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http://hdl.handle.net/10451/2300
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| Title: | Effects of stress on CA3 pyramidal neurons in the pregnant female rat |
| Authors: | Valença, Andreia Barbosa,1987- |
| Advisor: | Strekalova, Tatyana Pawluski, Jodi |
| Keywords: | Fisiologia animal Stress Hipocampo Teses de mestrado - 2010 |
| Issue Date: | 2010 |
| Abstract: | Stress is one of the primary factors leading to many disorders, including depression, one of the most prevalent psychiatric disorders. Additionally, it has been well documented that hippocampal plasticity is vulnerable to the effects of stress and these effects are often sexually differentiated. Women are twice as likely as men to experience stress-related disorders during the lifespan. In fact, a growing number of women experience psychological stress, such as depression and anxiety, during pregnancy and the postpartum period. This maternal stress may have detrimental effects on maternal mood and maternal care of offspring. In turn, recent research has documented a significant impact of pregnancy and motherhood on hippocampus plasticity in the mother. However, very little research has focused the impact of stress during gestation on the neurobiology of mother. Therefore, the present study investigated how stress affects dendritic morphology of CA3 pyramidal neurons in the hippocampus of pregnant females, and whether these effects differ from those in virgin females. Age-matched pregnant and virgin female Wistar rats were divided into two conditions: 1) Stress and 2) Control. Females in the stress condition were restrained for 1 hour/day for 2 weeks, beginning on gestation day 8 and at matched time-points in virgin females. Females were sacrificed the day after the last restraint session, prior to giving birth, and the brains were processed using Golgi impregnation technique. The results obtained show that repeated restraint stress results in dendritic atrophy in the apical region of CA3 pyramidal neurons in both pregnant and virgin females. Moreover, pregnant females resulted in less complex CA3 pyramidal neurons compared to virgin females. Stress had no effect on weight gain in virgin and pregnant, or litter characteristics and sex of fetuses in pregnant females. These factors were also not associated with CA3 dendritic morphology. Further work is needed to determine how restraint stress affects dendritic morphology in other regions of the hippocampus. O quotidiano é preenchido por diversos episódios stressantes que podem
representar uma grande ameaça ao bem-estar físico e emocional. De facto, o stress é um
dos principais factores que leva a diversos transtornos, incluindo depressão, um dos
transtornos psiquiátricos mais prevalentes. Assim, para lidar adequadamente com
situações de stress, ajustes fisiológicos ou estratégias comportamentais são de extrema
importância e são normalmente acompanhadas pela activação da resposta ao stress, com
a intenção de manter ou alcançar a homeostase interna. Uma activação e desactivação
da resposta ao stress bem sucedidas são, então, vitais para a sobrevivência. A resposta
ao stress é coordenada pelo cérebro, que interpreta as experiências como ameaçadoras
ou não e, de acordo com a situação, determina as respostas comportamentais e
psicológicas. Portanto, quando uma ameaça real ou percebida ocorre, a resposta ao
stress é activada no cérebro e envolve a libertação de hormonas pelo sistema nervoso
simpático e pelo eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA). Os glucocorticóides (GC),
cortisol nos humanos e corticosterona em roedores, desempenham um papel central na
mediação de aspectos essenciais à resposta ao stress e retorno à homeostase. A duração
do stress também está implicada nesta resposta neuronal, sendo que uma duração
prolongada por mais de uma semana acarreta efeitos mais profundos ao nível dos
neurónios. O hipocampo, constituído principalmente pelas regiões do cornu ammonis
(CA) e pelo giro denteado (DG), para além de desempenhar um papel essencial na
aprendizagem e memória, tem também a função de regulação de “feedback” negativo da
resposta ao stress através do eixo HPA. A grande concentração de receptores de GC na
formação hipocampal sugere que os efeitos desta hormona no hipocampo sejam
directos, tornando esta área do cérebro particularmente sensível ao stress e aos GC. De
facto, tem sido bem documentado que a plasticidade do hipocampo é vulnerável aos
efeitos do stress, através de níveis elevados de GC, causando alterações estruturais e
funcionais no hipocampo. Os neurónios piramidais da região CA3 do hipocampo são
particularmente sensíveis ao efeito do stress crónico, apresentando remodelação
dendrítica. Sendo que esta região está envolvida na formação de memórias e
processamento espacial, é interessante que eventos stressantes repetitivos resultem em
atrofia dos neurónios piramidais CA3, caracterizada pela redução da complexidade
dendrítica e do comprimento dendrítico total em machos, o que igualmente afecta a
função do hipocampo, incluindo perda de memória espacial. Esta remodelação dendrítica pode ter duas interpretações: uma resposta mal adaptada, com a retracção
dendrítica a contribuir para uma maior vulnerabilidade do hipocampo a outros eventos,
