Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/20777
Título: Complexity leardership theory and its impact on team effectiveness : cohesion as a key mechanism
Autor: Leitão, Paulo Alexandre Mendes
Orientador: Curral, Luís, 1963-
Palavras-chave: Coesão
Desempenho
Liderança
Teses de mestrado - 2015
Data de Defesa: 2015
Resumo: Tradicionalmente, a liderança era entendida como um conjunto de traços ou comportamentos de um único individuo, que lhe permitiam exercer autoridade e controlo sobre as acções de outros indivíduos ou grupos. Contudo, um ambiente de crescente competitividade e complexidade torna inviável a simples percepção de liderança como sendo da responsabilidade de um único indivíduo. Na verdade, esta necessita de ser vista como um processo emergente que envolve a interacção entre diversas forças, representadas e exibidas por diversos indivíduos em simultâneo (Livingstone & Lusin, 2009; Uhl-Bien, Marion & McKelvey, 2007). No seguimento desta linha de pensamento surge a Teoria da Liderança na Complexidade (CLT), a qual propõe que o “entrelaçar” de três funções de liderança -administrativa, adaptativa e enabling -, resulta numa melhor adaptação a realidades complexas e incertas. Este “entrelaçar” permitiria essa melhor adaptação, ao criar as condições propícias para fomentar as dinâmicas de aprendizagem criativas dos sistemas de adaptação complexos dentro das estruturas de controlo formais de uma organização, permitindo a introdução de ideias inovadoras e adaptativas, enquadras na visão e missão organizacional (Uhl-Bien et al., 2007). Para conseguir tal “entrelaçar”, três funções de liderança organizacional teriam de estar sempre presentes, mesmo que a sua intervenção não seja directamente visível. A primeira função, apelidada de função administrativa ou formal, consiste numa visão mais convencional de liderança, representando as estruturas mais hierárquicas e burocráticas da organização, estando focada no controlo das acções dos indivíduos, procurando o seu alinhamento face à visão e estratégia organizacional (Livingston & Lusin, 2009; Uhl-Bien et al., 2007). A segunda função, apelidada de função adaptativa, apresenta-se como a representante dos sistemas de adaptação complexos, enquadrando dinâmicas colectivas que despoletariam actividades de mudança e adaptação através da interacção entre diversos agentes (Livingston & Lusin, 2009; Uhl-Bien et al., 2007; Uhl-Bien & Marion, 2009). Por último, e talvez a mais importante função para a ocorrência de um correcto “entrelaçar”, encontrar-se-ia a função enabling. Esta função, ao procurar facilitar a comunicação e a transferência de conhecimentos entre as diferentes funções em coexistência, geraria um ambiente seguro para a função adaptativa ao procurar assegurar que esta serve os objectivos e a missão da liderança administrativa, e, auxiliaria a função administrativa na incorporação dos produtos e ideias inovadoras criadas pela liderança adaptativa na estrutura formal da organização (Uhl-Bien & Marion, 2009). Como tal, a função enabling age como o gestor do interface entre as funções administrativas e adaptativas, actuando como força motora do “entrelaçar” existente (Livingston & Lusin, 2009). Desta forma, os comportamentos enquadrados na função de liderança enabling – que podem ser exibidos em simultâneo por diferentes agentes organizacionais – promoveriam o “entrelaçar” de forças administrativas e adaptativas, impedindo a passagem de ideias destrutivas capazes de danificar a organização/equipa, e, permitindo a introdução de resultados adaptativos que são significativos e tem impacto (i.e. que são úteis e aos quais os membros aderem) (Livingston & Lusin, 2009; Uhl-Bien et al., 2007). Tal “entrelaçar” permitiria, deste modo, uma melhor adaptação a realidades complexas e incertas. Contudo, os mecanismos que suportam tal adaptação continuam por explorar. O presente estudo procura expandir o actual conhecimento ao explorar como os comportamentos exibidos no âmbito da liderança “enabling”, podem afectar a eficácia das equipas, em particular, através do seu impacto no estado emergente da coesão. Este estado foi escolhido por constituir um aspecto chave para um trabalho de equipa eficaz (Hackman, 1987; Lahiguera, Abad & Peiró Silla, 2009; Salas, Grossman, Hughes, & Coultas, 2015; Wendt, Euwena & Emmerick, 