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Title: Para uma caracterização semântica do futuro sintético romântico: descrição e análise dos valores do futuro do indicativo em português e em italiano
Authors: Giomi, Riccardo
Advisor: Marques, Rui Ribeiro,1969-
Keywords: Língua portuguesa
Língua italiana
Tempos (Linguística)
Modalidades (Linguística)
Semântica
Pragmática
Teses de mestrado - 2010
Issue Date: 2010
Abstract: O objectivo deste trabalho é o de traçar uma classificação, hierarquicamente organizada, dos usos do futuro sintético em Português Europeu e em Italiano. Pretende-se assim contribuir para a problemática categorização gramatical desta forma verbal nas línguas românicas que a possuem. A análise proposta funda-se em assunções das teorias dinâmicas do significado e em trabalhos de teor funcionalista, especialmente na Gramática Discursivo-Funcional (Hengeveld e Mackenzie 2008). Como ressalta da literatura específica, para além da função de marcar a referência temporal futura, o futuro sintético românico cobre uma vasta gama de empregos modais de tipo volitivo, deôntico, subordinativo e, sobretudo, epistémico. A hipótese que apresento é a de que, nas duas línguas consideradas, todos os valores semânticos que podem ser expressos pelo futuro sintético resultam de um dos dois usos básicos (ou interpretações básicas) da forma, que constituem dois valores gramaticais alternativos: (i) um valor temporal, que, através de um enriquecimento pragmático, pode dar origem a interpretações derivadas deônticas e volitivas; também os chamados usos “gnómico” e “histórico” do futuro românico, que são por vezes apresentados como usos modais, derivam, na minha opinião, de uma interpretação básica temporal da forma, através de um deslocamento do momento da enunciação (na representação mental dos falantes); (ii) um valor epistémico, cuja propriedade característica é a de poder expressar referência temporal não-futura e cuja força modal é determinada por enriquecimento pragmático, se não explicitamente indicada por recursos lexicais ou prosódicos; do uso epistémico do futuro pode derivar uma interpretação concessiva. Finalmente, existe em Português um uso reportativo do futuro (caso único não só no que concerne ao panorama românico) que se argumenta derivar também de um significado gramatical epistémico, embora, aparentemente, esteja a ganhar uma autonomia cada vez maior em relação à correspondente interpretação de base. A classificação assim delineada implica uma proposta de revisão da categorização gramatical tradicional do futuro sintético românico (considerando que, pelo que ressalta da literatura, as outras línguas românicas não exibem outros usos da forma, além dos referidos). A hipótese que coloco é a de que, nos seus dois significados gramaticais (e respectivos usos derivados), a forma pertence a dois paradigmas distintos: o do indicativo, nos usos temporais, e o dos operadores de modalidade epistémica, nos usos epistémico-evidenciais.
Abstract The goal of this dissertation is to develop a hierarchically organized classification of the temporal and modal uses of the synthetic future in Italian and in European Portuguese as a contribution to the problematic grammatical categorization of this form. The analysis proposed here has been inspired by assumptions taken from dynamic theories of meaning (see Heim 1983) and from functionalist works, particularly Functional Discourse Grammar (Hengeveld and Mackenzie 2008). As is well known from the literature, alongside the temporal function of marking future time reference, the Romance synthetic future has a wide range of modal uses, with volitive/intentive, deontic, subordinate and, above all, epistemic interpretations. The hypothesis to be presented is that, in both the languages considered, all of the semantic values the form may express result from one of its two basic uses (or basic interpretations), which represent two alternative grammatical meanings: (i) a temporal meaning, that may give rise, through pragmatic enrichment, to deontic and volitional interpretations; as for the so-called “gnomic” and “historical” uses of the Romance future, uses that have sometimes been referred to as modal, I will suggest that these are better seen as resulting from a basically temporal use/interpretation plus a linguistically or contextually determined shift in the mental representation of the speech time; (ii) an epistemic meaning, which, as its characteristic feature, can occur with nonfuture time reference, and whose modal force is determined by pragmatic enrichment, if this is not explicitly marked by lexical or prosodic means; a concessive use will be argued to derive from such a basic interpretation of the future. Finally, Portuguese also has a reportative use of the future which, again, can be seen as a meaning derived from a basically epistemic one, although it seems to be gaining more and more autonomy from the corresponding grammatical meaning. The taxonomy established in this dissertation implies a proposal to reconsider the traditional categorization of the Romance synthetic future (provided that other Romance languages do not turn out to have any further uses beyond those listed above). The hypothesis is presented that the form should be split into two separate paradigms: that of the indicative mood, to which the temporal meanings of the future belong, and that of the epistemic modal markers, to which the epistemic-evidential uses may be reduced
Description: Tese de mestrado, Linguística, Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, 2010
URI: http://hdl.handle.net/10451/2262
Appears in Collections:FL - Dissertações de Mestrado

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