como doenças, e factores stressantes crónicos, ou uma resposta compensatória para
protecção contra efeitos neurotóxicos. É também importante ter em consideração que
estes efeitos do stress são muitas vezes sexualmente diferenciados. A propensão para
desenvolver transtornos relacionados com stress é estimada em duas vezes mais para
mulheres em relação aos homens, durante a vida. Esta tendência é marcada pelo
envolvimento das hormonas gonadais femininas, progesterona e estradiol, e a sua acção
no eixo HPA. Tendo em consideração que, para além de desempenharem um papel
chave no desenvolvimento diferencial do cérebro, estas hormonas estão também
envolvidas na formação da plasticidade cerebral nos principais centros emocionais e
podem exercer um papel importante na modulação da resposta ao stress, é cada vez
mais reconhecida uma ligação entre género e transtornos relacionados com stress, com
as discrepâncias entre géneros atribuídas ao efeito das hormonas gonadais. O ciclo
reprodutivo da mulher está intimamente relacionado com os níveis de GC, com elevada
libertação desta hormona e elevada sensibilidade ao stress durante a fase folicular do
ciclo menstrual bem como da fase proestro do ciclo estral em roedores, quando os níveis
de estrogénio estão elevados. Assim, uma potencial combinação de GC e hormonas
gonadais pode levar a uma maior incidência de transtornos relacionados com stress em
fêmeas. De facto, um número crescente de mulheres sofre stress psicológico, como
depressão e ansiedade, durante a gravidez e o período pós-parto. Por outro lado,
pesquisas recentes têm documentado um impacto significativo da gravidez e
maternidade na plasticidade do hipocampo da mãe. Este impacto pode estar relacionado
com o envolvimento do hipocampo nas importantes adaptações hormonais, neurológicas
e comportamentais necessárias na mãe para assegurar a sobrevivência da prole, na
transição para a maternidade. A placenta, os ovários e o feto contribuem para as
flutuações dramáticas de hormonas esteróides e peptídicas que ocorrem durante a
gravidez e o período pós-parto e são importantes para a indução do circuito maternal e o
inicio dos comportamentos maternos. Além disso, visto os efeitos que as hormonas
esteróides têm nas propriedades estruturais do hipocampo, estas flutuações hormonais
no período reprodutivo podem ter também um impacto na plasticidade desta área do
cérebro. O stress e os níveis de GC têm também um impacto na mãe. Apesar das
alterações normais nos níveis de GC serem importantes para diversos aspectos da
maternidade, o stress durante a gestação leva ao aumento da concentração basal de GC e pode ter efeitos prejudiciais sobre o humor materno e os cuidados maternos da prole.
No entanto, pouca pesquisa tem focado o impacto do stress durante a gestação sobre a
neurobiologia da mãe. Assim, o presente estudo investigou o efeito do stress sobre a
morfologia dendrítica dos neurónios piramidais da região CA3 do hipocampo de fêmeas
grávidas e se, estes efeitos, diferem em fêmeas virgens.
Ratos Wistar fêmeas, grávidas e virgens de idades correspondentes, foram divididos
em duas condições: Stress e Controlo. As fêmeas na condição de stress foram contidas
em caixas de contenção uma hora/dia durante duas semanas, começando no oitavo dia
de gestação e em tempos correspondentes em fêmeas virgens. As fêmeas foram
sacrificadas no dia a seguir à última sessão de contenção, antes do parto. O útero das
fêmeas grávidas foi dissecado para permitir a contagem dos fetos, tendo também em
conta o seu sexo. Os cérebros foram processados usando a técnica de impregnação de
Golgi, que consiste numa impregnação metálica e permite detectar as árvores
dendríticas e as espinhas dendríticas. Para a análise da morfologia dendrítica, seis
células piramidais CA3 por cada cérebro foram escolhidas e o número de pontos de
ramificação, bem como o comprimento total da árvore dendrítica, foram avaliados
separadamente para a região apical e basal. A distribuição e complexidade das dendrites
foram analisadas recorrendo à contagem das intersecções das dendrites com círculos
concêntricos equidistantes (análise de Sholl).
Os resultados obtidos mostraram que as fêmeas grávidas e virgens, na condição de
stress, tiveram atrofia dendrítica significativa na região apical dos neurónios piramidais
CA3, em comparação com as fêmeas controlo. Para além disso, as fêmeas grávidas
apresentaram neurónios piramidais CA3 significativamente menos complexos, em
comparação com as fêmeas virgens. O stress não teve efeito sobre o peso em virgens e
grávidas, nem afectou as características das ninhadas. Este estudo forneceu novas
evidências de que o stress e a gravidez têm um impacto na morfologia dendrítica dos
neurónios piramidais CA3. Pesquisa futura irá avaliar a morfologia dendrítica e a
densidade das espinhas dentríticas na região CA1 e DG bem como o possível papel do
stress e da maternidade no desempenho de tarefas dependentes do hipocampo na fêmea
adulta. |
| Description: | Tese de mestrado. Biologia Humana e Ambiente. Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, 2010 |
| URI: | http://hdl.handle.net/10451/2300 |
| Appears in Collections: | FC - Dissertações de Mestrado
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