Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/3677
Título: A decisão contra o silêncio: génese e transmissão de testemunhos
Autor: Graça, Virgínia Pacheco,1948-
Orientador: Tamen, Miguel,1960-
Palavras-chave: Narrativa
Anti-semitismo - Europa - séc.20
Filosofia literária
Teses de doutoramento - 2003
Data de Defesa: 2003
Resumo: A necessidade de contar, que se exacerba quando sucede a experiências extremas, está na origem de todas as histórias. A diferição que ocorre frequentemente entre essas experiências e a narração delas é devida à procura imprescindível de uma linguagem comum ao narrador e ao ouvinte, o que nem sempre se caracteriza pela facilidade. Assim, por exemplo, os sobreviventes do Holocausto tiveram de proceder a traduções de várias ordens para não só construirem o seu testemunho de uma forma adequada à convivência com as suas recordações, como para o poderem transmitir aos outros e obter a sua aceitação; enfim, para conseguirem, de facto, sobreviver. Gerda Weissmann, Primo Levi, Art Spiegelman, Barbara Puschman e alguns outros são casos exemplares da existência destas questões – em que os conceitos de vítima e de culpado não são inconciliáveis – embora cada um deles com a sua especificidade, determinante de narrativas testemunhais genologicamente diferentes. Não obstante a escolha feita por cada um destes narradores da forma de contar as suas experiências, todos eles decidiram, mais cedo ou mais tarde, motivados por um ou outro estímulo, gerar uma história transmissível e fascinante na sua vitória sobre o silêncio.
Abstract: The need to tell, which is exacerbated by extreme experiences, is the source for every story. The time span that frequently occurs between these experiences and their narration is caused by the unsurpassable quest for a language common to the narrator and the listener, which is not always easy, but often a difficult process. Thus, the survivors of the Holocaust, for instance, had to make several sorts of translations, not only to construct their testimony in such a way that they could live with their own memories, but also to be able to transmit it and get the acceptance of other people; in sum, to be able to actually survive. Gerda Weissmann, Primo Levi, Art Spiegelman, Barbara Puschman and many others are exemplary cases of the existence of these questions – for which the concepts of victim and perpetrator are not incompatible – each of them obviously with their own specificity, determining the different types of testimonial narratives. Despite each narrator’s choice of the way to tell her or his experiences, every one of them decided, sooner or later, for all kind of reasons, to create a transmissible and fascinating story in its victory over silence.
Descrição: Tese de doutoramento, Teoria da Literatura, Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, 2003
URI: http://hdl.handle.net/10451/3677
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