2009), ao existir um vasto leque de literatura a suportar a existência de uma relação positiva entre a coesão e a performance de equipas (Beal, Cohen, Burke & McLendon, 2003; Castaño, Watts & Tekleab, 2013; Mullen & Copper, 1994), onde o efeito parece derivar, primariamente, da sua componente de tarefa, em detrimento da sua componente social (Mullen & Copper,1994). Tendo tal aspecto em consideração, o presente estudo focou apenas a componente da coesão de tarefa, a qual se refere a uma atracção e compromisso partilhado em prol do término da tarefa do grupo (Beal et al., 2003; Carron, Widmeyer & Brawley, 1985; Fullagar & Egleston, 2008; Zaccaro, 1991), e a qual permitiria a utilização dos recursos do grupo de uma forma mais eficiente, resultando numa melhor performance. Adicionalmente, a coesão de tarefa mostra ainda possuir ligações com o conceito de viabilidade de equipa, se considerarmos que a atracção face aos resultados e à própria tarefa de uma equipa resultará num esforço contínuo para a resolução e conclusão de tal tarefa, aumentando a percepção da capacidade dessa equipa para trabalhar de forma eficaz no futuro (Bell & Marentette, 2011), fazendo com que os membros da equipa desejem permanecer juntos enquanto unidade de trabalho. Este dado é particularmente importante se considerarmos, como Hackman (1987), que a performance e os resultados quantitativos de um grupo não resumem o conceito de eficácia de equipa, já que, se a integridade do grupo enquanto unidade for destruída durante a procura de tais resultados, será difícil argumentar que tal equipa agiu como uma unidade eficaz. Desta forma, e no âmbito deste estudo, a eficácia das equipas possuirá dois componentes fulcrais em análise, a performance objectiva, e, a viabilidade da equipa. De forma sintética, o modelo proposto defende que os comportamentos exibidos pela liderança enabling, ao criarem soluções às quais os membros aderem, resultariam numa maior atracção e compromisso face à implementação dessas soluções, tendo um impacto positivo no estado emergente da coesão de tarefa. Em simultâneo, devido a estas soluções serem úteis face à tarefa em causa, trazendo inovações com impacto, os mesmos comportamentos teriam uma influência positiva nos resultados e na performance objectiva da equipa. De forma semelhante, estes mesmos comportamentos, ao impedirem a passagem de ideias destrutivas capazes de danificar a organização, previnem a implosão da própria equipa, assegurando a sua continuidade ao longo do tempo, possuindo um impacto positivo ao nível da viabilidade das mesmas. Por último, e de forma adicional, se considerarmos a expectável influência da coesão de tarefa nas variáveis de performance objectiva e viabilidade da equipa - pelos motivos explorados anteriormente - é ainda possível que os comportamentos da liderança enabling afectem a eficácia das equipas indirectamente através do mediador da coesão de tarefa, ao resultar num maior compromisso face às soluções desenvolvidas pela equipa. De forma a testar este modelo, 200 participantes foram divididos em 40 equipas de cinco elementos, sendo-lhes pedido para executar uma tarefa de simulação de 12 minutos no jogo electrónico SimCity4 Deluxe Edition (EA Games, 2004), recorrendo a uma de quatro cidades diferentes, seleccionada aleatoriamente. Este jogo foi escolhido dada a sua utilização prévia no estudo de equipas de trabalho (Randall, Resick e DeChurch, 2011; Resick et al.2010), e dada a existência de Sims na população, os quais, ao interagirem com as escolhas e decisões do mayor, originam fenómenos interdependentes, criando um ambiente de complexidade emergente, ainda que limitada pelo código do próprio jogo (Devisch, 2008). Antes da execução da tarefa, os participantes respondiam a um conjunto de questões de natureza demográfica, respondendo ainda a duas questões adicionais, uma relacionada com a experiência prévia no jogo – a qual poderia influenciar a performance final da equipa –, e outra relacionada com a familiaridade com os restantes membros da equipa – a qual poderia afectar o estado emergente da coesão. Terminada a tarefa de simulação, era pedido aos participantes para, individualmente, preencherem um conjunto de questionários, que incluíam a escala de liderança na complexidade (Gomes, Mendes, Marques-Quinteiro, Lind & Curral, 2015), quatro