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Title: Análise de discurso, gestos e expressões faciais, pela expressão de conceitos, corrobora a teoria da Inteligência praxianafórica
Authors: Rodrigues, João Guilherme Gonçalves
Advisor: Saraiva, Rodrigo de Sá-Nogueira
Vicente, Luís A., 1955-
Keywords: Etologia
Inteligência praxianafórica
Teses de mestrado - 2009
Linguagem
Issue Date: 2009
Abstract: A Teoria da Inteligência Praxianafórica (Praxianafórica = Práxis (Acção) + Anaforá (Relação)), defende que o desenvolvimento de utensílios e afins trabalhos manuais, por parte dos hominíneos, levou ao desenvolvimento dum tipo de inteligência que se centra no uso de conceitos, cujo conteúdo se limita a relações entre objectos físicos, chamados por isso conceitos accionais ou praxianafóricos. Esta, é uma inteligência que se baseia no processo básico de definição dum objecto, e posterior aplicação de acção, como por exemplo: uma pessoa (definição do objecto) sobe uma escada (aplicação de acção); ou ainda: um edifício muito velho (definição do objecto) desmoronou (aplicação de acção). Em organismos extremamente sociais como os hominíneos, a comunicação inter-individual destes conceitos teria sido fulcral para a sobrevivência dos grupos como um todo, o que levou, por sua vez, e em associação com a Inteligência Praxianafórica, ao desenvolvimento dum meio de comunicação destes conceitos, sob a forma duma pré-linguagem gestual, pré-sapiens. Contudo, à medida que o tempo foi passando, mas ainda pré-sapiens, teria sido gerado um conflito entre o desenvolvimento de utensílios e a execução desta pré-linguagem gestual, já que o binómio braços/mãos, evidentemente, não podia estar ocupado ao mesmo tempo com o desenvolvimento de utensílios e a execução da pré-linguagem gestual. Como o desenvolvimento de utensílios e afins trabalhos manuais, mais uma vez teria sido mais decisivo para sobrevivência dos hominíneos do que a execução da pré-linguagem gestual, mais ou menos a partir do Homo sapiens sapiens, uma nova forma de comunicação, já usada mas de forma pontual, ter-se-á afirmado como principal forma de expressão nos hominíneos: a linguagem verbal, que ainda hoje usamos. Esta teoria particular da origem da linguagem verbal é congruente com Corballis (2003). Sá-Nogueira Saraiva (2003a, 2003b, no prelo), na sequência da análise das cadeias operatórias (Boeda, 1994) do Olduvaico, do Acheulense e do Moustierense, tentou identificar as operações que seria necessário possuir, para conseguir gerar cada tipologia de instrumentos. Isso levou-o a apresentar uma tabela de operações (Sá-Nogueira Saraiva, 2003a), exemplos delas são Quebrar, Dividir, Inserir, etc., e chamou a esses conceitos de “Inteligência Praxianafórica”. Se essas operações praxianafóricas tiverem estado presentes em Homo fóssil, e se forem mais antigas do que a linguagem, pode-se presumir que a sua representação será mais accional do que linguística, no sentido de que será difícil decompor o conceito em elementos linguísticos mais simples, mas haverá tendência para os representar enquanto acção. Para testar esta ideia, Sá-Nogueira Saraiva (SNS e Alexandre 2002; SNS e Luís, 2003; SNS e Rosário, 2004), apresentaram a humanos de cerca de 20 anos, uma lista de palavras que eles deveriam explicar. Os resultados, analisados em termos das metodologias de Kendon (1980) e de McNeil (1992), são claros, no sentido de que os sujeitos usam significativamente mais gestos, para se referirem aos conceitos praxianafóricos, do que aos outros conceitos. No caso dos conceitos praxianafóricos, sucedeu que os sujeitos utilizaram apenas gestos para definir os conceitos apresentados, o que não ocorreu com nenhuma das outras categorias de conceitos. Este projecto tem como objectivo ajudar a consolidar a veracidade da Teoria da Inteligência Praxianafórica, através da sua hipótese principal: Há conceitos, denominados conceitos praxianafóricos ou accionais, mais associados às relações entre objectos físicos, que são mais expressáveis por comportamentos não-verbais, sob a forma de gestos, e por isso são