Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/15408
Título: Adaptation to unforeseen change in geographically dispersed mission teams : the roles of team training and team familiarity
Autor: Oliveira, Diogo Raposo de
Orientador: Curral, Luís, 1963-
Palavras-chave: Equipas virtuais
Desempenho organizacional
Adaptabilidade
Criatividade
Teses de mestrado - 2014
Data de Defesa: 2014
Resumo: Today the world witnesses the course of a technological revolution that has broken down office walls and expanded the horizons of team communication. Teams are no longer confined to a single place at a time, and for that reason some researchers may call them “ubiquitous” (e.g., Marks, 2006). In fact geographic separation has been overcome by the virtuality that has touched and transformed every modern organization. Despite all the advantages that virtual communication may represent, everyday many virtual teams find themselves struggling because of virtual work. Using fail-safe technology is one way of preventing that from happening; however the focus of prevention should also span human resource policies like training and development of team members regarding virtual work (Duarte & Snyder, 2001). Following that perspective, and taking into consideration other evidences, I hypothesized that both team training and team familiarity have a positive effect on individual perceptions of adaptability. Furthermore I posited that the positive effect of team familiarity on individual perceptions of adaptability is stronger when team training occurs instead of separate training. An experimental study with 39 individuals was conducted to test these hypotheses. Participants were given scenarios where familiarity and conjoint training were manipulated. Team adaptive performance was measured at the end of each scenario. Results provided evidences against the hypothesis proposed in this study, however, good insights are provided regarding possible reasons behind that, which I expect to be useful for guiding future research. Implications are discussed and future studies are suggested.
Salas, Dickinson, Converse, & Tannenbaum (1992) definem “equipa” como um grupo específico de duas ou mais pessoas que têm objetivos ou propósitos em comum e interagem de forma dinâmica, adaptativa e interdependente, em função de papeis ou funções específicas, de forma a atingirem aqueles objetivos. Os processos de se desenrolam a partir do âmago de uma equipa fortalecem as empresas, permitindo-lhes responder com maior eficácia tanto à competição como à colaboração que, hoje em dia, ultrapassa barreiras organizacionais, geográficas e temporais. As equipas apresentam um leque de vantagens muito superior ao do trabalho individual: são capazes de produzir modelos mentais partilhados, processos compensatórios, e estados afetivos como a coesão para lidarem eficazmente com a complexidade e o distress que tingem o dia-a-dia profissional (Orasanu & Salas, 1993). Estas vantagens e outras consubstanciam-se em importantes ganhos organizacionais que se podem traduzir em níveis superiores de eficiência, qualidade, segurança, criatividade, e até adaptabilidade (Banker, Field, Schroeder, & Sinha, 1996; Burke, Stagl, Salas, Pierce, & Kendall, 2006; Cohen & Ledford, 1994; Foushee, 1984), colocando as equipas numa posição privilegiada do panorama organizacional. Com o desenvolvimento em massa das tecnologias de informação e comunicação, as equipas de trabalho tornaram-se cada vez mais ágeis e colaboração entre elementos da mesma equipa deixou de estar marcada pela rigidez das barreiras geográficas e temporais. Graças ao uso destas tecnologias profissionalmente, já é possível uma única equipa estar dispersa pelo Globo, mantendo-se em interação. Apesar de todas as potencialidades da comunicação virtual, continuam a existir muitos grupos de trabalho a sentirem-se prejudicados pela distância geográfica que os separa de outros. Esses efeitos podem ser agravados por diversos fatores, incluindo a perceção de incerteza e de falta de controlo e o stress que, amiúde, delas deriva. As equipas de missão (e.g., tripulações de naves espaciais), pelo tipo riscos a que estão sujeitos e importância dos objetivos com que se comprometem, podem acusar o efeito das limitações das tecnologias de comunicação mais do que qualquer outro tipo equipa. Uma forma de ultrapassar essas dificuldades passa pelo investimento em tecnologia de elevada qualidade, pois não apresenta tantas falhas como aquelas de classe inferior. No entanto, as possibilidades não se esgotam aí. Outra forma de minimizar os efeitos negatives da separação geográfica deve passar pela adoção de políticas de recursos humanos ligadas à promoção da formação e desenvolvimento das equipas ao nível do trabalho virtual (Duarte & Snyder, 2001). O principal objetivo da presente investigação prende-se com o alargamento da compreensão dos fatores que têm efeito sobre