, aquilo que parecia promissor tornou-se numa luta violenta pelos ideais, o que acabou por desagradar a muitos. Esse desânimo fazia-se sentir em especial entre os filósofos da Alemanha do século XVIII, até entre os que tinham inicialmente proclamado o movimento da Aufklärung (Iluminismo alemão). Os ideais manifestavam-se de várias formas e em várias frentes, e é neste contexto que chegamos a Friedrich Schiller um filósofo que começa por apoiar o Iluminismo, mas desilude-se com estes ideais quando começa a constatar a onda de violência que acaba por gerar. Schiller crê ser essencial arranjar uma solução para a sua sociedade e acredita que a educação é a base de tudo, e defende uma educação através da arte. Schiller entendia que através da arte era possível atingir um indivíduo capaz de harmonizar os seus impulsos (sensível e formal), ser um homem livre, um bom cidadão e fazer um uso pleno da moral, nas palavras do autor, um ser humano absoluto. Schiller escreveu, em 1793, uma série de cartas ao seu amigo, o Duque de Augustenburg, onde apresenta os seus ideais educativos. Começa por expressar o seu desagrado para com os acontecimentos da sua época, e ao longo dos seus textos apresenta e aprofunda a sua visão de alguns conceitos que reforçam o seu pensamento educativo: beleza, liberdade, impulso lúdico, Estado e contemplação. Além disso, o filósofo mostra o seu agrado e a influência que os clássicos gregos tiveram no seu ideal educativo; de Platão traz os conceitos de artifício, visão e belo, de Aristóteles traz o conceito de catarse, ligado principalmente à tragédia, arte que, sendo também Schiller um dramaturgo, dominava com mestria. Para compreender Schiller e o seu pensamento é importante relembrar os gregos e principalmente a sua visão de educação que estava tão ligada à arte. Schiller recupera estes conceitos e torna de novo a arte e a educação como bases para a construção de uma moralidade social. À primeira vista, estudar Schiller nos tempos que correm pode parecer pouco relevante e os seus ideais pouco actuais. A arte dos nossos dias está distante da arte dos tempos de Schiller, a arte contemporânea vive distante de alguns conceitos mais focados na arte clássica e até parece viver distante de alguns conceitos falados por Schiller, sendo uma das principais e grandes diferenças a exaltação e o louvor do conceito de feio. As revoluções artísticas do século XX transformavam o mundo da arte, mas por outro lado, aproximaram-na do público, querendo trazer a arte para o alcance de todos. Desde os finais do século XIX que estas mudanças começavam a aparecer, mas a grande reviravolta artística dá-se já no princípio do século XX. Para perceber estes novos ideias artísticos é preciso voltar ao começo da arte contemporânea e analisar os movimentos mais revolucionários e com maior impacto a nível conceptual. Com o objectivo de compreender se os artistas contemporâneos se enquadram nos conceitos schillerianos é importante analisá-los com o olhar do filósofo, num nível mais geral, e também num nível mais específico, analisando em particular dois artistas contemporâneos: Andy Goldsworthy e Sophia de Melo Breyner Andresen. Poderemos assim verificar se os ideais de Schiller são plausíveis na nossa sociedade e, mesmo tendo em conta todas as diferenças temporais, iremos também apurar de que forma poderemos tornar a arte contemporânea numa arte que Schiller aceitaria para o desenvolvimento de uma educação moral. Para finalizar, abordaremos uma questão prática: a aplicação das teorias de Schiller nos nossos dias e como os seus ideais podem ter repercussões positivas no comportamento dos indivíduos. A análise foca-se particularmente na forma como o nosso país encara a educação pela arte, nas escolas e instituições que praticam este tipo de educação, em especial os Serviços Educativos dos museus de arte, onde se irá observar principalmente o público mais novo. Apesar de ser um filósofo ligeiramente “esquecido” por alguns, Schiller trará uma lufada de ar fresco à educação e à arte dos nossos dias, alertando para a necessidade de unir a arte e à educação. Por isso se manifesta tão importante relembrar os seus ideais e ajustá-los à arte contemporânea, para que possam ser aplicados na nossa sociedade contemporânea.
Abstract Europe was living the days of the French Revolution, the promise of a Republic, the demand for a free and enlightened individual, able to make a use of their thoughts. However, what looked promising turned into a violent struggle for the ideals, eventually displeasing many. This discouragement would was felt especially among the philosophers of the eighteenth century Germany, even among those who had initially proclaimed the movement of Aufklärung (German Enlightenment). The ideals extolled in several ways and on several fronts, and it is in this context took place Friedrich Schiller a philosopher who at first praises the Enlightment, but who becomes disappointed with its ideals when he sees the wave of violence that the movement generates. Schiller believes to be essential to find a solution to their society and believes that education as the basis of everything, defending an education through the art. Schiller understood that through the art it was possible to achieve an individual able to harmonize his impulses- sensitive and formal -, be a free man, a good citizen and make a full use of morality, in his own words, an Absolute Being. Schiller wrote, in 1793, a series of letters to his friend the Duke of Augustenburg, where he exposes his educational ideals. He begins by expressing his displeasure with the events of his time, and throughout his texts he presents and deepens his vision of some concepts that reinforce his educational thought: beauty, freedom, playful impulse, State and contemplation. In addition the philosopher shows his appreciation and the influence that the classic Greeks had on his ideal of education; from Plato he brings the concepts of artifice, vision and beauty, from Aristotle he brings the concept of catharsis, linked mainly to tragedy, an art that Schiller also dominated, since he was a playwright. To understand Schiller and his thought is important to remember the Greeks and especially their vision of education that was so linked to art. Schiller recovers these concepts and makes art and education again the basis of social morality Maybe it doesn’t make much sense to think of Schiller in our days, because one may think that his ideals are not up-to-date. The art of our days is far away from the art of the times of Schiller, the contemporary art lives far from some concepts more focused on classical art and it even seems to live apart from some concepts esteemed by Schiller, being one of the leading and major differences the exaltation and praise of the concept of ugly. The artistic revolutions of the 20th century transformed the art world, however, they brought the art closer to the public, by trying to bring the art to the reach of everyone. Since the late 19th century that these changes were beginning to emerge, but the great artistic twist takes place already at the beginning of the 20th century . To understand these new artistic ideas we need to go back to the beginning of contemporary art and analyze the most revolutionary movements and the ones with the greatest impact on the conceptual level. To understand if the contemporary artists fit into the schillerian concepts it is important to analyze them from the philosopher’s perspective, at a more general level, and also at a more specific level, analyzing in particular two contemporary artists: Andy Goldsworthy and Sophia de Mello Breyner Andresen. We can thus tell if Schiller’s ideals are plausible in our society and, even taking into account all the chronological differences realize too how to make contemporary art in an art that Schiller would agree to the development of a moral education. Finally, we will approach a practical question: how Schiller can be used nowadays and how his ideals can have positive repercussions on the behaviour of individuals. We will see specifically of how our country faces art education, and how schools and institutions put this kind of education into practice, in particular Educational Departments of museums of art, and we will focus particularly on the younger audience. Despite being a philosopher slightly "forgotten" by some, Schiller will bring a breath of fresh air to education and art of our days, alerting to the need of uniting art to education. And that is why it is so important to remember his ideals, and adjust them to contemporary art, so that they can be used in our contemporary society.
Descrição: Tese de mestrado, Filosofia, Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, 2014
URI: http://hdl.handle.net/10451/10951
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