Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/18023
Título: O regresso à vida quotidiana após experiência de uma situação-limite
Autor: Rebelo, Maria Teresa dos Santos
Orientador: Botelho, Maria Antónia Rebelo, 1955-
Palavras-chave: Cuidados de enfermagem
Situação clínica
Sobrevivência
Vida quotidiana
Fenomenologia existencial
Data de Defesa: 2015
Resumo: Neste estudo tentamos compreender a experiência vivida do regresso à vida quotidiana nos adultos confrontados com uma situação—limite. A experiência da possibilidade concreta e próxima da fini¬tude é um processo presente na resposta humana face à disrupção de uma doença grave vivida como situação—limite. Possibilita compreender os processos que transformam os fracassos, a insuficiên¬cia, a impotência, a inquietação e o sofrimento associados à experiência de morte em processos de vida. Funda–se na conceção existencial da saúde, no quadro do cuidar enquanto dimensão vital do agir humano, nomeadamente quando o desafio é salvaguardar e mobilizar tudo o que faz viver e tornar possível a existência. Clarificar os processos experiênciais envolvidos na situação—limite, descrever a experiência vivida que circunscreve e pontua o trajeto de regresso à vida quotidiana, constituem os núcleos de sentido que importa desocultar para visualizar a estrutura do fenómeno. A abordagem fenomenológica permitiu o acesso à narrativa da experiência vivida do regresso à vida quotidiana. São os momentos experiênciais — o modo como o sujeito com eles se relaciona, os vive no seu próprio corpo e os inscreve na gramática da sua existência — que determinam os núcleos de sentido que os recortam como possibilidades analíticas no contexto deste estudo. O acontecimento é abrupto. É uma situação ameaçadora para a pessoa, pelo sofrimento, mal—estar e estranheza vividas subitamente e expressas no corpo, agora foco de toda a atenção. O corpo é obje¬to fora de si, revelando a divisão corpo—consciência. A situação não é alterável, só pode ser vivida. O acontecimento que a inaugura não é vivido como doença mas como luta entre a morte e a vida, procurando, cada participante, significado e sentido no contexto da sua existência. É uma ameaça à sobrevivência concreta, ao corpo físico, biológico nas suas funções vitais. Nesta perspetiva o re¬gresso à vida quotidiana, à sua existência no (seu) mundo é visto como um “duro” trabalho de so¬breviver ao combate que iniciou, e, sendo solitário, carece da presença e acompanhamento de outro (s). É um trabalho de transformação de si – tornar–se outra, melhor pessoa. Num primeiro tempo é o trabalho para se libertar da doença no corpo a que se sucede o trabalho, silencioso e longo de se libertar da doença na sua vida o que se traduz em confiar no corpo que se é e “largar as rotinas da doença, entrar no circuito da vida diária, é isto que melhor caracteriza a vida e a sentirmo–nos saudáveis nela”.
In this study we try to understand the experience of the return to everyday life of adults faced with a limit-situation. The experience of the concrete possibility and close to finitude is a process present in the human response facing the disruption of a serious illness lived as a limit-situation. It allows for the understanding of the processes that change the failures, insufficiency, impotency, unrest and suffering associated with the death experience in life’s processes. It is based in the health existen¬tial concept within the framework of caring as a vital dimension of human behaviour, namely when the challenge is to safeguard and activate all that makes living and existence possible. To make clear the experienced processes involved in the limit-situation, to describe the lived circumscribed ex¬perience and punctuating the return path to everyday life, constitute the meaning units that must be unveiled in order to see the structure of the phenomenon. The phenomenological approach has permitted access to the narration of the lived experience of returning to everyday life. The mean¬ing units are determined by the experienced moments – the way the subject relates to them, lives them in its own body and inscribes in the grammar of his/her existence – that trace them as ana¬lytical possibilities in the context of this study. The event is abrupt. It is a threatening situation for the person due to the suffering, unease and strangeness experienced suddenly and expressed in the body, now the focus of all attention. The body is an object outside oneself, revealing the division body-consciousness. The situation is not modifiable, it can only be experienced. The event it trig¬gers is not lived as an illness but as a struggle between death and life, each participant searching for meaning and reason in the context of existence. It is a threat to concrete survival, to the physi¬cal body, biologic in its vital functions. In this perspective, the return to everyday life, its existence in (his/her) world is seen as a “hard” work of surviving the fight it has begun, and, as it is solitary work, it lacks the presence and companionship of others. It is a transformation work of the self – to become another, better person. At first it is the work of delivering oneself from the disease in the body which is followed by silent and long work of freeing the disease from life which in turn trans¬lates into trusting the body that you are and “drop the illness’s routines, enter the everyday life circuit, and this is what best characterizes life and feeling healthy within it”.
Descrição: Tese de doutoramento, Enfermagem, Universidade de Lisboa, com a colaboração da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, 2015
URI: http://hdl.handle.net/10451/18023
Designação: Doutoramento em Enfermagem
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