Universidade de Lisboa Repositório da Universidade de Lisboa

Repositório da Universidade de Lisboa >
Reitoria (REIT) >
REIT - Teses de Doutoramento (Enfermagem) >

Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10451/2406

Title: The efficacy of kangaroo mother care, sucrose and pacifier to reduce responses of preterm infants to procedural pain
Authors: Fernandes, Ananda
Advisor: Johnston, Céleste
Cabrita, José, 1954-
Keywords: Dor
Recém-nascidos
Punção venosa
Sacarose
Teses de doutoramento - 2010
Issue Date: 2010
Abstract: Preterm neonates in intensive care units endure frequent procedures that may cause pain, warranting the study of interventions that will decrease this pain. The primary aim of this study was to compare the efficacy of the combination of sucrose, pacifier and kangaroo mother care (S+KMC), with that of sucrose and pacifier (S), in reducing the pain responses of preterm infants undergoing venepuncture. Secondary objectives addressed to babies in S+KMC were to examine the relationship between maternal anxiety and the pain responses of the babies; and to explore mothers’ perceptions of KMC during venepuncture. A randomized-controlled trial was conducted in two neonatal intensive care units in Portugal. One-hundred and ten preterm infants without severe illness, stratified by gestational age, were randomly assigned to receive S+KMC or S for venepuncture. Measures of pain responses were the Premature Infant Pain Profile, heart rate, oxygen saturation, facial actions, behavioral state, heart rate variability and recovery time, which were analysed with repeated-measures ANOVA. Mothers’ anxiety was measured with the State-Trait Anxiety Inventory. Their perceptions were obtained through content analysis of semi-structured interviews. Compared to infants in S, infants in S+KMC displayed significantly less facial action; were more likely to have recovered heart rate baseline values at 60 and 90 seconds after the procedure, if they were 32 weeks gestational age and above; and changed from sleep to wake states significantly less. Maternal anxiety was low to moderate and was not correlated to specific pain responses. Mothers emphasized their feelings of wellbeing in comforting and protecting the babies. In conclusion, combining sucrose, pacifier and kangaroo mother care is effective and safe in preterm infants undergoing venepuncture for blood-draw; low to moderate levels of anxiety of mothers do not interfere with the pain responses; mothers appreciate holding the baby skin-to-skin when the infants are enduring pain.
Os recém-nascidos pretermo que necessitam de cuidados intensivos são frequentemente submetidos a procedimentos diagnósticos e terapêuticos que podem causar dor. Contrariamente ao que se pensava há duas décadas, a evolução ontogenética da dor iniciase cedo e, a partir das 24 semanas de gestação, o feto dispõe do equipamento neurosensorial necessário à experiência de dor. Todavia, as vias de controlo descendente não se encontram ainda suficientemente desenvolvidas, resultando em hipersensibilidade dolorosa. As consequências da exposição repetida à dor no período neonatal têm vindo a ser estudadas, sendo hoje conhecidos os efeitos a curto prazo da dor não tratada, como a hiperalgesia e a alodinia nos recém-nascidos, e alguns efeitos a médio e longo prazo como as alterações da sensibilidade e da reactividade ao stress em crianças de idade escolar. O alívio da dor nesta população vulnerável é, pois, uma tarefa imperiosa. Dado o reduzido leque de fármacos disponíveis para estas idades e o seu potencial para efeitos adversos, torna-se necessária a investigação de intervenções não-farmacológicas. Entre estas, a sacarose oral com chupeta tem sido exaustivamente demonstrada como eficaz, sendo utilizada por norma em muitas unidades neonatais antes da realização de procedimentos como a punção do calcanhar e a punção venosa. Durante estes procedimentos, também o contacto pele-a-pele entre mãe e bebé, conhecido como canguru materno, pode ser utilizado como forma de reduzir as respostas de dor dos recém-nascidos. Desconhecia-se, todavia, se ao adicionar o canguru materno ao uso da sacarose com chupeta seria possível reduzir ainda mais as respostas de dor dos recém-nascidos pretermo. Por outro lado, dada a co-regulação fisiológica mãe-bebé, colocava-se a questão de saber se a ansiedade materna poderia comprometer o efeito analgésico do canguru materno. Finalmente, as percepções das mães sobre a realização de canguru materno durante a venopunção não haviam sido exploradas. Assim, os objectivos definidos para este estudo foram: 1) comparar as respostas de dor dos recém-nascidos pretermo aos quais é proporcionado canguru materno, sacarose oral e chupeta durante a punção venosa para colheita de sangue, com as respostas dos recém-nascidos aos quais é proporcionada apenas sacarose oral com chupeta; 2) analisar a relação entre a ansiedade materna e as respostas de dor dos recém-nascidos que efectuaram canguru materno; e 3) explorar as percepções maternas sobre a realização de canguru materno durante a venopunção. Para dar resposta ao primeiro objectivo, foi realizado um estudo randomizado, controlado, cego, em duas unidades de cuidados intensivos neonatais portuguesas. Cento e dez recém-nascidos sem doença grave, estratificados por idade gestacional (28 a 31 semanas e seis dias, e 32 a 36 semanas e seis dias) foram aleatoriamente alocados a dois grupos: um recebeu sacarose oral com chupeta (grupo Sacarose); o outro recebeu sacarose oral com chupeta e canguru materno (grupo S+CM) antes, durante e após venopunção. As respostas de dor foram