a adaptabilidade das equipas de missão. Mais especificamente, com este estudo, procurei determinar os efeitos da familiaridade de equipa e do treino em equipa nas perceções individuais de adaptabilidade. Procurei, ainda, introduzir uma inovação na literatura ao considerar o efeito da interação das duas primeiras variáveis na última. Após rigorosa revisão de literatura, lancei as hipóteses do meu estudo. Nelas proponho que tanto a familiaridade de equipa quanto o treino em equipa têm um efeito positivo nas perceções individuais de adaptabilidade, e que o efeito positivo da familiaridade de equipa nas perceções individuais de adaptabilidade é mais forte quando há treino em equipa do que quando há treino separado. De forma a testar a validade empírica das minhas hipóteses, realizei um estudo experimental com 39 indivíduos. O material experimental fornecido aos participantes incluía, entre outros elementos, dois cenários hipotéticos de missões levadas a cabo por equipas em ambientes extremos, seguidos de um questionário sobre os mesmos. Cada um desses questionários precedia um conjunto adicional de três questões às quais os participantes deviam responder selecionando uma de três opções: “sim”, “não” ou “não sei”. Estas questões foram integradas no material experimental de forma a possibilitar a avaliação da consistência das escalas adotadas no estudo. Debruçando-me novamente sobre os cenários, devo esclarecer que cada um deles contava a história de uma missão levada a cabo por uma equipa, com um líder demarcado, que se encontrava subdividida em dois grupos – a equipa de missão em si mesma e o Centro de Controlo Operacional (CCO) – geograficamente separados um do outro. A explicitação dessa distribuição geográfica era propositada uma vez que eu pretendia direcionar a minha pesquisa para as equipas de missão com uma forte dimensão virtual. Através de cada par de cenários incluídos no material experimental foi possível manipular as duas variáveis do meu estudo – treino em equipa e familiaridade entre a equipa de missão e o CCO. As respostas dadas pelos participantes no âmbito dos questionários espelhavam o modo como eles percecionavam a influência dos eventos e comportamentos descritos nos cenários hipotéticos ao nível das diferentes dimensões da Performance Adaptativa de Equipa (Kozlowski, 1991; Han & Williams, 2008). Após os participantes terem respondido aos questionários, e após terem-nos devolvido, juntamente com o resto do material experimental, ao experimentador, as respostas obtidas foram exportadas para uma base de dados, e posteriormente sujeitas a análise estatística usando o SPSS 20.0. No âmbito da análise estatística, o teste das hipóteses resultou na rejeição das três hipóteses formuladas neste estudo. Os resultados poderiam parecer inválidos simplesmente por irem contra toda a fundamentação reunida na secção da revisão de literatura, no entanto, após um trabalho adicional de pesquisa bibliográfica, cheguei à conclusão de que certas caraterísticas dos cenários constantes no material experimental poderiam ter agido como “variáveis estranhas”, “adulterando” os resultados. Considerei, então, que os resultados associados à hipótese 1 (“Haverá um efeito positive da familiairidade entre os elementos da equipa nas perceções individuais de adaptabilidade.”) tivessem sido influenciados pela variável estranha “longevidade de grupo” (Katz, 1982). Ao nível da hipótese 2 (“Haverá um efeito positivo do treino em equipa nas perceções individuais de adaptabilidade”), a justificação para os resultados encontrados pode-se prender com alguma falta de precisão no modo como foi manipulado a variável treino nos cenários do material experimental. Acontece que a frase escolhida por mim para representar a condição “treino em equipa”, nos cenários em que esta devia manifestar-se, colocava uma ênfase especial no facto de que, durante o treino em equipa, a equipa de missão tinha realizado exercícios de troca de papéis que lhes haviam permitido compreender os requisitos globais da missão. O modo como esse destaque surgiu nos cenários pode ter conduzido aos resultados que, até à data da análise, eram inesperados uma vez que há evidências de que as intervenções de treino em equipa centradas na troca de papéis e responsabilidades entre elementos de equipa (“cross-training”) têm um impacto menos positivo na performance da equipa do que a globalidade das intervenções de treino em equipa (Goldstein & Ford, 2002). Após conhecer o desígnio das hipóteses 1 e 2, qualquer admiração da minha parte relativa à refutação que recaiu sobre a hipótese 3 (“O efeito positivo da familiaridade da equipa nas perceções individuais de adaptabilidade será mais forte quando há treino em equipa do que quando há treino separado.”) seria descabida. Neste estudo pude identificar duas limitações que considero que possam ter condicionado a precisão dos seus resultados. Cada uma delas