Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/15559
Título: Resilience-based assessment for targeting coral reef management strategies in Koh Tao, Thailand
Autor: Cabral, Madalena Mesquitela Pereira, 1983-
Orientador: Paula, José Pavão Mendes de, 1959-
True, James
Palavras-chave: Recifes de coral - Tailândia
Alterações climáticas
Gestão ambiental
Teses de mestrado - 2014
Data de Defesa: 2014
Resumo: ste trabalho surge no âmbito do Mestrado em Ecologia e Gestão do Ambiente para o qual foi realizado um estágio de cinco meses na ilha de Koh Tao, Tailândia, visando o estudo da resiliência, sua avaliação e aplicação nas estratégias de gestão dos recifes de coral de Koh Tao. Os recifes de coral são dos ecossistemas mais ricos e produtivos da Terra. Providenciam benefícios de ecossistema a 500 milhões de pessoas que deles dependem para alimentação, protecção costeira e rendimentos do turismo e das quais 30 milhões são completamente dependentes dos recifes para a sua subsistência. Os impactos humanos sobre os recifes de coral estão a aumentar, na medida em que estes estão ameaçados globalmente, sendo um terço das espécies de coral classificado de “imediatamente ameaçado de extinção”. Aliado aos impactos humanos de desenvolvimento costeiro insustentável, à sobrepesca e à pesca destrutiva, as alterações climáticas à escala global contribuem para o agravamento destas pressões locais, levando a cada vez mais eventos de branqueamento de corais. Este fenómeno tem vindo a ser cada vez mais preocupante, com maior frequência e intensidade, prevendo-se um agravamento do mesmo nas próximas décadas, acompanhado por um aumento da população que vive nas zonas costeiras. Para garantir o nosso bem-estar futuro é necessária uma gestão sustentável dos recursos marinhos tendo em consideração a complexidade dos ecossistemas, tal como as relações destes com as populações humanas. Devido à importância da capacidade dos recifes em resistir aos impactos ambientais e recuperar destas perturbações, a resiliência tem sido um princípio fundamental na conservação e gestão dos mesmos. Através de ferramentas de gestão é possível identificar áreas de maior resiliência que devem ser incluídas em redes de áreas marinhas protegidas, que beneficiam outras áreas mais vulneráveis, identificando também quais as ameaças ecológicas mais proeminentes localmente, de modo a poderem fazer-se planos estratégicos de gestão do território. No sudoeste asiático, por volta de 95% dos recifes estão sob ameaça, sendo esta uma das áreas mais expostas às alterações climáticas. Particularmente no golfo da Tailândia, dois episódios distintos de branqueamento de coral foram observados em 1998 e 2010, com efeitos bastante acentuados nalgumas áreas sujeitas a sedimentação, eutrofização da água e stress térmico. Na Tailândia, a gestão dos recifes assenta em leis e regulamentações que se aplicam a todas as áreas de recife e medidas adicionais aplicáveis apenas a áreas protegidas. A ilha de Koh Tao é conhecida pelo seu intenso desenvolvimento turístico, especialmente relacionado com a actividade de mergulho recreativo. Ainda que Koh Tao seja uma pequena ilha com 21 km2, existem cerca de 50 escolas de mergulho que são responsáveis por um terço das certificações anuais mundiais da PADI (Associação Profissional de Instrutores de Mergulho). De acordo com as classificações da UNEP (Programa do Ambiente das Nações Unidas), os recifes de coral de Koh Tao enfrentam níveis altos de ameaça provenientes de actividades recreativas, bem como níveis médios de ameaça provenientes da pesca e de outras actividades ligadas ao desenvolvimento local. Em Koh Tao, o Plano de Desenvolvimento Turístico de 1995 não foi implementado com sucesso, tendo sido classificado o desenvolvimento turístico como não tendo regulamentação efectiva e carecendo a ilha de uma gestão ambiental efectiva. Apesar desta ilha não se encontrar incluída num parque nacional marinho, grupos comunitários locais, promovidos por operadores de mergulho locais em conjunto com a Marinha Tailandesa, o Departamento de Recursos Marinhos e Costeiros e a Universidade do Prince de Songkla, têm vindo a desenvolver projectos que visam a conservação dos recifes de coral pela implementação de zonamento e regulamentação marítima. Com este trabalho pretende-se adaptar o protocolo da IUCN (União Internacional pela Conservação da Natureza) para uma avaliação do grau de resiliência dos recifes à volta da ilha de Koh Tao e para uma identificação dos factores ambientais, ecológicos e humanos associados. Foram assim recolhidos dados quantitativos e semi-quantitativos em catorze locais de mergulho, denominados “sites”, sobre várias componentes ecológicas dos recifes de coral. Os dados quantitativos dizem respeito à população de corais e à distribuição das classes de tamanho de famílias/géneros mais e menos resistentes ao stress térmico. Para a obtenção dos dados semi-quantitativos utiliza-se uma tabela de referência que qualifica o índice de resiliência dos diferentes indicadores numa escala de 1 a 5, onde 1 descreve condições prejudiciais e 5 descreve condições benéficas para os corais. O cálculo da resiliência foi feito utilizando dois métodos: