Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/12317
Título: História da Educação e formação de professores em Portugal (1862-1930)
Autor: Mogarro, Maria João
Data: 2006
Editora: EDUFU / Núcleo de Estudos e Pesquisas em História e Historiografia da Educação
Citação: Mogarro, M. J. (2006). História da Educação e formação de professores em Portugal (1862-1930). In Anais do VI Congresso Luso-brasileiro de História da Educação. Percursos e desafios da pesquisa e do ensino de História da Educação. pp. 320-333. Uberlândia, MG: EDUFU / Núcleo de Estudos e Pesquisas em História e Historiografia da Educação (publicação em CD-Rom)
Resumo: Na segunda metade do século XIX e nas décadas iniciais do século XX assistiu-se, em Portugal, a uma actividade cultural intensa, marcada significativamente pelas questões educativas e pela necessidade de formação da população portuguesa. A crença ilimitada nas potencialidades da escola, como factor gerador de progresso e desenvolvimento, tinha a sua âncora no referencial positivista e cientista em voga e aspirava à formação de cidadãos mais cultos, conscientes e lucidamente participativos na vida social e política. Os debates educativos foram marcados pelo combate ao analfabetismo, à ignorância aos preconceitos decorrentes da sujeição teológica das almas. A regeneração económica e social conduziria a uma sociedade nova e devia ser construída por homens novos, para seguir a retórica republicana, ocupando a sua formação e educação o centro dos discursos políticos que projectavam o futuro do país. Neste sentido, a formação de professores para o ensino primário ganhou uma importância crescente, traduzindo-se nas várias reformas do ensino normal, entre 1862 e 1930, assim como na evolução dos currículos. O nosso objectivo é compreender o papel que a História da Educação desempenhou na consolidação do sistema de formação de professores e na prossecução das finalidades que este se propunha alcançar. Presentes nos programas e contemplados nos manuais pedagógicos usados nas escolas normais, os conteúdos históricos sobre a educação começaram por constituir algumas rubricas nos programas e nos primeiros manuais de pedagogia, evoluindo gradualmente para uma autonomização disciplinar. Em 1919, a História da Educação é consagrada como componente curricular própria, com duas cadeiras (Pedagogia Geral e História da Educação e História da Instrução Popular em Portugal), atingindo uma importância significativa nas escolas de formação de professores nos anos vinte do século passado. O nosso corpus documental é constituído pelos manuais de pedagogia e história da educação publicados neste período. A análise dos tópicos de história da educação que os primeiros destes manuais (Cirne, 1881; Afreixo, 1883; Coelho, 1894, 1903 e outros) apresentam, revela-nos a importância que temas como as ideias pedagógicas, a vida dos “grandes educadores” e as realidades educativas (fundamentalmente, as reformas legislativas nacionais) tinham na formação de professores. A presença destes temas na imprensa de educação e ensino evidencia também a pertinência da reflexão desenvolvida no âmbito do ensino normal (Nóvoa, 1993, 1994). Na transição do século, o ensino da História da Educação apresentou uma visão progressista, em que o desenvolvimento constante da humanidade e das sociedades era contado pelo espelho da educação, através da sua evolução ao longo dos séculos. Nos discurso educativo de então, a História assumia a dignificação da missão do professor, a par da legitimação do processo de construção do sistema estatal de ensino. Com a autonomização curricular, em 1919, estes elementos foram reforçados. A representação do professor surgia imbuída de um forte espírito de missão, de cariz republicano e positivista, apresentando os manuais, como as Lições de Pedagogia Geral e História da Educação, de Pimentel Filho (1919), uma reflexão histórica e pedagógica sobre as duas perspectivas já enunciadas para o período anterior: a evolução das ideias e dos princípios educativos, a par da história das instituições escolares e dos sistemas estatais de ensino. Num registo à dimensão nacional, os manuais de História da Instrução Popular em Portugal (Pélico Filho, 1923), alargaram a abordagem dos factos históricos às iniciativas de educação popular, não só na esfera pública como também incluindo as de natureza particular. Lugares de memória, objectos fabricados e portadores de uma materialidade específica, utensílios pedagógicos, documentos ricos e multifacetados, os manuais de pedagogia e história da educação reflectem as influências que se faziam sentir no campo historiográfico da educação e são a expressão das formas como se foi construindo um discurso próprio neste campo disciplinar. Assim, permitem-nos compreender o papel da História da Educação na consolidação do sistema de formação de professores em Portugal, a par de um exercício de comparação com o Brasil.
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10451/12317
Aparece nas colecções:IE - GICFP - Comunicações e Conferências

Ficheiros deste registo:
Ficheiro Descrição TamanhoFormato 
Histdaeducacaoeformaçaodeprofessoresemportugal.pdf145,95 kBAdobe PDFVer/Abrir


FacebookTwitterDeliciousLinkedInDiggGoogle BookmarksMySpace
Formato BibTex MendeleyEndnote Degois 

Todos os registos no repositório estão protegidos por leis de copyright, com todos os direitos reservados.