Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/20855
Título: Effects of seasonality on the responses of neotropical bats to local- and landscape-scale attributes in a fragmented landscape
Autor: Ferreira, Diogo Filipe Angelo
Orientador: Meyer, Christoph
Rocha, José Ricardo Teixeira
Palavras-chave: Morcegos
Fragmentação
Sazonalidade
Estrutura da paisagem
Estrutura da vegetação local
Teses de mestrado - 2015
Data de Defesa: 2015
Resumo: Nos trópicos, o acréscimo da desflorestação está a originar paisagens compostas por fragmentos de pequenas dimensões de floresta natural (floresta primária) circundada por uma matriz de habitat modificado. A sazonalidade nos trópicos é marcada por diferenças na precipitação, sendo que estas diferenças entre a estação seca e húmida podem levar a alterações na produtividade primária, no crescimento e nos padrões de frutificação e floração de algumas plantas tropicais. Estas mudanças na produção primária podem provocar oscilações na disponibilidade de recursos, afetando a presença e a abundância não apenas de espécies frugívoras e nectarívoras, mas também de espécies insectívoras. Quando a sazonalidade atua conjuntamente com a fragmentação, os impactos da última sobre a biodiversidade podem ser agravados. Isto acontece porque as flutuações naturais na disponibilidade de recursos podem ser alteradas tanto por diferenças nas condições microclimáticas nas bordas dos fragmentos como pela matriz de habitat modificada ação humana. Adicionalmente, a fragmentação pode ainda impedir migrações sazonais e diminuir o acesso a recursos essenciais, impedindo o acesso a recursos (alimento e abrigo) necessários durante e.g. as épocas de reprodução. Os morcegos são considerados um grupo de grande interesse para o estudo dos impactos da fragmentação nos Neotrópicos, este facto deve-se à sua grande abundância, riqueza específica, diversidade ecológica, mobilidade e importância como bioindicadores. O voo dota os morcegos de uma maior capacidade de deslocação em paisagens fragmentadas do que outros grupos faunísticos menos móveis. No entanto, devido a diferenças nas características biológicas e ecológicas entre espécies, as respostas a estas perturbações são muito variáveis. Estas diferenças interespecíficas, i.e. nos hábitos alimentares, são afetadas pela sazonalidade, influenciando a forma como diferentes espécies respondem às características de composição e configuração da paisagem e à estrutura da vegetação ao nível local. Apesar de muitos estudos já terem averiguado os impactos da fragmentação ao nível da população e da comunidade nos Neotrópicos, poucos foram realizados ao longo de grandes períodos, e consequentemente as variações sazonais nas respostas dos morcegos foram raramente consideradas. Neste estudo avaliámos como diferentes espécies de morcegos respondem à sazonalidade numa paisagem caracterizada por fragmentos de diferentes tamanhos e circundados por uma matriz de floresta secundária em diferentes estágios sucessionais. Recorrendo a dados de dois anos de capturas, averiguámos como é que padrões gerais da abundância de diferentes espécies de morcegos variam entre a estação seca e húmida nos fragmentos, na matriz de floresta secundária e em áreas de floresta contínua. Para além disto, analisámos a influência da estrutura da vegetação (métrica de escala local), e das métricas da composição e configuração da paisagem (para cinco escalas espaciais) na abundância de oito espécies de morcegos. Testámos também se a importância das métricas variava entre as estações. O estudo foi realizado no Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF), Amazónia Central, Brasil. Os morcegos foram capturados durante dois anos em oito fragmentos e nove áreas de controlo. Em cada categoria de habitat foram amostrado o interior, a borda e a matriz. As métricas da paisagem foram obtidas para a área do PDBFF, tendo sido utilizados buffers de cinco tamanhos diferentes (250, 500, 750, 1000, 1500m de raio) em cada um dos 39 locais de amostragem. Para cada uma dos buffers foram calculadas quatro métricas de composição: cobertura da floresta primária, coberturas da floresta secundária – estágio inicial (6 < idade) estágio intermédio (6 ≥ idade < 16) e estágio avançado (idade ≥ 16). Adicionalmente, foram calculadas também quatro métricas de configuração: densidade de bordas, densidade de fragmentos, distancia ao vizinho mais próximo e índice médio de forma. Modelos lineares generalizados mistos foram usados para testar as diferenças na abundância de cada espécie entre as estações (seca e húmida) e entre os tipos de habitat (interior, borda e matriz). Por último, para determinar a importância de cada métrica em cada estação usámos uma Partição Hierárquica. Os padrões da abundância variaram com a espécie e o tipo de habitat, e foram observadas diferenças entre as estações em todos os tipos de habitat. As relações entre a abundância das espécies com a estrutura da vegetação local e com as métricas da paisagem foram dependentes da estação e da escala. As métricas da composição foram, no geral, mais influentes na estação seca, enquanto a estrutura da vegetação local e as métricas da configuração foram por sua vez mais influentes na estação húmida. A maneira como as diferentes espécies responderam a estas métricas variou entre as espécies frugívoras e as espécies animalívoras. Na estação seca, os morcegos frugívoros responderam mais às métricas da composição enquanto na estação húmida a escala local