questões da versão portuguesa da escala de Coesão de Equipas (Marques-Quinteiro, Passos, Curral & Rico, 2013), e quatro questões da versão portuguesa da escala de viabilidade de equipas (Costa, Passos, Barata, 2015). Adicionalmente, era ainda retirado do próprio jogo informações sobre o lucro final da equipa, as quais representariam a variável da performance objectiva. Após a recolha de todos os dados, recorreu-se aos indicadores Rwg(j) (James, Demaree, & Wolf, 1984) e ICC(1) e ICC(2) (Bliese, 2000) para testar a possibilidade de agregação dos dados ao nível da equipa. Tendo-se encontrado valores adequados para os diferentes indicadores, realizou-se a agregação dos dados, tendo-se efectuado o teste das hipóteses por recurso à média de resultados obtidos por cada equipa nas diferentes escalas em avaliação. De forma a testar o modelo proposto, adoptou-se a metodologia desenvolvida por Preacher & Hays (2004;2008) para a estimação dos efeitos indirectos em modelos de mediação simples. Ao utilizar o INDIRECT para o SPPS realizou-se a estimação dos efeitos totais, directos e indirectos de uma variável independente – CLT enabling – em duas variáveis dependentes – performance objectiva e viabilidade – através de uma proposta variável mediadora – coesão de tarefa. Os resultados obtidos demonstram que os comportamentos exibidos no âmbito de uma liderança enabling influenciam o “entrelaçar” de forças, contribuindo para a coesão de tarefa, que, por sua vez, leva a uma maior viabilidade da equipa, ainda que não resulte num desempenho objectivo mais eficaz. De facto, nem a própria coesão de tarefa mostrou possuir uma relação com a performance objectiva da equipa, apesar da vasta literatura a suportar tal relação (Beal, Cohen, Burke & McLendon, 2003; Castaño, Watts & Tekleab, 2013; Mullen & Copper, 1994). Tal pode denotar a existência de alguma falha metodológica ao nível da medição da performance objectiva da equipa. De forma a contornar este problema, argumenta-se a adopção do método time-series para efectuar a medição da performance da equipa em estudos futuros. Adicionalmente, é ainda proposto como alternativas para o futuro o aprofundar das relações encontradas através do uso de Social Network Analysis, ou a adopção de um estudo longitudinal que analise as diferentes flutuações ao nível do “entrelaçar” de funções e do estado emergente de coesão, ou ainda, a tentativa de generalização das relações encontradas através do seu estudo em equipas virtuais, dada a sua adopção enquanto estratégia para enfrentar a crescente complexidade organizacional, e as características e dificuldades específicas enfrentadas por tais equipas. Em suma, e na prática, equipas confrontadas com tarefas e ambientes complexos, ao “entrelaçarem” os seus comportamentos através de uma facilitação da comunicação entre os seus membros (enabling) e, estando focadas e comprometidas com a sua tarefa (coesão), irão criar a percepção de que a equipa é capaz de colaborar eficazmente em tarefas futuras, aumentando a retenção dos seus elementos (viabilidade).
Complexity leadership theory (CLT) proposes that enabling leadership behaviors promote the entanglement between administrative and adaptive forces, which, allows for a better adaption in complex and uncertain realities. However, the particular mechanisms that support this adaption are still unknown. The present study throughout the use of a simulation task based on the SimCity pc game, intends to analyze how this specific framework affects teams emergent states and their effectiveness. The results show that enabling leadership can help build team cohesion, and through that improve team viability, despite not having an effect upon a team’s objective performance. In practice, teams confronted with complex tasks and environments will, through the use of enabling leadership behaviors and, cohesion, create the perception that the team is capable of performing effectively in future tasks, retaining its members.
Descrição: Tese de mestrado, Psicologia (Secção de Psicologia dos Recursos Humanos, do Trabalho e das Organizações), Universidade de Lisboa, Faculdade de Psicologia, 2015
URI: http://hdl.handle.net/10451/20777
Designação: Mestrado em Psicologia
Aparece nas colecções:FP - Dissertações de Mestrado

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