Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/36371
Título: As condicionais de se no português de Moçambique e no portugês europeu
Autor: Justino, Víctor Mércia
Orientador: Martins, Ana Maria
Gonçalves, Anabela
Data de Defesa: 26-Nov-2018
Resumo: O objetivo deste trabalho é o de contribuir para o conhecimento de aspetos semânticos e sintáticos das condicionais de se no Português de Moçambique (PM) e no Português europeu (PE). Neste estudo, considerou-se como base empírica dados, orais e escritos, extraídos de diferentes corpora do PM e do PE, e dados obtidos através de tarefas de produção provocada e juízos de gramaticalidade aplicadas a 25 sujeitos universitários moçambicanos. A análise semântica das condicionais de corpora do PE permite não só corroborar as descrições apresentadas na literatura (Ferreira 1996; Marques 2001 e 2016, e.o), como também apresentar aspetos que ainda não tinham sido identificados em trabalhos anteriores, como é, por exemplo, o facto de condicionais no modo conjuntivo expressarem a factualidade e de tempos do indicativo e alguns do conjuntivo poderem ser ambíguos e compatíveis com as três classes semânticas (factuais, hipotéticas e contrafactuais). Do ponto de vista sintático, os dados mostram que as condicionais de se podem ser integradas ou periféricas. As integradas são estruturalmente adjuntas a VP da matriz e as periféricas, a TP ou CP (Haegeman 2003; Lobo 2002b, 2003, 2006). Além disso, os resultados revelam que as factuais do PE, por poderem ser integradas e também periféricas, são distintas das de outras línguas, como o inglês, em que são apenas periféricas (cf. Haegeman 2003; Bhatt & Pancheva 2006). Defende-se que as condicionais integradas antepostas são geradas por Move, contrariando, assim, a hipótese de que seriam geradas por Merge (Iatridou 1991; Lobo 2003). A descrição semântica das condicionais do PM revela que não existem grandes diferenças entre o PM e o PE: há três classes semânticas (factuais, hipotéticas e contrafactuais) e a correspondência entre elas e o uso dos tempos/modos verbais não é biunívoca. No entanto, encontrámos algumas diferenças, entre o PM e o PE, em contextos em que, no PE, se usam de forma mais marcada tempos/modos verbais. Outras diferenças parecem resultar da ambiguidade do input do PE no que diz respeito à seleção dos tempos/modos verbais nas condicionais, e do facto de os falantes do PM operarem com regras gramaticais distintas: as comuns ao PE e as particulares do PM (ou seja, os falantes do PM exibem competências múltiplas; Gonçalves 2010, 2016, e.o, na linha de Lightfoot 2006). Quanto à sintaxe das condicionais do PM, os resultados mostram que, tal como no PE, há condicionais integradas e periféricas em cada uma das três classes principais. Do ponto de vista estrutural, as integradas ocupam uma posição relativamente baixa, que é a de adjunção a VP. Mas as integradas antepostas são derivadas por Move do interior do TP da matriz, onde são geradas, para a posição de especificador de tópico, por topicalização da oração adverbial condicional, na linha de Duarte (1987 ou 1996) e Valmala (2009). As periféricas são adjuntas a posições altas na frase, CP ou TP, e são geradas por Merge externo, à direita ou à esquerda destas categorias funcionais.
This study aims at contributing to a better understanding of semantic and syntactic aspects of se (‘if’) conditionals in Mozambican Portuguese (MP) and European Portuguese (EP). The study uses empirical oral and written data drawn from different MP and EP corpora, as well as from induced production and grammaticality judgment tasks applied to 25 Mozambican university respondents. The semantic analysis of EP conditionals mainly corroborates the descriptions found in the literature (Ferreira 1996; Marques 2001 and 2016, a.o), but it also identifies new relevant aspects that had not been addressed in previous studies, such as the fact that subjunctive conditionals can express factuality, and that indicative and some subjunctive tenses may allow ambiguity and hence be compatible with the three semantic classes (factual, hypothetical and counterfactual). Syntactically, the data show that ‘se’ conditionals may be integrated or peripheral. Integrated conditionals are structurally adjunct to a matrix VP, whereas peripheral conditionals are attached to TP or CP (Haegeman 2003; Lobo 2002b, 2003, 2006). Besides, the results of the application of standard tests to distinguish between integrated and peripheral conditionals show that EP factual conditionals behave differently from those found in other languages because they may be integrated or peripheral, whereas for example in English, factual conditionals are always peripheral (Haegeman 2003; Bhatt & Pancheva 2006). It is argued that EP integrated se-initial conditionals are generated by Move, against the hypothesis that they are generated by Merge (Iatridou 1991; Lobo 2003). The semantic description of conditionals in MP shows that there are no major differences relative to EP conditionals: there are the same three semantic classes (factual, hypothetical and counterfactual) and the correspondence between them and the use of the verb tenses/moods is not biunivocal/simple. However, some differences could be found after close scrutiny, particularly in contexts where in EP certain verb tenses/moods are used in a more marked way than in MP. Other differences seem to be the result of ambiguous EP input regarding the selection of tenses/moods in conditionals, and the fact that MP speakers seem to be able to operate with grammatical rules common to EP in parallel with particular rules of MP. That is, as Gonçalves (2010, 2016, a.o), in line with Lightfoot (2006) would say it, MP speakers accommodates multiple competences. Syntactically, the results of the application of standard tests show that, as in EP, MP displays integrated and peripheral conditionals in each of the three main semantic classes. Structurally, integrated conditionals are merged as VP adjuncts and typically surface in this relatively low position, but they may Move from the matrix TP where they are generated to Spec,TopP, by means of topicalization of the conditional adverbial clause, hence becoming se-initial conditionals. This is in line with Duarte (1987 or 1996) and Valmala (2009). Peripheral conditionals are merged higher in the clausal structure, as left or right adjuncts to CP or TP.
URI: http://hdl.handle.net/10451/36371
Designação: Doutoramento no ramo de Linguística, na especialidade de Linguística Portuguesa
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