o método IUCN e aquele a que se chamou o método R2M (“resistance”, “recovery” e “management”). Ambos são calculados a partir da média dos grupos, que por sua vez é calculada pela média dos factores de cada grupo. Ao método IUCN foram excluídos um total de 17 factores. Os “sites” são depois classificados de alta, média ou baixa resiliência e através da análise das tabelas provenientes desta classificação é possível identificar os factores que mais influenciam estes resultados. O método IUCN apresenta mais “sites” na classificação de resiliência média que o método R2M, o que indica que um maior número de factores avaliados faz com que as pontuações tendam para a média dos grupos. No entanto, no que diz respeito à ordem de classificação, ambos os métodos tiveram classificações de resiliência semelhantes e mostraram que os “sites” menos resilientes pertencem a zonas de maior desenvolvimento turístico. Dos dois métodos, o R2M é o que parece ser de mais fácil utilização e interpretação dos resultados, ficando o gestor a saber directamente através da tabela quais os “sites” em que se devem focar os esforços de gestão. Como era de esperar, os “sites” mais resilientes (White Rock, Hin Ngam, Shark Island, Tanote e Ao Leuk) apresentaram maior número de colónias e maior proporção de famílias resistentes. A dominância de corais de géneros mais resistentes indica que os géneros mais susceptíveis (ex. Acropora) terão diminuído em número significativo devido a eventos prévios de branqueamento de corais e/ou por acção de impactos humanos. As colónias de maiores dimensões são pertencentes a géneros mais resistentes que apresentam crescimento lento e massivo (Porites e Diploastrea). Os géneros mais abundantes (Porites, Pocillopora, Goniastrea e Montipora) apresentam maiores níveis de recrutamento indicando que neste momento, serão os mais adaptados ao ambiente de Koh Tao. Pode-se assim dizer que de uma forma geral, a resiliência dos recifes de coral em Koh Tao é média/alta. Contudo, existem medidas que podem ser tomadas com o objectivo de melhorar a capacidade de lidar com futuros eventos de branqueamento de corais, manter a biodiversidade e aumentar a resiliência destes ecossistemas. Neste sentido, são propostas algumas recomendações que visam maximizar a conservação dos recifes de coral de Koh Tao. A primeira dessas recomendações é a de integrar na zona No-Take, “sites” com alta resiliência, que apresentam sinais de conectividade populacional (Hin Ngam, Ao Leuk e Tanote) de modo a servirem de santuário a um ecossistema saudável. Hin Wong também deverá ser considerado para inclusão em zona protegida devido à sua abundância em colónias da família Acroporidae e por apresentar resiliência média/alta. Dado o caso do aumento da área de protecção não ser possível, sugere-se delimitar uma zona No-Take com os “sites” mais resilientes (Hing Wong, Tanote, Ao Leuk, Hin Ngam, Shark Island and White Rock) e criar uma zona de segurança em torno de White Rock, incluindo Japanese Gardens, Twins e Sairee. Recomenda-se também, e especificamente para Japanese Gardens e Sairee, medidas de mitigação dos efeitos de eutrofização da água, poluição, sedimentação e danos físicos por parte de mergulhadores, de modo a aumentar a resiliência destes locais. Em toda a ilha, devem ser tomadas medidas de gestão mais efectivas ao nível de implementação, fiscalização e consciencialização das comunidades locais e dos visitantes nos âmbitos marítimo e terrestre.
Human impacts on coral reefs together with global climate change are leading to an increase in frequency and magnitude of coral bleaching events, threatening these ecosystems globally. As reefs depend heavily on their capacity to resist impacts and recover from disturbances, resilience has become a fundamental principle of reef management and conservation, making the identification and incorporation of resilient coral reef areas in MPAs (Marine Protected Areas) a priority. This study provides information on the resilience level of fourteen reef sites of Koh Tao, Thailand, a developing island known for it´s intense dive tourism. Two methods were used for calculating resilience by adapting an IUCN (International Union for the Conservation of Nature) resilience assessment protocol. Data collection on general coral community and the assessment of selected resilience factors facilitated information for management decisions on zoning and help target management strategies on specific sites. Most coral reefs on the island have medium or high resilience level but measures can be taken to improve conservation strategies such as reducing nutrient input level, pollution and sedimentation, by regulating and controlling land-based development and protecting fish population dynamics. Enlarging MPA No-Take zone to include high resilience sites with probable connectivity is also suggested in order to create a refuge area and enhance overall resilience.
Descrição: Tese de mestrado. Biologia (Ecologia e Gestão Ambiental). Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, 2014
URI: http://hdl.handle.net/10451/15559
Designação: Mestrado em Ecologia e Gestão Ambiental
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