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Título: Integrating anthropic factors into wildcat Felis silvestris conservation in Southern Iberia landscapes
Autor: Ferreira, Joaquim Pedro Santos Mercês, 1969-
Orientador: Reis, Margarida Santos, 1955-
Revilla Sanchéz, Eloy
Palavras-chave: Gato doméstico
Gato bravo
Modelação ecológica
Ecologia trófica
Ecologia espacial
Leucemia felina (FeLV)
Imunodeficiência felina (FIV)
Teses de doutoramento - 2010
Issue Date: 2010
Resumo: The European wildcat Felis silvestris is a threatened species in Europe, where suitable management of forests has been considered crucial for its conservation. However, this recommendation may not be general due to the lack of studies that test this hypothesis in the Mediterranean area, where landscapes are very different from those of centralnorth Europe. Nowadays, the European wildcat is distributed in Europe in a number of fragmented populations threatened by destruction of their natural habitats, persecution and crossbreeding with free-ranging domestic feral cats. The conservation of wildcat in the constantly changing, human-altered landscapes of Southern Iberia requires therefore a clear understanding of the species limits and capabilities in these environments. My thesis focused on wildcat ecological requirements and constrains imposed by humanrelated activities. In natural areas the wildcat constrains are link to human actions and activities. First step was to build a model that incorporates the advantages of correlative and mechanistic models to develop large-scale determinants that express the local individual requirements for wide range wildcat distribution. The results obtained suggest the importance of small mammals as prey for the species, as well the negative influence of human disturbance. Human disturbance is reflected in changes in the land use, direct persecution and the expansion and dimension of domestic cat populations. The presence of domestic species in natural areas often represent a conservation problem due to competition with and predation of wild species, because they act as reservoirs for many diseases and even due to the potential hybridization with the wild ancestor types. The impact of domestic cats depends on where they can be found and on the factors controlling their numbers and space use. In this Thesis were described the patterns of presence, abundance, spatial behaviour and human constraints (food resources) associated to domestic cats. Human activities and domestic cat population structure, that implies different scenarios for wildcat conservation, were discussed in the last Chapter of this Thesis.
Nas últimas décadas verificou-se uma preocupação crescente com as questões ambientais globais, resultantes da degradação do meio ambiente, como consequência da utilização de práticas não sustentáveis no uso dos recursos naturais, levando à perda acelerada da diversidade biológica. Cerca de 44% de todas as espécies de plantas vasculares e 35% de todas as espécies de quatro grupos de vertebrados (anfíbios, répteis, aves e mamíferos), estão confinadas a 25 “hotspots” de biodiversidade que ocupam apenas 1,4% de toda a superfície da Terra. Entre estes “hotspots” está a bacia Mediterrânica, sendo parte significativa dessa área a metade sul da Península Ibérica. No Mediterrâneo, ocorrem 38 espécies de mamíferos, alguns endémicos com destaque para o lince Ibérico Lynx pardinus, o felino mais ameaçado do Mundo. Localizada na parte mais ocidental do Mediterrâneo, a Península Ibérica caracteriza-se por ter estações do ano bem marcadas, com verões quentes e secos, e invernos amenos e chuvosos. Em termos gerais, apresenta dois grandes planaltos no centro, dominados por agricultura extensiva de cereais, intercalados por manchas de vegetação esclerófita, constituídos na sua maioria por sistemas agro-florestais. No Norte e Noroeste da Península Ibérica, as florestas folhosas e mistas são a vegetação dominante, intercaladas por parcelas de pastagens, dando origem a uma diversificada comunidade de predadores e presas. O gradual desaparecimento da floresta original, substituída pelo aumento da área ocupada por matos e matagais, em combinação com a diversificação da paisagem ao longo do tempo, afectou não só a distribuição das espécies, mas também a sua diversidade genética. Durante a segunda metade do século XX, as áreas rurais da Península Ibérica sofreram uma emigração em massa para as cidades, com o abandono dos tradicionais usos agrícolas. A causa desse abandono foi a intensificação da agricultura em áreas planas, devido ao aumento da produtividade causada pela mecanização, uso de fertilizantes químicos e novos mecanismos de irrigação. Estas alterações levaram à redução da área de distribuição e efectivo populacional de numerosas espécies, algumas das quais se encontram actualmente distribuídas por populações fragmentadas e de pequena dimensão. Com uma ampla distribuição no passado o gato bravo Europeu Felis silvestris distribuía-se por todas as regiões florestadas da Europa, do Cáucaso e da Ásia. Actualmente ocorre em populações fragmentadas de Portugal, Espanha, França, Itália e Alemanha, Balcãs, Cárpagos, Cáucaso e Ásia, além de algumas populações insulares, na Escócia e Sicília. Por causa do declínio em várias áreas da sua distribuição na Europa, o gato bravo encontra-se limitado às zonas montanhosas de baixa e média altitude, com pouca perturbação humana, onde se encontra associado a ambientes florestais (zona Atlântica) ou com coberto arbustivo (zona Mediterrânea). Nas zonas Mediterrâneas da Península, as áreas de mosaico constituídas por um misto de pastagens intercaladas com manchas de matos, para além da grande disponibilidade de presas (especialmente coelho bravo Oryctolagus cuniculus) também proporcionam abrigo e refúgio. Apesar dos micromamíferos serem a base da alimentação do gato bravo na maioria da sua área de distribuição, em ambientes mediterrâneos são substituídos como presa-base pelo coelho bravo. De entre os factores de ameaça, para além daqueles que são comuns a outras espécies de carnívoros, como a perda de