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http://hdl.handle.net/10451/2254
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| Title: | A multidão e a televisão : representações contemporâneas da efervescência colectiva |
| Authors: | Torres, Eduardo Cintra, 1957- |
| Advisor: | Cabral, Manuel Villaverde, 1940- |
| Keywords: | Multidão Acção colectiva Televisão Teses de doutoramento - 2010 |
| Issue Date: | 2010 |
| Abstract: | A multidão ocupou desde sempre um lugar no pensamento político-social do Ocidente, mas
não originou paradigmas consistentes, devido à diversidade de representações teóricas e ao seu
carácter efémero. Todavia, a multidão é uma das mais tenazes formas sociais, necessária à vida
social. Considerada na sua repetição e diversidade, a multidão adquire um carácter estrutural.
Ocupando o espaço público para apresentar ou reavivar ideias e colectivos maiores, a multidão tem
intenção de representação, constituindo-se como uma prática de comunicação, como imagem. A
multidão não serve apenas para gerar satisfação dos indivíduos participantes, mas também para
gerar sentidos colectivos, construções simbólicas da sociedade. É para ser vista. Nela coincidem a
realidade do número e a representação simbólica. Na sociedade contemporânea, a multidão
normalizou-se enquanto forma de comunicação, mas mantém a dualidade expressa desde as obras
de Aristóteles e Platão: um dos seus rostos olha para o sistema vigente, o outro para a sua
substituição; um para o líder, outro para o seu derrube; um para a ordem, outro para a desordem; um
para a desordem carnavalesca, outro para a ordem carnavalesca; um rosto de consenso, outro de
dissensão; um de seguidismo cego, outro de criatividade colectiva; um de estrutura, outro de antiestrutura.
Concomitantes até ao presente, a multidão apocalíptica e a multidão integrada estão não
só no pensamento ocidental como ditam a praxis mediática. As suas expressões políticas,
desportivas, musicais e outras na televisão, seja em conteúdos vernáculos, seja em emissões de
preparação sofisticada, permitem o acesso à essencialidade da multidão na sociedade
contemporânea. A crescente eventificação em “efervescência colectiva” (Durkheim) é uma
compensação da também crescente individualização do indivíduo. A multidão visível anula a
anomia invisível, cumprindo uma função curativa de regeneração social e de reconforto social do
indivíduo. Multidão; televisão; sociologia; estudos televisivos; efervescência colectiva The crowd has always played a role in Western social-political thought, but it has not given rise to
consistent paradigms, due to the diversity of theoretical representations as well as to its ephemeral
character. However, the crowd has been one of the most persistent social manifestations.
Considered in its repetitive and diverse nature, the crowd has a structural character necessary to social life. As it occupies public space to present and revisit ideas and larger collectives, the crowd
has representational intention and constitutes itself as practice of communication and as image. The
crowd not only generates satisfaction to its individual members, but also manages to
generate collective meanings and symbolic constructions of society. It needs to be seen. In it, the
reality of numbers and the symbolic representation overlap. In contemporary society, the crowd has
been normalized as a form of communication, but its duality, already observed by Plato and
Aristotle, still holds: one of its faces looks at the current system, the other at its substitution; one
looks at the leader, the other to his overthrow; one at order, the other at chaos; one at carnivalesque
order, the other at carnivalesque disorder; one at consensus, the other at dissent; one at
unquestioning indoctrination, the other at collective creativity; one at structure, the other at antistructure.
Concomitant until the present, the apocalyptical crowd and the orderly crowd are present
not only in Western thought but also in media praxis. Its political, sports, musical and other forms of
expression on television, either through vernacular contents or sophisticated broadcasts, allow us to
have access to the essentiality of the crowd in contemporary society. The growing eventification in
“collective effervescence” (Durkheim) makes up for the, also growing, individualization of the
individual. The visible crowd neutralizes the invisible anomy, performing a healing role of social
regeneration and social recomforture of the individual.
Crowd; television; sociology; television studies; collective effervescence |
| Description: | Tese de doutoramento, Ciências Sociais (Sociologia Geral), Universidade de Lisboa, Instituto de Ciências Sociais, 2010 |
| URI: | http://hdl.handle.net/10451/2254 |
| Appears in Collections: | ICS - Teses de Doutoramento
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