Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/17834
Título: Evolução da linguagem : estudo comparativo dos gestos em chimpanzés infantis e em crianças na fase pré-verbal
Autor: Rodrigues, Evelina Daniela Teixeira, 1990-
Orientador: Frota, Sónia, 1964-
Casanova, Catarina
Palavras-chave: Gestos
Chimpanzés - comportamento
Crianças - Linguagem
Comunicação
Teses de mestrado - 2014
Data de Defesa: 2014
Resumo: In this study, the sensory categories of the first communicative gestures of children between 8-12 months and 0-20 months chimpanzees were analyzed. In an intra and interspecific level, the use of the different sensory categories was examined, as well as how these categories vary depending on the sex of the sender. The children’s data also allowed to analyze how the sensory categories vary according to the attentional state of their audience, the gestures efficacy in relation with the age of the recipient, and the variation of these sensory categories overtime.The two species show the same dominant sensory categories: visual gestures, followed by tactile gestures, and finally by the auditory gestures. However, unlike what was observed in chimpanzees, in the case of the human babies, the female gender gesticulates more. The visual gestures of children were mainly used when the recipient was in the sender’s field of view, and the auditory and tactile modality were more often chosen when the recipient was out of the field of view of the sender. The gestures were more likely understood as communicative acts when these were directed to other children. There were no significant differences in the dominant sensory categories between the two groups of children (8-10 months, 11-12 months), whereas developmental differences were found in chimpanzees (9-14 months, 15-20 months). The similarities found in the communicative repertoire of these two related species can suggest their presence in a common ancestral, which is in line with the gestural or the multimodal hypothesis of the origin of language. In general, it is possible to observe continuity in the preference of the perceptive channels used in the gestural communication of our phylogenetic closest relatives and in our species, at least at a pre-linguistic stage in which the gestures are the predominant mean of communication.
Os processos cognitivos inerentes à capacidade de linguagem, tal como hoje a conhecemos, podem ter evoluído de uma modalidade de comunicação gesto-visual, o que torna uma abordagem comparativa a nível filogenético bastante pertinente. Vários estudos demonstram que a comunicação gestual dos chimpanzés se assemelha à das crianças na fase pré-verbal. No entanto, as diferenças metodológicas de estudos feitos separadamente com cada espécie acabam por condicionar as conclusões a que se chega. Recorrendo a um desenho experimental semelhante para as duas espécies em causa, neste estudo comparou-se a produção dos primeiros gestos comunicativos e sua distribuição em categorias percetivas de um grupo de bebés humanos dos 8 aos 12 meses, e de um grupo de chimpanzés infantis e juvenis dos 0-20 meses. Para a amostra de crianças foram recolhidas 40 horas de observação, que juntamente com as 41,7 horas de observação de chimpanzés descritas em Schneider et al. (2012), permitiram analisar, a nível intra-espécies e inter-espécies, o uso de diferentes categorias percetivas dos gestos. Estes dados também permitiram ver a variação no uso destas categorias em função do sexo do emissor. Os dados relativos às crianças, resultantes de sessões de amostragem focal, permitiram ainda analisar a variação no uso das diferentes modalidades de gestos face à sensibilidade à audiência, a eficácia dos gestos relativamente à idade do recetor, e a variação destas categorias percetivas ao longo do tempo (8-10 meses e 11-12 meses). Foi encontrada a mesma dominância das categorias percetivas nas duas espécies: os gestos visuais foram os mais frequentes, seguidos pelos gestos tácteis e por fim pelos gestos auditivos. No grupo de chimpanzés foram os machos que gesticularam mais, enquanto que no grupo de crianças, foram as raparigas que executaram mais gestos, recorrendo bastante à modalidade visual, que contrasta com a preferência pela modalidade táctil usada mais pelos rapazes. Tal como seria expectável, os gestos visuais das crianças foram usados quando o recetor se encontrava no campo de visão, e as modalidades auditiva e táctil mais usadas quando o recetor não se encontrava no campo de visão do emissor. Ao contrário do previsto, os gestos foram mais vezes compreendidos como atos comunicativos quando eram dirigidos a outras crianças. Na amostra de grandes símios africanos analisados por Schneider et al. (2012), a modalidade táctil da primeira subclasse de idades (9-14 meses) foi sendo substituída por uma maior recorrência à modalidade visual na segunda subclasse de idades (15-20 meses). O mesmo não se verificou nas subclasses de idades analisadas na amostra de crianças (8-10 meses; 11-12 meses), uma vez que não houve diferenças significativas relativas à dominância das categorias percetivas. Apesar dos gestos dos humanos diferirem dos gestos dos chimpanzés em alguns aspetos, as semelhanças encontradas nos sinais comunicativos entre duas espécies próximas podem sugerir a sua presença num ancestral comum. Estes resultados corroboram a hipótese gestual da teoria da linguagem, não excluindo a hipótese multimodal em que a linguagem evolui tanto do domínio gestual como vocal. De um modo geral, observou-se uma continuidade na preferência pelos canais percetivos usados na comunicação gestual na primeira fase de vida dos chimpanzés, e numa fase pré-verbal das crianças em que são os gestos o meio de comunicação predominante.
Descrição: Dissertação de mestrado, Ciência Cognitiva, Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, Faculdade de Letras, Faculdade de Medicina, Faculdade de Psicologia, 2014
URI: http://hdl.handle.net/10451/17834
Designação: Mestrado em Ciência Cognitiva
Aparece nas colecções:FP - Dissertações de Mestrado

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