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Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10451/2364

Title: A bioética entre as convicções do doente e o avanço científico, na área da medicina transfusional
Authors: Viegas, Alzira Manuela da Rocha Gomes, 1957-
Advisor: Vale, Fernando José Coelho Martins do, 1951-
Keywords: Transfusão de sangue
Bioética
Autonomia pessoal
Testemunhas de Jeová
Religião
Teses de mestrado - 2010
Issue Date: 2010
Abstract: O sangue motivou sempre um fascínio particular no ser humano desde as civilizações mais antigas até à sociedade moderna. Mas foi apenas no princípio do século XX que a prática da transfusão sanguínea se iniciou, tendo sido alvo de uma rápida evolução científica. Ligada a uma forte vertente sociocultural e cada vez mais dependente de complexas exigências técnicas e legais, a transfusão sanguínea faz actualmente parte da prática clínica, sendo impensável prescindir da sua utilização num número considerável de situações, como á o caso de grandes cirurgias e traumas, entre outras. Mas se para uns uma transfusão pode salvar uma vida, para outros ela pode fazer perder a alma. È assim que pensam as Testemunhas de Jeová, que como é do conhecimento geral recusam a administração de componentes sanguíneos. Por este motivo os profissionais de saúde enfrentam por vezes verdadeiros dilemas éticos, resultantes de conflitos entre os princípios hipocráticos da beneficência e da não maleficência e o respeito pelo moderno princípio da autonomia do doente. Este trabalho centraliza-se nos problemas bioéticos e técnicos que os profissionais de saúde enfrentam no caso de doentes que recusam transfusões, mesmo em situações que podem ter um desfecho fatal. OBJECTIVOS O primeiro objectivo deste trabalho é analisar e discutir o conflito entre os princípios hipocráticos da beneficência e da não maleficência aos quais os médicos devem obedecer, e o respeito pela autonomia do doente, que deve ser previamente informado sobre as consequências das suas decisões. O segundo objectivo deste trabalho é perceber como os profissionais de saúde resolvem este conflito do ponto de vista ético, e também que soluções técnicas encontram. O terceiro objectivo deste trabalho consiste em discutir as possíveis alternativas para a transfusão sanguínea, as suas vantagens e inconvenientes. Por outras palavras será possível realizar uma medicina ou cirurgia sem sangue? METODOLOGIA Com a intenção de responder a estas questões realizou-se uma pesquisa bibliográfica, utilizando palavras-chave centradas na área da bioética e das alternativas à transfusão. Foram também utilizados dois questionários, sendo um dirigido a cirurgiões, anestesistas e especialistas de Imuno-hemoterapia. O outro destinou-se à população em geral. Ambos os questionários tiveram a intenção de perceber como estas situações são sentidas pelos profissionais de saúde e pela população em geral, e como são hierarquizados os princípios éticos. RESULTADOS E DISCUSSÃO A análise das respostas obtidas através dos questionários aplicados aos profissionais de saúde, revelou uma dificuldade nítida em escalonar os princípios éticos em conflito nesta matéria. Contudo, a partir das respostas obtidas podemos concluir que o respeito pela autonomia do doente tem a primazia e deve ser respeitado, apesar de alguns médicos fazerem uso da sua autonomia e recusarem tratar doentes nestas condições. Para a população em geral questionada, 50% considerou que não existe sequer qualquer conflito ético associado a este assunto. A análise das respostas em ambos os questionários evidencia a necessidade de mais estudos e sobretudo debates públicos nesta matéria pouco discutida abertamente. No que diz respeito às alternativas técnicas (farmacológicas e clínicas), uma vez que não existe ainda um substituto completo para o sangue, verifica-se que o verdadeiro desafio reside na criação de equipas multidisciplinares que aceitem respeitar medidas, que no seu todo visem diminuir os problemas resultantes da hemorragia, tendo sempre em consideração as desvantagens destas alternativas.
Blood has always motivated a special interest in men since primitive cultures until modern societies. But it was only in the beginning of the XX th century that blood transfusion practice begun, and suffered such a quick scientific evolution that today, modern medicine depends on it for a large number of situations, like surgeries and trauma, among others. Blood transfusion is also associated with a strong cultural and social profile and although essential to safe human lives, for same patients, like Jehovah’s Whiteness’s, taking blood is unthinkable because it is against their religious believes, it will make them “loose their soul”. For this reason health professionals have sometimes to face, serious ethical dilemmas, resulting from conflicts between the Hippocratic principles of beneficence and nonmaleficence and the respect for the modern ethical principle of patient’s autonomy. This work focus on the bioethical and technical problems, faced by health professionals with patients like Jehovah’s Whiteness’s, that refuse to receive blood transfusions, even in situations that might be fatal. OBJECTIVES The first aim of this work is to analyse and discuss the conflict between the Hippocratic principles of beneficence and nonmaleficence to witch medical doctors must obey, and the respect for patient’s autonomy, who must be previously informed about the consequences of their decisions. Also important in this consideration is the autonomy of health professionals, since no patient can force medical doctors to take action against their ethical or moral principles, since they might end in a fatal result for which doctors may be responsible. The second aim of this work is to know how health professionals deal with this conflict from the ethical point of view, and which technical solutions they seek to solve this problem. The third aim of this work consists in discussing possible alternatives to blood transfusion, their advantages and disadvantages. In other words is it possible to have a bloodless medicine or surgery? METHODOLOGY With the intention to answer these questions a review of published scientific articles was done. Key words used focus mainly on the area of bioethics and bloodless medicine. Also two different questionnaires were used, one in a specific group of surgeons, anaesthesiologists and specialists in the area of transfusion medicine. The other one was directed to common citizens. Both questionnaires intended to understand how these situations are felt by the population and by health professionals, and how ethical principles are valorised. RESULTS AND DISCUSSION The analysis of answers obtained from the questionnaires used in heath professionals, revealed a clear difficulty in deciding the relative importance of the ethical principles in conflict, in this issue. Yet, from the answers obtained we can conclude that the respect for patient’s autonomy is the most important principle and should be respected, although some doctors also preserve their autonomy by refusing themselves to treat patients in these conditions. In the case of the common citizens questioned, 50% considered that there is not even any kind of ethical conflict, in this issue. The analysis of answers in both questionnaires shows the need, of more open and wide discussions of ethical problems raised by this matter. In terms of technical (pharmacologic and clinical) alternatives, since there is no complete substitute to blood transfusion, the true challenge lays in the creation of teams that with combined work can in same situations diminish problems associated with blood loss, keeping always in mind the disadvantages of these alternatives.
Description: Tese de mestrado, Bioética, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2010
URI: http://hdl.handle.net/10451/2364
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