Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/15818
Título: Quality is better than quantity: a comparative study of male mice sexual behaviour
Autor: André, Gonçalo André, 1990-
Orientador: Lima, Susana
Palavras-chave: Comportamento sexual
Micromamíferos
Mus musculus
Neurobiologia
Teses de mestrado - 2015
Data de Defesa: 2015
Resumo: Sexually reproducing species guarantee the continuity of the species by means of sexual interactions. Animals make use of innate and learned actions to increase the probability of being in contact with an animal of the opposite gender leading to copulatory/consummatory behaviour. After ejaculation is reached, sexual interest is diminished and animals enter a refractory state. Mice sexual behaviour is characterised by a series of mount attempts and mounts-with-intromissions, which in the end eventually lead to ejaculation, with this study we aimed to understand if there were male sexual behaviour between to major subspecies of mices, Mus musculus musculus and Mus musculus domesticus. We showed that there are differences in male sexual behaviour, but unfortunately we could not determine if those differences arise from the fact that this different strains fit in different subspecies of mice. M. musculus females showed to drastically change M. domesticus behaviour making those males necessity less genital stimulation to reach ejaculation (quality versus quantity) and finally with the employed method we could not give more insight about the Prolactin role in establishing or maintaining PERP.
De modo a garantir a continuidade de espécies que se reproduzem sexualmente, é necessário que indivíduos portadores dos dois tipos de gâmetas interajam, de modo que a sua informação genética seja transmitida à prole. Contrariamente a outros comportamentos, como alimentação ou sono, que são fundamentais para a sobrevivência do indivíduo, o comportamento sexual não é fundamental mas a natureza evoluiu mecanismos que garantem a execução de comportamentos, ditos sexuais, que levam à junção dos dois gâmetas. Sendo assim, o comportamento sexual pode ser visto como um ciclo que compreende três fases distintas: uma fase que depende de sinais internos e externos que levam a que o indivíduo aumente a execução de acções, fase apetitiva; a fase apetitiva aumenta a probabilidade do par executar a cópula, fase comportamento consumatória; durante a cópula, haverá a junção dos dois gâmetas e geralmente este passo está correlacionado com uma diminuição do interesse sexual, chamada fase inibitória. Todas estas fases do comportamento sexual são controladas por zonas distintas do cérebro e dependem de diferentes sistemas de neurotransmissores e hormonas para a sua execução. Embora muitos dos estudo existentes tenham sido realizados em humanos, grande parte do nosso conhecimento corrente teve origem em estudos realizados em animais, principalmente o rato, Mus musculus. No entanto, a espécie Mus musculus pode ser ainda dividida em três subespécies diferentes: Mus musculus musculus, Mus musculus domesticus e Mus musculus castaneus que vivem em diferentes habitats e que apresentam diferentes comportamentos, nomeadamente, na escolha do seu parceiro sexual. Por exemplo, estudo realizados por vários grupos e pelo nosso laboratório, mostram que enquanto que a fêmeas musculus escolhem os seus parceiros e preferem acasalar com membros da sua própria subespécie quando lhe é dada a escolha entre um macho musculus e um macho domesticus, as fêmeas domesticus acasalam indiscriminadamente com machos das duas subespécies. Este facto levou-nos a supor que, além das diferenças em termos de escolha de parceiro, poderão haver outras diferenças em termos do comportamento sexual. Para isso, o objectivo principal desta tese de mestrado foi comparar o comportamento sexual do macho das duas subespécies de rato Mus musculus musculus e Mus musculus domesticus. Este tipo de análise comparativa tem sido bastante usada e tem levado a resultados muito importantes. Isto porque permite estudar espécies com um ancestral comum mas que devido à sua história evolutiva, divergiram em termos de comportamento. Por isso, permitem-nos investigar as bases neuronais para as diferenças apresentadas, uma vez que o cérebro destas espécies é muito semelhante. Além disso, queríamos investigar possíveis mecanismos hormonais/neuronais responsáveis por estas diferenças entre subespécies. Neste projeto centrámo-nos no comportamento consumatório e inibitório do macho, uma vez que é relativamente fácil identificar estas duas fases do comportamento sexual: o comportamento consumatório é caracterizado por uma série de acções em que o macho agarra a fêmea e a monta, levando à introdução do pénis na vagina; esta fase é também caracterizada por uma série de montas e desmontas, em que os dois animais interagem e depois se separam; a ejaculação também é facilmente