Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/30309
Título: Behavior and ecology of Caribbean cleaning gobies Elacatinus evelynae in response to reef-condition changes
Autor: Poças, Ana Maria Pedrosa
Orientador: Soares, Marta
Assis, Carlos António da Silva,1961-
Palavras-chave: Elacatinus evelynae
Degradação de recifes de coral
Comportamento de limpeza
Dieta
Stress
Teses de mestrado - 2017
Data de Defesa: 2017
Resumo: Os recifes de coral são um dos ecossistemas mais diversos e complexos do planeta. Os corais são formados por organismos simples que vivem em colónias e em relação simbiótica com zooxantelas, que proporcionam nutrientes em troca de abrigo. O branqueamento dos corais, que se deve à expulsão das zooxantelas, leva à perda das suas cores vibrantes, sendo substituídas por uma coloração esbranquiçada. Este fenómeno pode conduzir à morte dos corais. Estes eventos, na sua maioria motivados por stress térmico, são cada vez mais recorrentes devido às alterações climáticas. Os parasitas estão presentes e fazem parte da comunidade animal dos recifes, no entanto, evitam o coral vivo, de modo que com a degradação dos recifes e diminuição de coral vivo, os níveis de parasitas podem aumentar. Tal facto leva a um aumento dos níveis de parasitação dos peixes recifais, reduzindo a sua capacidade adaptativa e levando a uma maior vulnerabilidade a infeções. Um dos mutualismos mais estudado no meio marinho é a relação entre organismos limpadores e peixes maiores que estes, denominados de “clientes”. Nesta, os limpadores inspecionam o corpo dos clientes e removem os ectoparasitas neles presentes. Desta forma, o limpador tem acesso a alimento e os clientes veem reduzida a sua carga parasitária, níveis de stress e um aumento da sua capacidade imunitária. Para dar início a uma limpeza, os clientes podem adotar uma pose imóvel, por vezes quase vertical, de forma a indicar ao limpador que querem ser inspecionados; ou o limpador pode iniciar a mesma sem a demonstração de interesse por parte do cliente. Durante a limpeza podem ainda ser removidas escamas e muco, o que é prejudicial para os clientes, uma vez que estas estruturas os protegem de infeções e têm elevados custos de produção, constituindo portanto uma falha de cooperação. Face a este serviço desonesto, os clientes podem efetuar um movimento de “sacudidela” corporal denominado de jolt. Este estudo teve como objetivo observar se a degradação dos recifes de coral implica mudanças de comportamento, dieta ou níveis de stress numa espécie de caboz limpador, Elacatinus evelynae. Embora esta espécie apresente diferentes níveis de organização social, podendo ser solitários, associarem-se em pares ou em grandes grupos, neste trabalho foram apenas analisados dois tipos de associações: os cabozes solitários e os cabozes que limpam em pares. Procedeu-se à amostragem de cinco recifes em Curação, uma ilha do sul das Caraíbas. Foram feitos transectos de ponto-intersecção, nos quais foi identificado o tipo de cobertura que aí ocorria (coral vivo, coral morto, coral morto com algas, areia ou outro). Os corais vivos foram posteriormente identificados até ao nível taxonómico mais baixo possível. Foram ainda realizados transectos para analisar a densidade e diversidade da comunidade piscícola. Desta forma, os recifes foram descritos e o seu nível de degradação identificado. Observaram-se dez estações de limpeza de cabozes limpadores solitários e dez estações de limpeza de cabozes em pares, por recife. O comportamento dos mesmos foi registado considerando: o número de limpezas realizadas, de perseguições pelos cabozes e esperas por parte de clientes que desejavam ser limpos. O tamanho e espécie dos clientes foram também registado. Na ocorrência de uma limpeza, anotou-se a sua duração, quem a iniciava e o número de jolts do cliente. Os indivíduos observados foram capturados e transportados para laboratório onde foram eutanasiados e conservados a - 80ºC. Os seus níveis de cortisol foram posteriormente quantificados. Adicionalmente foram capturados cinco cabozes solitários e cinco pares de cabozes por recife para serem analisados os seus conteúdos estomacais (parasitas e escamas). As diferenças entre os recifes foram exploradas com recurso a testes de ANOVA, Kruskal-Wallis, ANOSIM, MDS e SIMPER. Foram utilizados ainda testes de Permanova e GLM’s para verificar a influência do recife nas diferenças encontradas. Os cinco recifes amostrados foram separados em três categorias: mais degradado, medianamente degradado e menos degradado. Water Factory foi considerado o recife menos degradado (saudável), uma vez que apresentava a maior cobertura (ca. 40%) e diversidade de coral vivo. Carmabi foi considerado o mais degradado uma vez que apresentava a menor cobertura de coral vivo (ca. 3 %) e, apesar de também ter a menor cobertura de coral morto, apresentava a maior cobertura de coral morto com algas (ca. 70 %). Os restantes recifes (Blue Bay Left, Blue Bay Right e Habitat) foram considerados como estando num estado intermédio de degradação, com cerca de 10 % de coral vivo e 45 % de coral morto coberto por algas. Nos comportamentos de limpeza só se verificaram duas diferenças: os cabozes solitários tiveram maior número de limpezas no recife saudável; nas estações de cabozes em pares, os clientes esperaram mais frequentemente no recife saudável. Todos os outros comportamentos observados, utilizados como medida da qualidade do serviço e motivações dos cabozes e clientes, não variaram entre recifes em nenhum dos contextos sociais. Entre os parasitas observados no conteúdo estomacal dos cabozes, foram identificados exemplares de duas famílias: Caligidae e Gnathiidae. Não ocorreram diferenças no consumo