Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/23082
Título: Ocorrência de microplásticos em zonas intermareais e sua relação com variáveis ambientais
Autor: Gonçalves, Ana Catarina Serra
Orientador: Granadeiro, José Pedro, 1964-
Lourenço, Pedro Miguel Gomes
Palavras-chave: Microplásticos
Cadeia-trófica
Zonas intermareais
Limícolas
Estuário
Teses de mestrado - 2016
Data de Defesa: 2016
Resumo: A poluição do ambiente pelos plásticos é uma preocupação crescente e é expectável que perdure por muitos séculos, sendo particularmente grave nas águas costeiras onde os plásticos representam 50-80% dos detritos de origem humana. Com base no seu tamanho, estes detritos podem ser classificados como macro e microplásticos, sendo os últimos os detritos de tamanho inferior a 5mm. Na última década, um grande número de estudos evidenciou a ocorrência de microplásticos em ambientes marinhos e costeiros. Os estuários são considerados um dos ecossistemas mais produtivos a nível mundial, revestindo-se de grande importância para a biodiversidade, e são frequentemente locais propícios à acumulação de microplásticos devido ao tipo de substrato e ao regime cíclico de circulação das águas. Contudo, existe pouca informação acerca de quais os fatores que influenciam a distribuição destes detritos em sistemas estuarinos. Dadas as suas pequenas dimensões, estes plásticos são facilmente ingeridos por uma larga gama de organismos integrando assim as cadeias tróficas. Os microplásticos são considerados bio-disponíveis para organismos em diferentes níveis das cadeias tróficas, desde os consumidores primários aos predadores de topo, podendo ser ingeridos diretamente, ou indiretamente através da ingestão de presas que contém microplásticos. Este estudo pretende mapear a abundância e distribuição de microplásticos em sedimentos das zonas intermareais do estuário do Tejo e averiguar a sua relação com diversas variáveis ambientais (eg. distância à costa, distância a zonas urbanizadas, distância a saídas de esgoto, densidade populacional na costa adjacente, granulometria do sedimento). A uma escala mais alargada, pretende-se também comparar a incidência de microplásticos em zonas intermareais de diferentes regiões ao longo da costa oriental do Oceano Atlântico (estuário do Tejo, arquipélago dos Bijagós, Guiné-bissau e Banc d’Arguin, Mauritânia), com níveis de pressão humana distintos de modo a compreender melhor a influência da urbanização na abundância de microplásticos e detetar eventuais padrões macrogeográficos. Pretende-se ainda avaliar a eventual propagação destes detritos nas cadeias tróficas destes locais. Na primeira parte do trabalho, foram definidos 64 pontos distribuídos pela margem sul do estuário do Tejo. Utilizámos modelos de regressão para relacionar a concentração de microplásticos nestas amostras com um conjunto de variáveis ambientais. Observou-se uma elevada concentração de microfibras de plástico nos sedimentos (média: 5.2±7.0 microfibras.ml-1) e bivalves analisados (média: 1.7±2.6 microfibras.g-1 peso fresco). Os modelos de regressão sugerem que a concentração de microfibras está relacionada com a granulometria do sedimento (concentrações mais altas em sedimentos mais finos) e pelo número de habitantes do concelho onde foi recolhida a amostra (concentrações mais altas em concelhos mais populosos). Na segunda parte do trabalho, foram recolhidas amostras de sedimento e macroinvertebrados, no estuário do Tejo, arquipélago dos Bijagós e Banc d’Aguin. Foram adicionalmente recolhidos dejetos de aves limícolas nos mesmos três locais, incluindo espécies com diferentes estratégias alimentares (Tátil, Mista e Visual). Foi verificada uma menor abundância de microfibras no sedimento do sistema intermareal menos urbanizado, o Banc d’Arguin 4.4±1.6 microfibras.ml-1, comparativamente aos Bijagós 10.8±4.3 microfibras.ml-1 e ao estuário do Tejo 7.5±0.4 microfibras.ml-1, que são alvo de maior influência humana. Foi ainda observada a presença de microfibras em todos os elementos da cadeia alimentar analisados (consumidores primários – macroinvertebrados – e secundários - aves). Os resultados demonstraram uma tendência similar à verificada para o sedimento, de uma menor presença de microfibras no Banc d’Arguin, havendo ainda uma tendência para concentrações mais elevadas de microfibras em dejetos de aves com uma estratégia alimentar táctil. Isto poderá sugerir uma propagação destas partículas ao longo da cadeia trófica, sendo que as limícolas ingerem microfibras diretamente do sedimento (táteis e mistas) mas também indiretamente através da ingestão de presas que contêm os detritos (visuais). Os nossos resultados confirmam a abrangência da problemática dos microplásticos a nível global, tendo sido detetados elevados níveis destes detritos nos três sistemas intermareais amostrados. A presença humana aparenta ser um fator chave na abundância de microplásticos. É ainda verificada a presença de microplásticos nos vários níveis da cadeia trófica, bem como a sua possível propagação ao longo da mesma, o que sugere que estes detritos podem afetar todos os animais estuarinos até aos consumidos de topo, onde se inclui o Homem.
