Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/11345
Título: A disciplina de ciências físico-químicas na reforma liceal de 1947
Autor: Beato, Carlos Alberto da Silva, 1948-
Orientador: Pintassilgo, Joaquim, 1956-
Palavras-chave: Ciências - Estudo e ensino
Teses de mestrado - 2003
Data de Defesa: 2003
Resumo: A investigação que se apresenta foi realizada no âmbito da história da educação, num campo de estudos recentemente começado a desenvolver-se, o da história das disciplinas escolares, e visou conhecer e interpretar o percurso da disciplina de Ciências Físico-Químicas sob a vigência da reforma liceal de 1947. Todo o estudo se baseou na análise de conteúdo, trabalhando sobre fontes originais. O modelo teórico que se procurou seguir não está rigidamente elaborado tentando seguir-se, no essencial, as propostas interpretativas e de valorização das disciplinas escolares no contexto da cultura escolar de André Chervel. Foram também considerados outros contributos, particularmente os de Ivor Goodson. Nos tempos que se seguiram ao final da II Guerra, os principais objectivos procurados pelas políticas de educação do Estado Novo foram sensivelmente alterados. O sistema educativo vai acomodar-se às novas realidades económicas e sociais com as reformas do ensino liceal (1947) e do ensino técnico (1948). Durante o período de instalação da reforma liceal de 1947 e nos anos seguintes, os programas de Ciências Físico-Químicas estiveram no centro de uma polémica particular. A discussão instalou-se em torno de certas alíneas do programa, nomeadamente sobre o uso de fórmulas e equações químicas na iniciação em química. Outro aspecto, em que o desacordo interpares se manifesta, é relativo ao uso das expressões matemáticas para a resolução de exercícios de aplicação das matérias de física básica. Estas desavenças estão patentes no conteúdo dos relatórios “do serviço prestado” dos professores dessa área, e aparecem a público na imprensa pedagógica e científica da época através de artigos publicados pelos principais intervenientes. Foi a partir deste material que se iniciou este trabalho onde procurámos acompanhar a evolução da disciplina de Ciências Físico-Químicas (programas, manuais, pedagogias) durante o tempo que a reforma liceal de 1947 durou, numa perspectiva que procura as especificidades da disciplina enquanto contributo e parte da cultura escolar. Parte-se para uma análise contextualizada da introdução dos programas de CFQ no âmbito da reforma liceal de 1947 que passa por estudar as movimentações antes, durante e após o início da sua vigência, mas também os próprios programas em si. Num segundo fôlego inicia-se um estudo sobre os livros escolares usados nesses tempos e que passa pelo conhecimento do modo da sua aprovação enquanto “manuais únicos” com as suas regras e processos, concretizando-se com o estudo das propostas dos autores e as análises dos avaliadores dos manuais participantes nos concursos para aprovação oficial. Os próprios manuais utilizados foram, na sua maioria, sujeitos de uma leitura criteriosa procurando encontrar as suas características distintivas assim como a sua capacidade potencial de influenciar o trabalho dos professores enquanto, assumidamente, “programas oficiosos”. Finalmente, é feita uma análise basicamente a partir dos relatórios de serviço dos professores, já utilizados antes na análise quer dos programas quer dos manuais, uma apreciação acerca dos processos didácticos que os próprios reivindicavam usar. Na conclusão, assume-se o carácter quase exploratório deste trabalho num contexto em que se entende que os conceitos de cultura escolar e disciplinas escolares criam expectativas de riqueza inapreciável para a história da educação.
This study was carried out in the context of the history of education, in a recently developed field known as the history of school subjects, and it aimed to learn about and interpret the trajectory of the subject of Physical and Chemical Sciences under the 1947 high school reform. The whole study was based on content analysis, working with original sources. Its theoretical model is not rigidly elaborated; rather, an attempt was made to essentially follow the interpretative and valuative proposals of school subjects in the context of André Chervel‟s concept of school culture. Other contributions were also taken into account, particularly those of Ivor Goodson. During the times that followed the end of the Second World War, the main objectives sought by the educational policies of the New State underwent considerable changes. The educational system would adapt to the new economic and social realities through the high school (1947) and technical school (1948) reforms. During the implementation period of the 1947 high school reform and in the following years, Physical and Chemistry Science programmes were the focus of a specific controversy. Discussion arose around certain points of the programme, namely regarding the use of chemical formulae and equations in the introduction of Chemistry. Another aspect that reveals disagreement among peers concerns the use of mathematical expressions for solving exercises of application of elementary physics materials. These disagreements are clear in the content of the reports on the service done by teachers in this area and they are made public in the pedagogic and scientific press of the time, in articles published by the main protagonists. This material was the starting point for this study, which aimed to follow the evolution of the subject of Physical and Chemical Sciences (programmes, textbooks, pedagogies) during the time that the 1947 high school reform lasted, from a perspective that seeks the peculiarities of the subject as a contributor to and part of school culture. A contextualised analysis of the introduction of PCS programmes within the 1947 high school reform is undertaken. It includes studying the movements before, during and after its rule, as well as the programmes themselves. A second stage of the work concerns the study of the school books used at the time. This task includes understanding how the process of approval of these books as “unique textbooks” comes about, with its rules and procedures, carried out by examining the authors‟ proposals and the evaluators‟ analyses of the textbooks competing for official approval. The manuals themselves were, for the most part, subject to careful reading in an attempt to find their distinctive features and their potential to influence teachers‟ work as assumed “official programs”. Finally, a critical analysis is undertaken concerning the didactic processes teachers claimed to use, by looking at their service reports, which were already used to analyse both programmes and textbooks. The concluding remarks assume the quasi-exploratory character of this study, but also stress that the concepts of school culture and school subjects may offer priceless contributions to the history of education.
Descrição: Tese de Mestrado em Educação (Didáctica das Ciências), apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Ciências, 2003
URI: http://hdl.handle.net/10451/11345
Aparece nas colecções:FC - Dissertações de Mestrado

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