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Título: Ao oriente do oriente transformações do orientalismo em poesia portuguesa do início do século XX . Camilo Pessanha, Alberto Osório de Castro e Álvaro de Campos
Autor: Braga, Duarte Nuno Drumond
Orientador: Laborinho, Ana Paula, 1951-
Palavras-chave: Pessanha, Camilo, 1867-1926 - Crítica e interpretação
Castro, Alberto Osório de, 1868-1946 - Crítica e interpretação
Pessoa, Fernando,1888-1935 - Crítica e interpretação
Orientalismo (Literatura) - História e crítica
Teses de doutoramento - 2014
Data de Defesa: 2014
Resumo: A presente dissertação propõe-se não tanto identificar, na poesia portuguesa do início do século XX, presenças lineares do discurso orientalista, mas entender as transformações, isto é, a reinvenção que a poesia promove desse mesmo discurso. O corpus em foco é constituído por poemas escolhidos da Clepsydra de Camilo Pessanha, dos três primeiros livros de Alberto Osório de Castro e da produção inicial de Álvaro de Campos, tendo todo ele sido composto, e na sua maioria publicado, entre c. 1895 e c. 1920. O cerne da questão é a forma como este corpus se apropria dos mecanismos discursivos orientalistas, reinventando-os. Tendo em conta a obra de Edward Said, Orientalism (1978), tanto na crítica como na relação com a literatura portuguesa, a presente investigação sugere que a literatura finissecular portuguesa constrói um discurso orientalista que reescreve o discurso literário do século XVI. Este discurso tem consequências, quer nas suas representações literárias, quer nos mesmos modelos culturais onde tais autores se encontram inseridos. A dissertação começa por promover uma reflexão em torno do orientalismo português enquanto noção que não pode ser entendida fora do imaginário imperial (e) nacional. A forma como a poesia dos três autores se relaciona com esta questão dá-se de forma diversa. Em Camilo Pessanha, o orientalismo, que é praticado de forma ambígua em alguns textos em prosa, ganha um carácter evasivo na representação que alguns poemas propõem do Oriente, desconstrutiva face ao cenário orientalista. No que tange a Alberto Osório de Castro, seria este o único caso em que haverá um programa orientalista a ser cumprido em poesia; contudo, mediante a cisão do sujeito do discurso orientalista em dois, o “esteta” e o “observador científico”, esse programa vê-se imponderabilizado. Finalmente, em Álvaro de Campos existe uma relação sobretudo apropriativa com o orientalismo, que passa pelo dispositivo heteronímico. É, desde logo, a assinatura Álvaro de Campos que permite reescrever certos conteúdos e imagens orientalistas.
This thesis aims not so much to identify, in Portuguese poetry of the early twentieth century, linear presences of the Orientalist discourse, but instead to understand the transformations, i.e. the reinvention of that discourse being promoted by poetry. The corpus consists of poems chosen from Clepsydra by Camilo Pessanha, the first three books by Alberto Osório de Castro and from the first works by Álvaro de Campos. These poems were all composed between c. 1895 and c. 1920 and the majority saw its publication within the same period. The heart of the matter of the present research is to show how that corpus appropriates Orientalist discursive mechanisms and reinvents them. Based on Edward Said’s Orientalism (1978), both its critique and its relation to Portuguese literature, this research suggests that Portuguese fin-de-siècle authors construct an Orientalist discourse that rewrites Portuguese sixteenth-century literary discourse. This discourse implies issues both in literary representation as in the same cultural models where those authors were embedded in. This thesis starts by conveying a historical and cultural discussion about Portuguese Orientalism as a notion that cannot be understood apart from national (and) imperial imagery. However, these three authors take different positions relating to this issue. In Camilo Pessanha, Orientalism is ambiguously practiced in some prose texts, as well as by a pervasive elusiveness regarding the representation of the East, which is deconstructive in terms of the Orientalist scenario. Regarding Alberto Osório de Castro, this would be the only case in which there would be an Orientalist program to be achieved poetically; however, by means of splitting the subject of Orientalist discourse in two, the "aesthete" and the "scientific observer", Osório de Castro’s program becomes imponderable. Finally, in Álvaro de Campos there is a fundamentally appropriative relation with Orientalism, involving the use of heteronimy. It is the “Álvaro de Campos” signature that allows the rewriting of overtly Orientalist stylistic features and images.
Descrição: Tese de doutoramento, Estudos de Literatura e de Cultura (Estudos Comparatistas), Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, 2014
URI: http://hdl.handle.net/10451/11690
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