de caligídeos entre recifes para os cabozes solitários ou em pares. Já no caso dos gnatiídeos, houve um maior consumo destes por parte dos cabozes solitários num dos recifes de condição intermédia de degradação (Habitat). Nos cabozes em pares o maior consumo foi no recife saudável (Water Factory). No consumo de itens não parasíticos, ou seja, indicador de desonestidade do serviço de limpeza, todos os recifes apresentaram valores semelhantes. Os cabozes solitários apresentaram valores de stress (i.e. cortisol) mais elevado no recife degradado (Carmabi). Tal não se verificou nos cabozes em pares, neste caso, os valores foram semelhantes entre todos os recifes. O recife onde os cabozes habitam é um fator influenciador da sua dieta e níveis stress. Isto já não se verifica para os comportamentos observados, para os quais o recife não aparenta ser um fator relevante. No geral, não existiram diferenças entre os cabozes solitários e os cabozes em pares que viviam no mesmo recife. O maior número de limpezas no recife saudável (Water Factory) não se traduziu num maior consumo de parasitas para os cabozes solitários. Desta forma, é proposta a hipótese de que num recife com elevada parasitação, os cabozes possam efetuar menos limpezas, pois têm acesso a um maior número de alimento por limpeza. Enquanto nos recifes com menor parasitação, os limpadores têm de interagir mais vezes para obter a mesma quantidade de alimento. A inexistência de diferenças entre as estações de limpeza de cabozes em pares nos vários recifes pode dever-se à preferência dos clientes de serem limpos nas estações de cabozes em pares em detrimento das dos cabozes solitários, uma vez que a limpeza a pares aumenta a honestidade do serviço. O facto de os cabozes solitários apresentarem diferenças de stress entre recifes e os cabozes em pares não, é das primeiras indicações de que os dois grupos reagem de forma diferente à degradação do recife. Adicionalmente, os pares de cabozes apresentam níveis mais elevados de stress do que os solitários, exceto no caso do recife mais degradado. Tal pode dever-se a ser mais vantajoso para os cabozes associarem-se a um parceiro nos recifes degradados. Apesar destes resultados serem promissores, várias questões ainda permanecem por responder. O maior nível de stress por parte dos cabozes solitários só se verifica no recife mais degradado, não ocorrendo diferenças entre o recife saudável e os medianamente degradados. Permanece assim a questão de qual o limite da degradação do recife para que esta comece a ter impactos nos cabozes. Estudos futuros devem por isso aumentar o número de recifes a amostrar e englobar mais níveis de degradação de forma a tentar identificar melhor qual é a fronteira para esta influência. Para a maioria das variáveis amostradas não existiram diferenças entre cabozes solitários e em cabozes pares que habitam dentro do mesmo recife. Neste estudo, não foi possível confirmar se alguma variável caracterizante do recife tinha mais impacto na influência do mesmo nas diferenças de dieta e stress. Foi usado a identidade do recife como um todo, e é por isso relevante que no futuro se explore também esta hipótese. Este estudo proporciona informação importante para a conservação dos recifes, uma vez que os cabozes limpadores têm um papel ativo nos mesmos, nomeadamente, na manutenção da biodiversidade destes locais.
Cleaning interactions are among the most studied mutualisms in the marine environment. They not only have a positive impact on both parts (cleaner and client) but also influence the structure of the reef communities by, among other things, increasing biodiversity. Sharknose gobies, Elacatinus evelyane, and a large number of other cleaning gobies associate with corals, as it is where they maintain their cleaning stations. The increase in coral reef degradation and coral bleaching events affects the parasite proliferation and therefore, goby communities might suffer some kind of impact as well. This study aimed to understand how reef degradation affects these cleaning gobies’ behavior, diet and stress levels. Five reefs were sampled in Curaçao, South Caribbean. Three different reef health conditions were established - degraded, fair and healthy - by analyzing the fish community (density and diversity), coral diversity and the substratum cover (live and dead coral, sand, and algae). Behavior, diet and stress levels were sampled for both single and paired gobies. Although some differences in behavior for both single and paired gobies were found between reefs, in healthier reefs single gobies had more cleaning interactions than the degraded one, and paired gobies had more client waits than the fair reefs. However, it seems these were not due to the differences in reef health conditions. The reef condition was in fact influencing the gobies diet and stress levels. For the diet, single gobies in one of the fair reefs had more intake of parasites than in all the other reefs, and for the paired gobies the higher intake was for the healthier reef. As for stress levels, single gobies were indeed more stressed in the degraded reef than in the fair and healthy ones, but these differences were not observed in paired gobies, as stress levels were similar in all reefs. This indicates that perhaps single and paired gobies react differently to different reef degradation stages, and that it might be more advantageous for gobies in degraded reefs to clean with a partner.
Descrição: Tese de mestrado em Ecologia Marinha, apresentada à Universidade de Lisboa, através da Faculdade de Ciências, 2017
URI: http://hdl.handle.net/10451/30309
Designação: Mestrado em Ecologia Marinha
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