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Title: Auto-avaliação da escola : regulação de conformidade e regulação de emancipação
Authors: Simões, Graça Maria Jegundo, 1961-
Advisor: Afonso, Natércio, 1948-
Keywords: Administração educacional
Avaliação de escolas
Regulação
Teses de doutoramento - 2011
Issue Date: 2010
Abstract: Esta tese é o produto de uma investigação naturalista, realizada em três escolas secundárias públicas de uma mesma cidade, focalizada nas suas práticas de avaliação interna, procurando compreender a sua relação com a regulação social da educação, numa perspectiva construtivista da análise das políticas públicas, que considera tanto o contexto da sua formulação como o da sua execução. A metodologia assentou num dispositivo de entrevistas colectivas, correspondentes a supostos núcleos de regulação de cada escola, envolvendo docentes, alunos, encarregados de educação e auxiliares de acção educativa; aos Presidentes dos Conselhos Executivos foram também feitas entrevistas, mas individualmente. A natureza qualitativa e a feição etnográfica foram ainda vincadas pela opção analítica e interpretativa de pôr em diálogo directo e transparente as palavras dos actores entrevistados e as da investigadora, o que se consuma e revela na apresentação em colunas do estudo empírico. Estando as práticas de avaliação associadas a referenciais pós-burocráticos, de regulação pelos resultados e com uma gramática muito neo-liberal centrada na racionalização económica, mas atravessadas por dilemas mais gerais da reconfiguração do Estado, entre a regulação transnacional e a regulação local, procurámos analisar como se resolvem estes dilemas na acção concreta das escolas, ou seja, como combinam elas a regulação vertical com a regulação horizontal e as pressões de controlo com os impulsos autonómicos. A sustentação teórica fez-se então a partir da análise das políticas públicas, ou da acção pública, mas cruzada com a análise organizacional, numa rede pluri-paradigmática discreta, da qual se destacam os seguintes eixos conceptuais: a escola no centro da acção pública; a avaliação como instrumento de regulação cruzada; a auto-avaliação como estratégia de emancipação; as competências colectivas como construções operacionais de emergência. Os resultados não sustentam qualquer tese geral e generalizável, nem alimentam qualquer desejo de conhecimento instrumental, mas sustentam lições e reflexões emancipatórias, no sentido de produção de argumentos críticos que revelam avessos, mas que também fundamentam a abertura do campo de escolhas, a partir das possibilidades inerentes e emergentes nas escolas, como efectivos centros de acção pública. A auto-avaliação não se configura ainda como estratégia verdadeiramente interpelativa das práticas, emergindo num quadro global de exterioridade, entre o referencial burocrático sedimentado e o referencial tecnocrático circulante, mas ao mesmo tempo surge protegida dos seus fundamentalismos, em processos brandos de apropriação pelas escolas, que dão conta do seu natural impulso autonómico. As possibilidades lêem-se no cruzamento deste impulso autonómico mais do que comprovado, com o também natural impulso de defesa em contextos agressivos, como o que tem sido experienciado pelos docentes e pela escola pública. As possibilidades entrelêem-se ainda na trama de competências colectivas que se podem activar em torno dos processos de auto-avaliação, tecendo a escola como verdadeiro espaço público.
This thesis is the product of a naturalistic research, conducted in three public secondary schools of a same city, focused on their practice of internal evaluation, seeking to understand their relationship with the social regulation of education, in a constructivist perspective of the analysis of public policies, which considers both the context of its formulation as that of its implementation. The methodology was based on the setup of group interviews, representing the supposed core of regulation of each school, involving teachers, pupils, parents and carers of education; the Chairmen of the Executive Councils were also interviewed, but individually. The qualitative nature and the ethnographic feature were yet honed by the analytical and interpretive option of calling in direct and transparent dialog, the words of the interviewees and the researcher, which is consummated and revealed in the presentation into columns of the empirical study. As the evaluation practices are associated with result-regulated post-bureaucratic referencials, with a very neo-liberal grammar focused on economic rationalization, but crossed by more general dilemmas of the reconfiguration of the state, between the transnational regulation and local regulation, we tried to analyze how to resolve these dilemmas in the concrete action of schools, or how they combine the vertical adjustment with the horizontal adjustment and the control pressures with the autonomic impulses. The theoretical support was then made from the analysis of public policies or public action, but crossed with the organizational analysis, in a discrete multi-paradigmatic network, from which we highlight the following conceptual axes: the school in the center of the public action; the evaluation as a tool for crossed regulation; the self-evaluation as a strategy for emancipation; collective skills as emergency construction operations. The results do not sustain any general and generalizable thesis, nor they entertain any desire for instrumental knowledge, but they sustain emancipatory reflections and lessons in order to produce critical arguments that reveal averses, but also support the opening of the field of choices, from the emerging and inherent opportunities in schools, as effective centers of public action. Self-evaluation is not yet configured as a strategy truly challenging of practices in schools, emerging in a global sense of exteriority between the sedimented bureaucratic referential and the circulative technocratic referential, but at the same time arises protected from their fundamentalisms, in processes that shows the natural autonomic impulse of schools. The possibilities are read at the intersection of this more than proven autonomic impulse, with the also natural impulse of defense in aggressive contexts, such as the one that has been experienced by teachers and the public school. The possibilities are still intermingled in the net of collective skills that can be activated around the self-evaluation processes, weaving the school as a true public space.
