Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/20201
Título: O ideal da morte estóica : dignidade e opróbrio na obra de Séneca
Autor: Duarte, Ricardo, 1984-
Orientador: Pimentel, Maria Cristina, 1954-
Palavras-chave: Séneca, 0004 a.C.- 0065 - Crítica e interpretação
Séneca, 0004 a.C.- 0065 - E a morte
Estoicismo
Literatura latina - História e crítica
Teses de doutoramento - 2015
Data de Defesa: 2015
Resumo: Desde os alvores dos tempos terá a morte figurado como um dos maiores enigmas que ao homem se deparam. Começaremos por ver as principais reflexões que a sua realidade iniludível suscitou ao longo da Antiguidade Clássica, centradas, sobretudo, numa perspectiva metafísica (Homero e Platão), numa perspectiva niilista (Lucrécio), ou numa perspectiva conciliatória (Cícero); para, na segunda parte, nos ocuparmos do pensamento e obra de Séneca, em que a problemática da morte é central. Dado que a hipótese de um além era, para Séneca, pouco provável e despicienda, a morte devia ser a bússola moral a orientar o Homem em vida e a conduzi-lo o mais próximo possível da meta, longínqua, do sapiens estóico. Poucos eram os que chegavam perto, mas nesses havia dignidade. Pelo contrário, muitos eram os que claudicavam, alguns bem no início da viagem, outros constantemente ao longo do percurso – em uns e outros distingue-se a mácula do opróbrio. A prosa de Séneca está cheia de exemplos de dignidade e de opróbrio perante a reflexão casual sobre a morte ou, de modo mais veemente, perante a iminência da morte. Nos seus tratados, deparamos com diversas figuras, históricas, do dia-a-dia, mitológicas, cujas atitudes em relação à morte dão forma a uma série de categorias moralmente irrepreensíveis (serenidade ante a morte, morte heróica, controle do desgosto pela morte de entes queridos…) ou, pelo contrário, condenáveis (conservar a vida a qualquer custo, a morte como consequência do jugo dos affectus, indignidade no luto pela morte de parentes e amigos…). Essas mesmas categorias são identificáveis no teatro de Séneca, protagonizado por personagens que, apesar de fictícias, têm, na dignidade e no opróbrio, tanto de humano quanto os homens históricos e reais que, na sua maioria, povoam a prosa de Séneca, demonstrando que a sua obra é una no sentido de uma antropologia literária direccionada para a parénese estóica.
Since the dawn of time death has figured as one of the greatest enigmas that man will face. This thesis will begin by looking at the main standpoints from which this inescapable reality was viewed in Greco-Roman Antiquity, focusing, above all, on a metaphysical perspective (Homer and Plato), a nihilistic perspective (Lucretius), and a conciliatory perspective (Cicero); in the second part, I will analyze the thought and work of Seneca, in which the problem of death is central. Since the prospect of life after death was an unlikely and insignificant hypothesis for Seneca, death should be the moral compass to guide man in life, and bring him as close as possible to the distant target of the Stoic sapiens. Few were those who came close, and those had dignity. On the contrary, many were those who went limping, some at the very beginning of the journey, others constantly along the way – in both we distinguish the taint of shame. Seneca’s philosophical prose is full of examples of dignity and shame before the casual reflection on death or, more vehemently, before its imminence. In his treatises, we find several figures, historical, contemporary and mythological, whose attitudes to death form a series of morally blameless examples (serenity before death, heroic death, controlled grief for deceased loved ones...) or, conversely, morally reprehensible examples (preservation of life at all costs, death resulting from the yoke of affectus, indignity in mourning the death of relatives and friends...). These examples are identifiable in Seneca’s plays, which feature characters who, although fictional, display the same humanity, concerning dignity and shame, as the historical and real men that mostly populate the Seneca’s philosophical prose, demonstrating that his works are unified as a literary anthropology directed toward Stoic paraenesis.
Descrição: Tese de doutoramento, Estudos Clássicos (Literatura Latina), Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, 2015
URI: http://hdl.handle.net/10451/20201
Designação: Doutoramento em Estudos Clássicos
Aparece nas colecções:FL - Teses de Doutoramento

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