relaciona-se, respetivamente, com uma das bases cognitivas e um dos processos psicológico responsáveis pela capacidade dos participantes do meu estudo de responderem às perguntas do questionário que lhes foi entregue. Neste estudo, eu procurei conhecer os efeitos provocados pelas variáveis independentes na variável dependente através do modo como os indivíduos acreditavam que os eventos e interações ocorridas nos cenários de missão considerados poderiam influenciar as suas atitudes caso eles próprios tivessem feito parte das equipas de missão referidas nesses cenários. A primeira limitação do estudo prende-se com o facto desse processo reflexão, necessário para dar resposta ao questionário, depender em grande parte da capacidade do indivíduo para aceder às suas ‘estruturas de crença’ (‘belief structures’), as quais se regem mais por princípios de subjetividade do que de ‘realismo’ propriamente dito. A segunda limitação referida neste estudo diz respeito ao processo psicológico necessário para que os participantes do estudo pudessem perceber de que forma reagiriam se estivessem nas condições experienciadas pelas equipas referidas nos cenários de missão apresentados. Esse processo designa-se de ‘simulação mental’. É ele que permite aos indivíduos, cruzando dados de cenários hipotéticos com as informações provenientes das ‘estruturas de crenças’, perceberem como poderiam reagir numa situação dessas. Apesar das simulações mentais serem uma das ferramentas mais eficazes utilizadas por investigadores para manipular estados afetivos (e.g., Larsen & Ketelaar, 1991; Morrow & Nolen-Hoeksema, 1990; Strack, Schwarz, & Gschneidinger, 1985; Wright & Mischel, 1982), os quais podem ser úteis para prever os comportamentos que um dado indivíduo desempenharia num cenário hipotético ou futuro; o potencial das simulações mentais para ajudarem a compreender as dinâmicas do comportamento humano é limitado. A fragilidade do potencial preditivo das ‘simulações mentais’ tem na sua origem diversos fatores, no entanto, cinjo-me a destacar que o conteúdo dessas simulações deriva da rede de informações de que o self dispõe mentalmente e que resulta da experiência passada (Hawkins & Blakeslee, 2004; Dudai & Carruthers, 2005; Addis, Wong, & Schacter, 2007; Buckner & Carroll, 2007). Visto que a amostra deste estudo é composta na sua maioria por indivíduos, estudantes, que nunca tiveram contacto com as exigências de um contexto profissional e, muito menos, com cenários reais de missão, dificilmente as ‘simulações mentais’ que conduziram às respostas que os participantes do estudo deram no questionário terão um grau de verosimilhança suficientemente elevado para considerar que essas respostas podem ser a chave para a compreensão da forma como as variáveis ‘familiaridade de equipa’, ‘treino em equipa’ e ‘adaptabilidade’ se relacionam efetivamente no contexto natural das missões. Outra fragilidade das ‘simulações mentais’ que pode ter condicionado decisivamente os resultados do presente estudo tem a ver com a tendência das mesmas para ignorarem aspetos da performance como a adaptação (Gilbert & Wilson, 2009), sendo também insensíveis aos aspetos de um evento capazes de promover a mesma ou de inibi-la (Gilbert, Pinel, Wilson, Blumberg, & Wheatley, 1998; Gilbert, Lieberman, Morewedge, & Wilson, 2004; Gilbert, Morewedge, Risen, & Wilson, 2004; Gilbert & Ebert, 2002). A partir dos resultados obtidos e da análise global e específica das limitações do presente estudo, proponho algumas recomendações para a prática da investigação. Em primeiro lugar, considero que as simulações mentais não devem ser usadas como uma ferramenta para conhecer melhor o modo como a adaptação ou a adaptabilidade se relacionam com outras variáveis. Adicionalmente, defendo que os resultados de estudos que envolvam a avaliação do impacto de certas variáveis noutras, através de respostas dadas por indivíduos a questionários, devem ser analisados com rigor, especialmente se esses indivíduos não estão próximos de ou, pelo menos, familiarizados com o contexto natural em que aquelas variáveis interagem. Para além de dar resposta às limitações do presente estudo, investigação futura poderá ampliar este trabalho de diversas formas. Sugiro que, de futuro, as relações entre as três variáveis visadas nesta investigação sejam exploradas através de estudos de campo. Para além disso, também considero pertinente reforçar o estudo da influência da familiaridade de equipa na adaptabilidade, tentando compreender o modo como a familiaridade da tarefa pode moderar esse efeito.
Descrição: Tese de mestrado, Psicologia (Secção de Psicologia dos Recursos Humanos, do Trabalho e das Organizações), Universidade de Lisboa, Faculdade de Psicologia, 2014
URI: http://hdl.handle.net/10451/15408
Designação: Mestrado em Psicologia
Aparece nas colecções:FP - Dissertações de Mestrado

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