identificada, uma vez que o macho agarra a fêmea e colapsa, mantendo-se imóvel durante uns segundo. Em termos da fase inibitória, é também fácil isolar este comportamento pois é caracterizada por uma falta de interesse sexual na fêmea. Esta fase termina quando o macho volta a ganhar interesse sexual e novamente monta a fêmea. Sendo assim, a primeira experiência deste projecto foi comparar a performance sexual dos machos das quatro estirpes mencionadas; a análise foi feita em vários parâmetros comportamentos que permitem identificar as fases consumatórias e inibitória. O nosso objectivo nesta primeira experiência era perceber se os animais de cada subespécie poderiam realmente ser agrupados e podermos estabelecer um comportamento dito próprio da subespécie musculus, diferente da espécie domesticus. Embora não tenha sido possível diferenciar em subespécies todos os comportamentos analisados, os nossos dados indicam que as duas strains de machos musculus necessitam menos estimulação genital para atingir a ejaculação. Não sabemos se este fenómeno está relacionado com a ecologia comportamental desta espécie ou com o facto das estirpes escolhidas para este estudo (PWD e PWK) terem uma origem mais recente e terem passado menos tempo em laboratório. Experiências futuras serão necessárias para tomar uma conclusão. Uma vez que a performance sexual do macho não depende apenas da motivação e comportamento do macho, a decidimos investigar qual o peso do comportamento da fêmea para os resultados obtidos anteriormente. Para isso realizámos experiências em que os machos de cada strain podiam interagir com fêmeas das outras strains. Deste modo poderíamos estudar como é que o comportamento de cada macho se altera quando tem que copular com fêmeas diferentes. Aqui, surpreendentemente, os resultados mostraram que enquanto que os machos da subespécie musculus não parecem mudar de um modo significativo o seu comportamento quando interagem com fêmeas musculus ou domesticus, os machos domesticus mudam. Os machos domesticus passam a precisar de menos estimulação genital para atingir a ejaculação. Isto parece sugerir que as fêmeas musculus levam a uma cópula mais recompensador ou a uma maior excitação que faz com que menos estimulação sensorial seja necessária. Mais uma vez, não sabemos se o efeito das fêmeas musculus tem origem em serem uma outra subespécie ou o facto de serem mais selvagens do que os machos domesticus. Finalmente, tentámos começar a investigar uma hormona que pudesse explicar as diferenças observadas em termos de comportamento sexual. Além dos resultados mencionados em termos de comportamento sexual e necessidade de estimulação genital, a recuperação de interesse sexual foi outra medida que permitiu diferenciar as duas subespécies: enquanto que os machos musculus recuperaram a atividade sexual em menos de duas horas após a ejaculação, quase nenhum dos machos domesticus o fez. Mais uma vez, não sabemos se este resultado provém de uma diferença real das duas subespécies ou de um artefacto derivado de um diferente historial. No entanto, independentemente da origem, esta diferença comportamental poderá ser importante para estudos futuros cujo objectivo seja perceber os mecanismos neuronais subjacentes ao controlo do período inibitório. Decidimos então olhar para a activação no cérebro causada pela hormona prolactina, uma hormona que está envolvida na lactação, mas que nos últimos anos também foi implicada em comportamento sexual. Nomeadamente, sabe-se que há um pico de prolactina após a ejaculação e pensa-se que esta libertação leve ao início do período refratário em que o macho não tem interesse sexual. Uma vez que as duas subespécies exibiram comportamento inibitório tão distinto, perguntámos se o cérebro destes animais poderá responder à prolactina de modo distinto. Para isso injéctamos machos das quatro strains com prolactina e investigamos zonas do cérebro que possam responder a esta prolactina. Olhámos para três zonas que estão envolvidas em comportamento social-sexual no hipotálamo: arcuate, núcleo paraventricular e zona pré-óptica. Não observámos diferença nenhuma em termos de activação pelo que podemos concluir, que com o método usado, a prolactina não pareça ser responsável pelas diferenças observadas.
Descrição: Tese de mestrado. Biologia (Biologia Evolutiva e do Desenvolvimento). Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, 2015
URI: http://hdl.handle.net/10451/15818
Designação: Mestrado em Biologia Evolutiva e do Desenvolvimento
Aparece nas colecções:FC - Dissertações de Mestrado

Ficheiros deste registo:
Ficheiro Descrição TamanhoFormato 
ulfc107516_tm_goncalo_andre.pdf1,07 MBAdobe PDFVer/Abrir


FacebookTwitterDeliciousLinkedInDiggGoogle BookmarksMySpace
Formato BibTex MendeleyEndnote Degois 

Todos os registos no repositório estão protegidos por leis de copyright, com todos os direitos reservados.