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http://hdl.handle.net/10451/2004
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| Title: | Measles virus : early infection, progression and pathogenesis in a transgenic mouse model |
| Authors: | Ferreira, Cláudia Sofia Antunes |
| Advisor: | Gonçalves, João, 1967- Cattaneo, Roberto |
| Keywords: | Microbiologia Doenças infecciosas - sarampo Teses de doutoramento - 2010 |
| Issue Date: | 2010 |
| Abstract: | O desenvolvimento de novas terapias, de vacinas e a aplicação dos
vírus no tratamento do cancro será melhor sucedido quanto mais
abrangente e aprofundado for o conhecimento da interacção entre o vírus
e o hospedeiro.
Esta tese tem como objectivo global compreender a interacção
entre o vírus do sarampo e o hospedeiro e as consequências dessa
interacção no tropismo e patogénese viral. Em particular, pretende-se
identificar as células alvo iniciais do vírus bem como as células responsáveis
pela disseminação do vírus no hospedeiro. Pretende-se ainda compreender
os mecanismos de atenuação do vírus atenuado do sarampo.
O vírus do sarampo é transmitido através de aerossóis e, apesar da
infecção ter início no aparelho respiratório, as células alvo iniciais do vírus
não são conhecidas. A partir do aparelho respiratório o vírus alcança os
orgãos linfáticos e inicia a replicação nos nódulos linfaticos que drenam o
aparelho respiratório.
Apesar de vários estudos terem sido desenvolvidos, a contribuição
da interacção entre os receptores e o vírus no tropismo viral e progressão
da infecção têm sido restringidos pela falta de um modelo animal
adequado. Os macacos são os únicos primatas não humanos que mostram
susceptibilidade ao vírus do sarampo. No entanto, o seu uso fica muito
limitado devido a questoes éticas e monetárias. O vírus wild type do
sarampo utiliza como receptor celular uma proteína expressa em células activadas do sistema imune denominada de molécula de sinalização de
activação linfocitária (SLAM, CD150). Com o objectivo de desenvolver um
modelo animal para o estudo da infecção pelo vírus do sarampo, ratinhos
transgénicos SLAMGe, ratinhos que expressam o SLAM humano (hSLAM),
foram cruzados com ratinhos que apresentam inactivação do gene que
codifica para o receptor do interferão tipo I, ratinhos Ifnarko, de forma a
permitir uma replicação do vírus mais eficiente. Os ratinhos resultantes do
cruzamento foram denominados ratinhos Ifnarko-SLAMGe. São deficientes
na produção de interferão tipo I e expressam hSLAM com um perfil de
expressão idêntico ao dos humanos. Estes ratinhos foram utilizados neste
estudo para caracterizar as células infectadas pelo vírus do sarampo
imediatamente após infecção respiratória bem como as células
responsáveis pela progressão e disseminação do vírus no hospedeiro.
Em primeiro lugar caracterizamos a expressão do hSLAM nos
ratinhos Ifnarko-SLAMGe. A expressão de hSLAM foi detectada em linfócitos
B e T extraídos do baço e em macrófagos produzidos a partir da medula
óssea, através de citometria de fluxo, após activação destas células ex vivo.
Uma vez que o linfonodo mediastinal foi previamente demonstrado ser
relevante na infecção pelo vírus do sarampo em ratinhos SLAM, estudamos
a expressão de hSLAM em células imunes provenientes do linfonodo
mediastinal de ratinhos Ifnarko-SLAMGe. Através de citometria de fluxo
demonstramos que os linfócitos B e T não activados provenientes do
linfonodo mediastinal expressavam baixos níveis de hSLAM.
Documentamos ainda que, mais células B do que células T expressavam hSLAM, como previamente demonstrado em tecidos linfáticos humanos.
Uma vez que SLAM é expresso em células imunes e não em células
epiteliais, as células imunes presentes nas vias respiratórias são candidatas
a células alvo para a replicação do vírus. Desta forma, analizamos a
expressão de hSLAM em células imunes provenientes dos pulmões do
ratinho Ifnarko-SLAMGe. Cerca de 9% de células B e 3% de células T
expressavam hSLAM nos pulmões do ratinho Ifnarko-SLAMGe e baixa
percentagem de macrófagos alveolares expressavam hSLAM.