mais transmitidos sob essa mesma forma, do que por comportamentos verbais sob a forma de palavras, e por isso são menos transmitidos sob essa mesma forma. Neste trabalho é ainda lançada uma semente para outros futuros trabalhos, sob a forma duma hipótese paralela, que estabelece o seguinte: Há conceitos, denominados conceitos emocionais, mais associados às emoções, que são mais expressáveis por comportamentos não-verbais, sob a forma de expressões faciais, e por isso são mais transmitidos sob essa mesma forma, do que por comportamentos verbais sob a forma de palavras, e por isso são menos transmitidos sob essa mesma forma. Tal como no passado, os sujeitos experimentados foram submetidos a aplicações, interagindo directamente com um computador, sendo 32 conceitos utilizados divididos por 5 famílias: Não Acção, Emoção (conceitos emocionais), Acção do Sujeito (conceitos praxianafóricos), Acção do Objecto (conceitos praxianafóricos) e Modificação. Para além de terem que explicar o significado dos conceitos, os sujeitos tiveram que responder, depois da explicação de cada conceito, a três perguntas relativas à expressão gestual, à expressão facial, e ainda à melhor forma de expressão. As aplicações foram gravadas por uma câmara web. Por tudo aquilo que é apresentado nos Resultados e na Discussão desta investigação, é possível afirmar com segurança, que a hipótese principal desta investigação foi completamente corroborada. Ou seja, há conceitos, denominados conceitos praxianafóricos ou accionais, mais associados às relações entre objectos físicos, que são mais expressáveis por comportamentos não-verbais, sob a forma de gestos, e por isso são mais transmitidos sob essa mesma forma, do que por comportamentos verbais sob a forma de palavras, e por isso são menos transmitidos sob essa mesma forma. Consequentemente, a Teoria da Inteligência Praxianafórica, ganha mais um apoio científico neste trabalho. Da mesma maneira, é possível afirmar com segurança, que a hipótese paralela desta investigação foi completamente corroborada. Ou seja, há conceitos, denominados conceitos emocionais, mais associados às emoções, que são mais expressáveis por comportamentos não-verbais, sob a forma de expressões faciais, e por isso são mais transmitidos sob essa mesma forma, do que por comportamentos verbais sob a forma de palavras, e por isso são menos transmitidos sob essa mesma forma. Consequentemente, este trabalho abre portas na direcção dessa hipótese.
This work aims to partly test the hypothesis of Praxianaphoric Intelligence Theory: that certain concepts evolved before language, and that among these concepts we are likely to find relations between things. These relations are expressed by language, by gesture and by facial expressions. The work is based on a conceptual analysis of archaeological lythic traditions, which suggested that the kind of intelligence required by the pre-sapiens traditions, involves the representation of different kinds of relations between objects, but that these relations were not necessarily verbal, in the modern sense of the word (Praxianaphoric Intelligence). If this idea is correct, the concepts corresponding to the actions involved in tool making, might still be represented, in Homo sapiens, as primarily actional. This hypothesis is tested by asking young adults to explain, by words, gesture and facial expressions, the meaning of several concepts, including praxianaphoric ones. Subjects are asked about the best representation of the concept, verbal, gestural or facial, that expresses that concept. As it is demonstrated in this investigation, with both quantitative and qualitative analysis, the actional concepts, named praxianaphoric concepts, are really more related to gesture than to language, just like emotional concepts, like To Be Angry, are more related to facial expressions than to language.
Description: Tese de mestrado. Biologia (Biologia Humana e Ambiente). Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, 2009
URI: http://hdl.handle.net/10451/3376
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