Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/15441
Título: Determinantes sociais e psicológicos do comportamento alimentar infantil
Autor: Andrade, Maria da Graça Massano de Amorim de Mavigné, 1961-
Orientador: Barros, Luísa, 1957-
Palavras-chave: Teses de doutoramento - 2014
Data de Defesa: 2014
Resumo: A redução da taxa de crescimento da obesidade infantil é um dos principais objetivos de saúde, a nível nacional e internacional, o que reforça a importância da aquisição de hábitos alimentares saudáveis nos primeiros anos da infância. Uma vasta evidência empírica aponta para a influência de uma multiplicidade de determinantes do comportamento alimentar infantil, sendo contudo necessário aprofundar o conhecimento do processo de influência destes fatores, em particular dos psicológicos e sociais. Com este objetivo foram realizados dois estudos. No primeiro estudo, observacional, transversal e analítico, recorreu-se a uma amostra de 231 crianças dos jardins-de-infância oficiais da zona Norte de Loures e respetivos pais. Todas as crianças foram pesadas e medidas para a determinação do IMC. As preferências alimentares foram avaliadas diretamente com as crianças, tendo-se utilizado uma adaptação do Rank Order Preference Assessment. Foi utilizado o Caregiver’s Feeding Style Questionnaire para a avaliação dos estilos parentais e o General Nutrition Knowledge Questionnaire for Adults para o conhecimento nutricional dos pais. As restantes variáveis cognitivas dos pais, o tempo de televisão e os hábitos alimentares das crianças foram também avaliados por questionários preenchidos pelos pais. O tempo de visionamento de televisão, as preferências alimentares da criança, a dimensão de responsividade parental e a atribuição parental de controlo foram identificados como preditores dos hábitos alimentares das crianças. O conhecimento nutricional e a autoeficácia parental, embora não acrescentem valor preditivo ao modelo, apresentam-se positivamente correlacionados com a qualidade dos hábitos alimentares. O conhecimento nutricional apresentou-se correlacionado com as atribuições parentais de controlo e de autoeficácia e com as características demográficas (idade, profissão e nível de escolaridade). A subavaliação do peso é significativamente maior nos pais de crianças obesas e pré-obesas do que nos pais de crianças com peso normal, sendo a perceção parental de peso a única característica que se mostrou significativamente associada ao IMC. A análise das relações entre algumas das variáveis cognitivas parentais permitiu concluir que a atribuição parental de autoeficácia e a perceção de controlo estão correlacionadas entre si, e apresentam correlações negativas com a preocupação parental com o peso. O segundo estudo, exploratório, e com recurso a análise de conteúdo, teve como objetivo identificar as significações parentais relacionadas com a alimentação infantil. Foram entrevistados 26 pais, selecionados intencionalmente da amostra do primeiro estudo. Os pais consideraram as suas ações como um determinante importante da alimentação saudável da criança, embora muitos refiram também as preferências alimentares inatas da criança. Os pais identificaram consequências físicas e psicológicas de uma alimentação e peso saudáveis. As barreiras a uma alimentação saudável mais referidas foram as influências de outros familiares, o marketing e o contexto socioeconómico. Para promover a alimentação saudável da criança os pais referiram tanto estratégias adequadas como inadequadas. Muitos dos pais consideraram que os comportamentos alimentares dos filhos resultam da coordenação da vontade parental com outros determinantes alimentares ou com outros objetivos parentais. Das conclusões do presente trabalho salienta-se a importância das variáveis psicológicas, e em particular das variáveis cognitivas parentais, na determinação dos comportamentos alimentares saudáveis da criança, as quais deverão ser integradas em intervenções futuras.
The inversion of ever-increasing rates in childhood obesity trends has been prompted as a major health goal, one that enhances the importance of healthy eating habits in early childhood. A vast body of research on children’s eating behavior points out the influence of a complex set of factors deriving from multiple contexts, which interact with each other. The underlying psychological and social causes of the child eating behavior however, need further clarification. This dissertation aims to explore the influence of social and psychological factors on childhood eating behaviors. Pursuing this general purpose, two studies were carried out. The first, an observational, cross-sectional and analytical research, involved 231 kindergarten children and their parents from north Loures (a county located in the Lisbon area). All children were weighed and measured to determine BMI. Food preferences were assessed directly with the children, using an adaptation of the Rank Order Preference Assessment. Parents completed a series of questionnaires to evaluate parental styles (The Caregiver’s Feeding Style Questionnaire), parental nutritional knowledge (General Nutrition Knowledge Questionnaire for Adults), child’s eating habits, TV viewing, parental attribution of control and self-efficacy, parental concern, parental perception of child weight and demographics characteristics. Children’s TV viewing, food preferences, parental responsiveness and parental attribution of control were predictors of the children’s eating habits. Parental nutritional knowledge and self-efficacy, though not adding predictive value to the model, were clearly correlated with the quality of food habits. Nutritional knowledge is correlated with parental attributions of control and self-efficacy and with demographic characteristics (age, occupation and education). The parental undervaluation of the child’s weight is significantly larger in parents of overweight children. Parental perception of weight is the only feature that was significantly associated with BMI. Both parental attribution of self-efficacy and perception of control are negatively correlated with parental concern about the child weight. In the second study, an exploratory methodology was used to identify parental significations about child feeding. Twenty six parents were chosen from the first study, using a criterion-based selection. The parents were interviewed, and content analysis was carried-out. Parents identified physical and psychological consequences of healthy dieting and weighting. The most referred barriers to child healthy eating were the influence of other family members, marketing, and socio-economic context. Parents tend to use both appropriate and inadequate strategies to promote healthy eating. Many parents express the belief that parental dietary goals need to be coordinated with other parenting aims or with other determinants of child eating behavior. The present work highlights the importance of psychological determinants, particularly parental cognitive characteristics, in determining children healthy eating behaviors, which should be integrated in future interventions.
Descrição: Tese de doutoramento, Psicologia (Psicologia da Saúde), Universidade de Lisboa, Faculdade de Psicologia, 2014
URI: http://hdl.handle.net/10451/15441
Designação: Doutoramento em Psicologia
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