De seguida, estes ratinhos foram inoculados via intranasal (IN) com
o vírus do sarampo wild type. Um vírus derivado da estírpe Ichinoise B e ao
qual foi adicionado o gene que codifica para a expressão da proteína verde
fluorescente, wtMVgreen. Vários orgãos foram recolhidos um, dois e três
dias após a inoculação e analizados para a expressão de proteína
fluorescente. Um dia após inoculação a replicação viral foi detectada nos
pulmões, e, de seguida, em vários orgãos do sistema linfático; inicialmente
no linfonodo que drena o aparelho respiratório, o linfonodo mediatinal, e
mais tarde em outros orgãos linfáticos, nomeadamente nos linfonodos
mandibular, inguinal e mesentérico, no baço e em células mononucleares
do sangue periférico.
Para responder à questão quais as células que sustentam a
replicação do vírus imediatamente após inoculação, os ratinhos foram
inoculados via IN com wtMVgreen; os pulmões e vários orgãos linfáticos
foram recolhidos e as células infectadas foram identificadas pela expressão
de proteína verde fluorescente através de citometria de fluxo. Os macrófagos alveolares foram identificados como as principais
células que sustêm a replicação do vírus do sarampo imediatamente após
inoculação respiratória. As células dendríticas foram 5 vezes menos
infectadas. Outras populações de células imunes foram infectadas em
menor extensão.
Apesar da expressão de SLAM pelos macrófagos alveolares ser
muito reduzida, 24 horas apos a infecção a expressão de SLAM aumentou
drasticamente; 0.86% de macrófagos alveolares expressava SLAM antes da
infecção, passando 16% a expressarem SLAM após a infecção. Este
resultado sugere que o vírus do sarampo utiliza um receptor celular que é
facilmente induzido nas células alvo, contribuindo assim para uma rápida e
eficiente disseminação no hospedeiro.
Dois dias após a inoculação IN o vírus propagou-se ao sistema
linfático sendo o linfonodo mediastinal o primeiro orgão linfático a ser
infectado e o que suportou título viral mais elevado. Através de citometria
de fluxo identificaram-se os linfócitos B e T como as principais células
infectadas bem como células dendríticas, pese embora em menor grau.
Por último, com o objectivo de compreender os mecanismos de
atenuação da estírpe do vírus usada como vacina do sarampo, foi
caracterizada a infecção e disseminação do vírus do sarampo atenuado,
denominado aqui de MVvac. Ratinhos Ifnarko-SLAMGe foram inoculados
com MVvac pela via de infecção intraperitoneal (IP) e o título viral foi
determinado em vários orgãos linfáticos (nomeadamente nos linfonodos
mandibular, mediastinal, mesentérico e inguinal e no baço). A replicação do vírus atenuado nos orgãos do ratinho foi muito baixa comparada com a
replicação do wild type. Três dias após inoculação, o orgão que apresentou
um título viral mais elevado foi o linfonodo mediastinal seguido do
linfonodo mesentérico e do baço. A replicação nos linfonodos mandibular e
inguinal ficou aquém do limite de detecção. Apesar de o linfonodo
mediastinal ser o orgão linfático onde o vírus mais eficientemente se
replicou a replicação neste linfonodo pelo MVvac foi cerca de 100 vezes
inferior à replicação pelo vírus wild type. De seguida, as células que
sustentam a replicação deste vírus bem como do wild type foram
identificadas. Um e três dias após a infecção, o linfonodo mediastinal e o
baço foram recolhidos e secções destes orgãos foram analisadas através de
microscopia confocal. Um dia após inoculação, ambos os vírus infectaram
uma população de macrófagos presente na região subcapsular dos
linfonodo e na zona marginal do baço, denominados macrófagos do seio
subcapsular (macrófagos SSC). Após uma primeira interacção com os
macrófagos, foi observada uma disseminação generalizada do vírus do wild
type nos folículos do linfonodo bem como na polpa branca do baço. Em
contraste, quando os ratinhos foram inoculados com um vírus do sarampo
atenuado, apesar de o vírus ser encontrado na região subcaspular do
linfonodo e zona marginal do baço no primeiro dia após infecção,
colocalizando com os macrófagos SSC, esta infecção inicial não foi seguida
de infecção massiva das células linfáticas nestes orgãos. O vírus foi
eliminado, observando-se apenas alguma replicação no linfonodo
mediastinal e baço mas inferior à replicação pelo wild type. Ainda com o objectivo de esclarecer o mecanismo de atenuação do
vírus do sarampo atenuado caracterizamos a replicação de um virus wild
type com uma substitução de um aminoácido na proteína hemaglutinina.