habitat, diminuição das populações presa, e perseguição humana através do controlo de predadores associado à actividade cinegética, acresce aqueles que têm que ver com a expansão das populações de gato doméstico Felis catus em áreas naturais. De facto, a hibridação introgressiva com o gato doméstico é referida como a mais grave ameaça à conservação do gato bravo. No entanto, e ao contrário de outras regiões da Europa, as populações de gato bravo na Península Ibérica apresenta baixos níveis de hibridação, conferindo-lhes um alto valor de conservação. A presença de gatos domésticos em áreas naturais muitas vezes representa um problema de conservação, também, devido à competição e predação de espécies selvagens, para além das suas populações funcionarem como reservatórios para muitas doenças. Sabendo que o sucesso do gato doméstico em colonizar novas áreas está associado à expansão humana, torna-se importante avaliar a relação entre o gato doméstico e o homem em áreas naturais importantes para a conservação do gato bravo, confrontando essa análise com o que se conhece da ecologia espacial e trófica do gato doméstico em toda a sua área de distribuição. Deste modo, esta Tese focou os requisitos ecológicos do gato bravo e os constrangimentos relacionados com a presença humana e as suas actividades, em quatro capítulos (Caps. 3, 4, 5 e 6) correspondentes a quatro artigos científicos. No capítulo 3, foi feita a avaliação dos principais descritores da distribuição de gato bravo em Espanha (uma vez que não existe informação em Portugal para se poder fazer essa análise). Para tal, foram construídos modelos para a zona Atlântica, Mediterrânica e Espanha Continental usando um conjunto de descritores baseados na informação a uma escala mais fina. De onde resultou que, os descritores mais relevantes para o gato bravo à escala mais fina mantêm-se à grande escala (Espanha), e em diferentes biomas: Atlântico e Mediterrâneo. O número de espécies de micromamíferos e a diferença de altitude (este descritor está indirectamente associado à ocupação humana) são as variáveis mais importantes para descrever a distribuição de gato bravo na Peninsula Ibérica. Nesta perspectiva, a presença humana é uma questãochave nas estratégias de conservação do gato bravo, o que justifica o investimento no conhecimento sobre as interacções entre os primeiros, os gatos domésticos e, consequentemente, os seres humanos. No capítulo 4, foi usada a informação da presença de gatos domésticos em 128 herdades da Zona Especial de Conservação de Moura- Barrancos para analisar os factores ambientais e humanos que afectam a presença e o número de gatos em cada herdade, com recurso à utilização de modelos lineares generalizados. Para além disso, foi feito o rádio seguimento de oito gatos domésticos (5 machos e 3 fêmeas), cuja informação relativa ao tamanho das suas deslocações diárias foi relacionado com um grupo de variáveis independentes (sexo, estação do ano, habitat, factores humanos) recorrendo à utilização de modelos generalizados mistos. Como resultados mais relevantes deste trabalho salienta-se a dependência do gato doméstico em relação à ocupação humana, estando a sua abundância associada aos recursos alimentares fornecidos pelas pessoas. Em relação à dimensão dos seus movimentos diários estes reflectem uma relação negativa com a presença de outros carnívoros, em particular com a raposa Vulpes vulpes. No capitulo 5, foi feita a análise ao conteúdo de 407 excrementos de Felis sp recolhidos em nove latrinas situadas no, e perto, do Sítio Moura-Barrancos, sendo as mesmas caracterizadas de acordo com a sua distância a casas. Com recurso a análise multivariada os excrementos foram agrupados com base na diferença dos itens que os constituem. Os restos da alimentação humana, associados aos excrementos recolhidos em latrinas perto de casas, e o consumo de coelho bravo, associado às latrinas afastadas de casas, deram o contributo mais significativo para a diferenciação dos grupos de excrementos. O mesmo tipo de abordagem e análise foi feita com recurso a uma revisão bibliográfica de estudos (n=57) sobre a ecologia trófica do gato doméstico no Mundo, que revelaram similitudes entre as zonas urbanas e naturais, em oposição às ilhas. Em ambas as análises, escala da área de estudo e mundial, ficou expressa a dependência do gato doméstico pelos recursos alimentares disponibilizados pelo homem. No capítulo 6, foram utilizados vinte cinco artigos publicados com informação sobre a prevalência de seis agentes virais (FcoV – Coronavírus Felino, FIV - Imunodeficiência Felina, FeLV – Leucémia Felina, FPV – Panleucopénia Felina, FCV - Calicivírus Felino e FHV – Herpesvírus Felino) nas populações de gato doméstico, gato bravo, gato do deserto Felis Margarita e o gato leopardo de Iriomote Felis irimotensis em trinta e seis áreas distribuídas por cinco continentes. Para entender a influência do ambiente (ilhas, áreas naturais, rurais e urbanas), da espécie, e da prevalência de cada um dos seis agentes virais na ocorrência de cada um dos seis vírus, foram utilizados modelos lineares generalizados, em que a variável dependente corresponde à presença/ausência de cada tipo de vírus por amostra. O ambiente e a espécie estiverem presentes nos melhores modelos para FIV, FCoV e FPV, enquanto a prevalência de outros vírus foi significante para os modelos de FeLV, FCV e FHV. A prevalência de FIV aparece correlacionada com a sociabilidade da espécie, com incidência para as zonas rurais e urbanas. A ocorrência de FIV e FeLV, que necessitam do contacto para a propagação, afecta a ocorrência de outros vírus. Finalmente, no capítulo 7 (discussão) faz-se um resumo das implicações para a conservação do gato bravo mediante vários cenários de ocupação humana em áreas naturais, de acordo com os impactos das suas actividades (agricultura, pecuária e cinegética) e presença /abundância de gatos domésticos.
Descrição: Tese de doutoramento, Biologia (Biologia da Conservação), Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, 2010
URI: http://hdl.handle.net/10451/2002
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