e as métricas da configuração foram mais marcantes. Os morcegos animalívoros demonstraram padrões similares entre as duas estações, respondendo ao mesmo grupo de métricas na estação seca e húmida. Devido a resultados bastante específicos para cada escala e para cada espécie, padrões gerais em relação às métricas mais importantes em cada escala espacial foram difíceis de identificar. No entanto, as métricas de composição e configuração foram selecionas em todas as escalas espaciais para as duas ensembles sem padrões discerníveis, mas a estrutura da vegetação mostrou padrões mais consistentes entre as escalas espaciais para as espécies frugívoras. No geral, a floresta secundária estava associada positivamente com a abundância dos frugívoros enquanto para as espécies animalívoras esta estava associada negativamente, sendo que este padrão se destacou sobretudo na floresta secundária de estágio sucessional avançado. As taxas de captura variaram entre as estações, sendo que algumas espécies demonstraram padrões sazonais evidentes. Estas diferenças de abundância ocorreram sobretudo nos habitats modificados (fragmentos, bordas e matriz), e estão provavelmente relacionadas com diferenças fenológicas nos períodos de floração e frutificação na matriz de floresta secundária. A associação positiva com a floresta secundária e a variabilidade nas respostas à fragmentação dos morcegos frugívoros parece suportar esta hipótese. Os morcegos animalivorous demonstraram padrões similares entre a estação seca e húmida, indicando que para esta ensemble, a sazonalidade e consequentemente a variabilidade na disponibilidade dos recursos pode não ser tão importante quanto para os morcegos frugívoros. É ainda importante desenvolver estudos de forma a poder perceber como cada espécie explora o habitat e como a respetiva dieta é afetada pela fragmentação e pela sazonalidade, especialmente quando efeitos sinergéticos entre a fragmentação e sazonalidade podem desencadear efeitos ao nível das interações planta-morcego, diretamente através da dispersão de sementes e polinização e indiretamente através do controlo de artrópodes herbívoros. Em paisagens fragmentadas, os morcegos beneficiarão de ações que visem promover a regeneração da floresta secundária, de forma a minimizar o contraste entre fragmentos e a matriz. No entanto, a preservação das florestas primárias e contínuas deve ser priorizada, de modo a garantir condições de habitat adequadas não só para as espécies frugívoras mas também para as espécies animalívoras. Por último, a sazonalidade deve também ser consideradas nas ações de conservação para garantir que os morcegos possuam os recursos necessários durante a época não reprodutiva e reprodutiva, sendo a segunda, a época que exige uma maior necessidade de recursos alimentares por parte deste grupo taxonómico.
Changes in plant production can cause oscillations in resource availability, affecting the presence and abundance not only of frugivorous and nectarivorous bats, but of insectivorous bats. When seasonality is associate with fragmentation, it can exacerbate the impacts of the latter. We evaluate how different bat species respond to seasonality in a fragmented landscape characterized by different-sized fragments of primary forest surrounded by a matrix comprised of secondary forest in different successional stages. Based on two years of capture data, we assessed how general patterns of different bat species abundance changed between the wet and dry seasons in forest fragments, secondary forest sites, and continuous forest controls. Measurements of landscape characteristics were obtained for BDFFP landscape and posteriorly general linear mixed-effects models to examine the relative effects of local vegetation characteristics and landscape-scale metrics in shaping bat abundance patterns. Relationships between species abundances and local vegetation structure and landscape characteristics were both season-specific and scale-dependent. The way that species responded to these metrics varied between frugivorous and animalivorous species. In the dry season, frugivores responded more to compositional metrics whereas during the wet season local and configurational metrics were more important. Animalivorous species showed similar patterns in both seasons, responding to the same group metrics in the wet and dry season. These suggest that for animalivores, seasonality and consequently the variability in resource availability may not play such an important role as it does for frugivores. Differences in responses occurred probably due the differences in the chronology of flowering and fruiting events between primary forests and secondary forest matrix, which affected the dietary habitats of bats in fragmented landscape. Management actions should promote the secondary forest regrowth and consequently minimize the fragment and matrix contrast in order to maintain and improve habitat quality for bats, although measures should prioritize primary forests conservation to preserve both frugivores and animalivores. Finally, seasonality should be considered in management actions to guarantee that bats have the necessary resources during non-breeding and breeding seasons.
Descrição: Tese de mestrado em Biologia da Conservação, apresentada à Universidade de Lisboa, através da Faculdade de Ciências, 2015
URI: http://hdl.handle.net/10451/20855
Designação: Mestrado em Biologia da Conservação
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