Esta mutação, asparagina por tirosina, no aminoácido 481 na proteína
hemaglutinina (N481Y), está presente em todas as estirpes atenuadas do
vírus do sarampo mas não no vírus wild type. Esta substituição introduzida
no genoma do vírus wild type permite ao vírus, que apenas usa o SLAM
como receptor celular, passar também a utilizar o receptor CD46. O
receptor CD46 ou cofactor proteico membranar (MCP) é expresso em
todas as células nucleadas do corpo humano. Todas estirpes atenuadas do
vírus do sarampo para além de SLAM utilizam o CD46 como receptor
celular. Para aceitar ou revogar a hipótese de que esta mutação presente
no vírus atenuado pode afectar o fitness do vírus, introduzimos esta
mutação num vírus wild type, denominado aqui wtMVN481Y e
comparamos a replicação in vivo deste vírus com um vírus wild type
original, wtMV. Para tal, ratinhos Ifnarko-SLAMGe forma inoculados via IP
com wtMVN481Y ou wtMV. Três dias após inoculação, o título do vírus foi
determinado em vários linfonodos e no baço. Demonstramos que esta
mutação não afecta a replicação nem o tropismo do vírus uma vez que não
se verificaram diferenças relevantes na replicação dos vírus nos diferentes
orgãos. De seguida, para compreender se a interacção com o receptor
CD46 para além do SLAM afecta a replicação e disseminação do vírus,
obtivemos ratinhos transgénicos que expressam o CD46 humano (hCD46)
para além do hSLAM, aqui denominados de ratinhos Ifnarko-CD46Ge SLAMGe. Inoculamos ratinhos Ifnarko-CD46Ge-SLAMGe e ratinhos Ifnarko-
SLAMGe com o vírus wtMVN481Y e comparamos a replicação e
disseminação deste vírus em vários orgãos linfáticos destes ratinhos. Não
foram encontradas diferenças significativas na replicação e tropismo deste
vírus o que sugere que o uso do receptor CD46 é pouco relevante na
atenuação do vírus do sarampo.
Este estudo demonstra que os macrófagos e as células dendríticas
são as células alvo iniciais do vírus do sarampo e que podem estar
envolvidas na rápida disseminação do vírus para outras células imunes no
organismo. Demonstra-se ainda que, os macrófagos como células alvo
iniciais, aliado à baixa replicação do vírus do sarampo atenuado parecem
desempenhar um papel importante na atenuação deste vírus. O uso do
receptor CD46 parece ser pouco relevante no mecanismo de atenuação do
vírus. Para além disso, a linha de ratinhos transgénicos que expressam o
receptor hSLAM são uma peça chave no estudo das fases iniciais de
infecção do vírus do sarampo. Measles virus (MV) is one of the most infectious viruses but several
aspects of MV biology and pathogenesis remain poorly understood. The
virus is transmitted by aerosol droplets and initial infection is believed to
occur in the upper airways but the cells that support early infection and
viral spread throughout the body are not well defined. As wild type MV
(wtMV) enters cells through SLAM but not CD46 receptor, we generated a
transgenic mice expressing human SLAM (hSLAM) and used these mice to
identify the cells supporting primary MV infection. We first characterized
hSLAM expression in immune cells of these mice by flow cytometry. We
documented hSLAM expression in resting B and T cells in the mediastinal
lymph node (LN) and in B and T cells and in a small fraction of alveolar
macrophages (AM) collected from the lungs. Next, we inoculated these
animals intranasally and assessed viral infection in the nasal associated
lymphoid tissue, lungs, several LN, spleen and thymus. One day post
inoculation (p.i.), viral replication was documented in the lungs; the AM
and dendritic cells (DC) were the main infected cells. It was observed that
MV infection temporarily enhanced hSLAM expression in AM. From the
lungs, infection spread to all lymphatic organs and in particular to the
mediastinal LN. This LN supported high levels of infection upon IN and
intraperitoneal inoculation. Finally, to understand the mechanisms of MV
vaccine attenuation, we compared the spread of wtMV with that of a
vaccine strain (MVvac) in Ifnarko-SLAM mice. One day p.i. MV was detected in the subcapsular macrophages in the mediastinal LN. Three days later,
the wtMV spread to hSLAM expressing leukocytes whereas the MVvac was
cleared. As the wtMV does not enter cells through CD46 receptor but the
attenuated strain does, we compared the replication of a wtMV carrying a
mutation in the hemagglutinin protein allowing CD46 usage. CD46 usage
seems to have no relevant effect on MV attenuation. Thus, SLAM
expressing mice allowed characterization of the early steps of MV
infection. The alveolar macrophages and dendritic cells are the key players
in MV infection and propagation. |
| Description: | Tese de doutoramento, Farmácia (Microbiologia), Universidade de Lisboa, Faculdade de Farmácia, 2010 |
| URI: | http://hdl.handle.net/10451/2004 |
| Appears in Collections: | FF - Teses de Doutoramento
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