Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/18230
Título: Programa de headstarting de Emys orbicularis em Portugal: avaliação da qualidade dos juvenis
Autor: Carvalho, Ana Margarida Subtil de, 1985-
Orientador: Rebelo, Rui Miguel Borges Sampaio e, 1969-
Azevedo, Fábia
Palavras-chave: Répteis
Tartarugas de água doce
Conservação ex-situ
Teses de mestrado - 2015
Data de Defesa: 2015
Resumo: O Cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis) está classificado em Portugal com estatuto de “Em perigo”. No âmbito do projecto LIFE+Trachemys “Estratégias e técnicas demonstrativas para a erradicação de cágados invasores” (LIFE09 NAT/ES/000529), iniciou-se pela primeira vez em Portugal um programa de headstarting para esta espécie, sendo o Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens (RIAS) um dos responsáveis por esta acção. Neste sentido, torna-se fundamental perceber qual a influência que os métodos adoptados para a incubação e criação em cativeiro poderão ter na condição dos indivíduos, o que terá importância para a sua sobrevivência na natureza após libertação. O objectivo deste estudo foi comparar as condições morfológicas e de performance dos animais nascidos em cativeiro com a de animais nascidos no estado selvagem, bem como avaliar se as condições dos primeiros se mantêm após seis meses de cativeiro. As fêmeas grávidas foram capturadas e mantidas em instalações próprias até à postura dos ovos, que foram incubados em condições seminaturais (numa zona exposta às condições climáticas exteriores, numa área com cerca de 50% de exposição solar, 40% de sombra, 10% de água, e alguma vegetação rasteira) em que apenas a humidade do solo foi regulada. Estudaram-se três grupos diferentes de indivíduos. Os neonatos nascidos em cativeiro durante o Inverno de 2013 (N=18), os neonatos que emergiram na primavera na natureza (N=12), e ainda os indivíduos do primeiro grupo, mas mais tarde, com cerca de 6 meses de idade. Além das análises morfológicas realizaram-se dois testes de performance locomotora: (1) Reposicionamento (tempo que o indivíduo demora a voltar à posição normal, quando colocado de carapaça para baixo) e (2) Corrida (avaliando o tempo de reacção para fuga e as velocidades atingidas), ao nono e décimo dias de jejum, com dois ensaios a cada dia. Não se encontraram quaisquer perturbações no desenvolvimento e crescimento dos neonatos e juvenis, sustentado pelas taxas de crescimento e dimensões corporais adequadas para a espécie. O tipo de locomoção mais frequente foi a intermitente, provavelmente para recuperação de resistência física e detecção de estímulos externos. Observou-se a existência de aprendizagem ao longo dos ensaios, para ambos os grupos de neonatos, no entanto sem indícios de habituação/domesticação. No geral, não se encontram diferenças de qualidade entre os grupos de neonatos. As medidas relativas de velocidade e de orientação mantiveram-se ao fim de seis meses independentemente dos factores morfológicos, sugerindo a existência de uma componente genética forte para a performance individual. A curto e a médio-prazo apenas essas medidas de performance relativas à corrida foram repetíveis, indicando que esta será um índice mais fidedigno que a reposição. Sem diminuir a importância e necessidade da coordenação com acções de conservação in situ, é possível concluir que o tipo de programa de headstarting aplicado pode ser considerado uma ferramenta de sucesso quando o intuito é aumentar populações em decréscimo numa determinada área e cuja conservação é essencial.
The European pond turtle (Emys orbicularis) is classified as Endangered (EN) in Portugal. For the first time in Portugal, during the LIFE+Trachemys project “Demonstration strategy and techniques for the eradication of invasive freshwater turtles” (LIFE09 NAT/ES/000529), there was a captive breeding program for E. orbicularis, being the Wildlife Rehabilitation and Investigation Centre of the Ria Formosa (RIAS) one of the responsible entities for this action. To understand the effects that the adopted incubation and subsequent rearing techniques may have on the hatchlings conditions is important when evaluating their survival prospects once released back in nature. The aim of this study was to compare the morphological and performance conditions of the animals born under captive breeding with that of the ones born in the wild, as well as the conditions of the former after six months of captive rearing. Pregnant females were captured and maintained in facilities until the eggs were laid. Those were incubated in semi-natural conditions (in an outdoors enclosure, in an area with about 50% of solar exposure, 40% of shadow, 10% standing water and some shrubs) in which only the soil humidity was regulated. Three different groups of individuals were studied. First, the hatchlings born in captivity during the winter of 2013 (N=18), second the hatchlings born in nature during the 2014 spring emergence of 2014 (N=12), and finally the first group individuals, evaluated later, when they were 6 months old. In addition to the morphological analysis two performance tests were conducted: (1) Righting reflex (the time a hatchling placed on its back takes to right itself) and (2) Sprinting (the time during which the hatchling reacted and escaped, as well as the velocities it reached), at the ninth and tenth days of fasting, with two trials each day. No disturbances in the development and growth of the neonates and juveniles were found, supported by the suitable growth rates and body size for the species. The most frequent locomotion type was the intermittent one, probably for endurance recovery and detection of external stimuli. We observed the existence of learning throughout the trials, for both newborns groups, but no habituation/domestication signs. Overall, there were no quality differences between hatchling groups. Sprinting and orientation were repeatable after six months, with no correlations with individual morphology, suggesting a strong genetic component behind individual performance. Short and medium-term rank repeatability were only found for the measurements related to the sprint test, suggesting that sprint proxies might be more reliable then the righting ones. In spite of the importance and the need for coordination with in situ conservation actions, it is possible to infer that the applied headstarting program can indeed be considered a successful tool when the aim is to reinforce populations that are decreasing in a certain area in which conservation is crucial.
Descrição: Tese de mestrado. Biologia (Biologia da Conservação). Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, 2015
URI: http://hdl.handle.net/10451/18230
Designação: Mestrado em Biologia (Biologia da Conservação)
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