medidas através da escala Premature Infant Pain Profile (PIPP) e foram analisadas a frequência cardíaca, a saturação de oxigénio da hemoglobina, as acções faciais (percentagem de tempo em saliência interciliar, olhos apertados e prega nasolabial), o estado comportamental, a variabilidade da frequência cardíaca (baixa frequência, alta frequência e ratio entre ambas) e o tempo de recuperação da frequência cardíaca inicial após o final do procedimento. As acções faciais foram gravadas em vídeo e as variáveis fisiológicas foram registadas através do Somté® Compumedics, ao longo de cinco fases: antes do procedimento, preparação da pele, punção, compressão e repouso. Para a determinação do score PIPP, a análise das gravações foi efectuada por codificadores cegos aos propósitos do estudo. Para dar resposta ao segundo objectivo, foi realizado um estudo descritivo-correlacional analisando a relação entre a ansiedade materna medida pela escala de Estado de Ansiedade do State-Trait Anxiety Inventory (STAI) e as respostas de dor dos recém-nascidos (N= 60). As percepções maternas foram estudadas através da análise de conteúdo das entrevistas semi-estruturadas realizadas às mães que tinham efectuado canguru materno (N= 52). A comparação dos dois grupos de intervenção quanto a variáveis socio-demográficas e clínicas não revelou diferenças significativas. Em todos os testes foi utilizado como nível de significância α< .05. A ANOVA de medidas repetidas (fases do procedimento) a dois factores (intervenção e idade gestacional) revelou o efeito principal da intervenção sobre a percentagem de tempo em saliência interciliar, F(1, 98)= 5.12, p= .026, e olhos apertados, F(1, 98)= 6.02, p= .015. A análise posthoc mostrou que no momento da punção, a saliência interciliar ocorria durante menos tempo nos recém-nascidos do grupo S+CM (M= 15.89, EP= 4.58) do que no grupo Sacarose (M= 29.22, EP= 4.75). O mesmo se verificou para o tempo em olhos apertados (M= 13.85, EP= 4.36 no grupo S+CM e M= 29.13, EP= 4.52, no grupo Sacarose). O efeito principal da idade gestacional verificou-se na frequência cardíaca mínima e média e no índice baixa frequência da variabilidade da frequência cardíaca. A reactividade dos recém-nascidos durante o procedimento foi semelhante nos dois grupos de intervenção, observando-se o efeito principal da fase do procedimento sobre a PIPP, a frequência cardíaca, a saturação máxima de oxigénio, as expressões faciais e o índice baixa frequência da variabilidade da frequência cardíaca. Tal indica uma variação significativa destes sinais de dor ao longo das fases do procedimento, com aumento dos sinais de dor desde o momento antes do procedimento até à punção, seguido de uma diminuição desses sinais até ao repouso. O teste de Qui-Quadrado para cada fase do procedimento mostrou uma associação significativa entre intervenção e estado comportamental: em todas as fases, a proporção de bebés em estado de sono (versus estado de alerta) era significativamente mais elevada no grupo S+CM. Apesar não ter havido uma diferença significativa no tempo médio de recuperação da frequência cardíaca de base após o procedimento, a probabilidade (odds-ratio) de ter recuperado aos 60 e 90 segundos após o procedimento foi cerca de 3 vezes mais elevada nos recém-nascidos do grupo S+CM com 32 ou mais semanas de gestação, do que nos do grupo Sacarose. Durante o procedimento não se verificaram efeitos adversos em qualquer dos grupos de intervenção. A ansiedade materna foi baixa, sendo significativamente mais baixa nas mães do grupo S+CM (M= 37.78, SD= 9.13) do que nas mães do grupo Sacarose (M= 43.48, SD= 9.82), t(87)= 2.65, p= .009. Nas entrevistas, as mães salientaram a sensação de bem-estar em ter o bebé em contacto pele-a-pele, o contentamento em poder protegê-lo da dor e a importância que esse acontecimento havia tido para a realização do seu papel parental. Estes resultados demonstram que a combinação sacarose, chupeta e canguru materno é eficaz e segura em recém-nascidos pretermo, permitindo reduzir a expressão facial e o tempo de recuperação quando comparada com a utilização de sacarose com chupeta; níveis baixos e moderados de ansiedade materna não interferem na redução das respostas de dor dos bebés; as mães apreciam o contacto pele-a-pele durante o procedimento doloroso e sentem o seu papel parental reforçado por poderem participar no alívio da dor do seu bebé. Em conclusão, o canguru materno pode ser adicionado ao uso da sacarose com chupeta para reduzir as respostas de dor de recém-nascidos pretermo acima das 28 semanas de gestação durante a colheita de sangue por venopunção. Palavras-chave: dor, recém-nascido pretermo, sacarose, canguru materno, punção venosa.
Description: Tese de doutoramento, Enfermagem, Universidade de Lisboa, com a participação da Escola Superior de Enfermagem, 2011
URI: http://hdl.handle.net/10451/2406
Appears in Collections:REIT - Teses de Doutoramento (Enfermagem)

Files in This Item:

File Description SizeFormat
ulsd059513_td_Ananda_Fernandes.pdf9.24 MBAdobe PDFView/Open
Statistics
FacebookTwitterDeliciousLinkedInDiggGoogle BookmarksMySpaceOrkut
Formato BibTex mendeley Endnote Logotipo do DeGóis 

Items in DSpace are protected by copyright, with all rights reserved, unless otherwise indicated.

 

  © Universidade de Lisboa / SIBUL
Alameda da Universidade | Cidade Universitária | 1649-004 Lisboa | Portugal
Tel. +351 217967624 | Fax +351 217933624 | repositorio@reitoria.ul.pt - Feedback - Statistics
DeGóis
  Estamos no RCAAP Governo Português separator Ministério da Educação e Ciência   Fundação para a Ciência e a Tecnologia

Financiado por:

POS_C UE