Cette thèse est le produit d’une recherche naturaliste focalisée sur les pratiques d’évaluation interne des trois écoles sécondaires publiques d’une ville. Dans une perspective constructiviste de l’analyse des politiques publiques qui considère aussi bien le contexte de leur formulation que celui de leur mise en oeuvre, nous avons cherché à comprendre son rapport avec la régulation sociale de l’éducation. La méthodologie a inclus un dispositif d’entretiens collectifs aux présupposés noyaux de régulation de chaque école, qui se compose de professeurs, d’élèves, de parents et de fonctionnaires ; les Présidents des conseils exécutifs furent aussi interviewés, individuellement. Le caractère qualitatif et la touche ethnographique ont aussi été influencés par l’option analytique et interprétative de mettre en dialogue direct et transparent les mots des acteurs interviewés et de la chercheuse, ce qui s’est réalisé et est présenté dans la mise en colonnes de l’étude empirique. Les pratiques d’évaluation associées à des référentiels post bureaucratiques, dont la régulation est faite par les résultats et avec une grammaire très néolibérale centrée sur la rationalisation économique, mais qu’elles sont traversées par des dilemmes plus généraux liés à la reconfiguration de l’État situés entre la régulation transnationale et la régulation locale. C’est pourquoi, nous avons cherché à analyser comment se résolvent ces dilemmes dans l’action concrète des écoles, c’est à dire, comment l’action combine la régulation verticale avec la régulation horizontale et comment l’action combine les pressions de contrôle avec les impulsions d’autonomie. Le support théorique à été fait à partir de l’analyse des politiques publiques, ou de l’action publique, croisée avec l’analyse organisationnelle, dans un réseau pluri-paradigmatique discret, d’où sortent les axes conceptuels suivants: l’école au centre de l’action publique; l’évaluation comme instrument de régulation croisée; l’auto-évaluation comme stratégie d’émancipation; et les compétences collectives comme constructions opérationnelles d’émergence. Les résultats n’aboutissent pas à une thèse générale ni généralisable, et ne nourrissent pas un quelconque désir de connaissance instrumentale. Ils apportent des leçons et des réflexions émancipatoires, dans le sens de la production d’arguments critiques qui révèlent ce qui dans l’ombre, mais aussi qui explicitent l’ouverture du champs de choix à partir de possibilités qui émanent des écoles, centres effectifs de l’action publique. L’auto-évaluation ne se configure pas encore comme une stratégie vraiment interprétative des pratiques, émergeant dans un cadre global d’extériorité, entre le référentiel bureaucratique sédimenté et le référentiel technocratique circulant, mais par ailleurs, elle surgit protégée de ses fondamentalismes, dans des processus doux d’appropriation par les écoles, qui rendent compte de son impulsion autonomique naturelle. Les possibilités se lisent dans le croisement de cette impulsion autonomique qui est absolument confirmée, avec l’impulsion, elle aussi naturelle, de défense en contextes agressifs, comme celle qui fut expérimentée par les professeurs et par l’école publique. Les possibilités peuvent aussi être entrevues dans la trame de compétences collectives qui peuvent être activées, tissant l’école comme un véritable espace publique.
Description: Tese de doutoramento, Educação (Administracão e Política Educacional), Universidade de Lisboa, Instituto de Educação, 2011
URI: http://hdl.handle.net/10451/3067
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