Plastic pollution is a growing concern and is expected to last many centuries, being of particularly concern in the coastal waters where plastic represents 50-80% of human waste. Based on their size, plastics can be classified as macro- and micro-plastics, the latter being all particles below 5mm. In the last decade, a large number of studies revealed the occurrence of micro-plastics in marine and coastal environments. Estuaries are among the most productive ecosystems in the world, and are highly important for biodiversity, often forming places favourable to the accumulation of micro-plastics due to the type of substrate and the cyclical system of water circulation. However, there is little information about the factors that influence the distribution of microplastic debris in estuarine systems. Given their small size, microplastics are easily ingested by a wide range of organisms and can therefore integrate the trophic chains. These particles are considered bio-available to organisms at different levels of the trophic chain, from primary consumers to top predators, and may be ingested directly, or indirectly through prey (with microplastics) consumption. This study aims to map the abundance and distribution of microplastics in the Tejo estuary intertidal sediments and survey its relationship with various environmental variables (eg. distance to nearest coast, distance to nearest urban areas, distance to nearest sewage points, population on the coast adjacent, granulometry). On a larger scale, we also aim to compare the incidence of microplastics in intertidal zones of different regions along the eastern Atlantic coast (Tejo estuary, Bijagós archipelago, Guinea-Bissau and Banc d'Arguin, Mauritania) showing different levels of human pressure levels to understand the effect ofurbanization and detect possible macro-geographical patterns. The study also aims to evaluate the potential spread of such debris in the local food chains. In the first chapter, 64 points were selected along the southern shore of the Tejo estuary. We used regression models to relate microplastic concentration with different environmental variables. The sediment showed high plastic microfiber concentrations (mean: 5.2 ± 7.0 microfibers.ml-1), the same being true for bivalve individuals (mean: 1.7 ± 2.6 microfibers.g-1 fresh weight). Regression models suggest that microfibers concentration is related to sediment granulometry (higher concentrations in muddy sediments) and population (highest concentrations in most populated districts). In the second chapter, sediment and macroinvertebrate samples were collected in the Tagus estuary, Bijagós archipelago and Banc d'Aguin. Additionaly, bir faeces were also collected in the same areas, including species with different feeding strategies (Tactile, Visual and Mixed). The results showed a lower microfiber concentration on the sediment of the least urbanized intertidal system, Banc d'Arguin (4.4 ± 1.6 microfibers.ml-1), comparing to Bijagós archipelago (10.8 ± 4.3 microfibers.ml-1) and Tejo estuary (7.5 ± 0.4 microfibers.ml-1), both being subjected to higher human influence. Microfibers were present in all elements of the local trophic chains analysed (primary consumers – macroinvertebrates - and secondary consumers - birds). The results showed a similar trend from the one observed for the sediments; lower microfibers concentration in Banc d'Arguin (least urbanized), and there was also a trend for higher concentrations of microfibers in bird species with a tactile feeding strategy. This suggests these particles are widely spread along the food chains. Waders seem to ingest microfibers both directly from sediment (tactile and mixed), but also indirectly through prey intake (visual). Our results confirm the global extent of the microplastics problematic, with high microplastic concentrations in all three sampled intertidal systems. Human influence appears to be a key factor in microplastic abundance in intertidal zones. The presence of the microplastic was confirmed along various trophic levels, and it is possible they spread along the food chains, suggesting that these debris may affect all estuarine animals up to the top predators, where humans are included.
Descrição: Tese de mestrado em Biologia da Conservação, apresentada à Universidade de Lisboa, através da Faculdade de Ciências, 2016
URI: http://hdl.handle.net/10451/23082
Designação: Mestrado em Biologia da Conservação
Aparece nas colecções:FC - Dissertações de Mestrado

Ficheiros deste registo:
Ficheiro Descrição TamanhoFormato 
ulfc117373_tm_Ana_Catarina_Gonçalves.pdf2,84 MBAdobe PDFVer/Abrir


FacebookTwitterDeliciousLinkedInDiggGoogle BookmarksMySpace
Formato BibTex MendeleyEndnote 

Todos os registos no repositório estão protegidos por leis de copyright, com todos os direitos reservados.