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Título: Garção num bairro moderno: que linguagem para a poesia?
Autor: Rosa, Susana,1977-
Orientador: Tamen, Miguel,1960-
Palavras-chave: Garção,Correia,1724-1772
Arcádia lusitana
Poesia portuguesa - séc.18
Imitação na literatura
Teses de mestrado - 2005
Issue Date: 2005
Resumo: Sendo a segunda metade do século XVIII, em Portugal, marcada pela convivência de tendências barrocas e classicizantes, Correia Garção destaca-se, entre aqueles que integraram a Arcádia Lusitana, pela complexidade que subjaz à sua relação com a tradição. No seguimento das reflexões literárias produzidas desde finais do século XVII, o poeta dirige a actividade pedagógica arcádica, dando especial relevo à imitação. Esta institui-se como delicado processo, através do qual se adquirem os instrumentos entendidos como necessários para se assumir a condição de «bom poeta»: são eles o estudo e assimilação dos modelos, gregos, latinos e portugueses de Quinhentos; o uso moderado de uma imaginação que se encontra ao serviço do entendimento; a recuperação da pureza do idioma. A Arcádia pretendeu, adoptando a crítica como método, restaurar a Eloquência e Poesia portuguesas, após um prolongamento excessivo da estética barroca. Correia Garção entendeu o processo imitativo como garantia da consecução dos objectivos arcádicos. Todavia, a sua obra poética não se resume à composição segundo os princípios e regras estipulados pela estética clássica. O poeta reavalia o significado e abrangência do conceito de imitação, conferindo-lhe uma dupla funcionalidade: ora o aplica ao interior da literatura, possibilitando a formação através dos modelos, ora lhe confere uma amplitude extraordinariamente nova, defendendo a superação dos mesmos. O exercício de superação, por si só, era já aclamado por Horácio. Porém, a leitura que Garção faz da Arte Poética do mesmo lança-o numa arrojada descoberta: paralelamente aos motivos clássicos, o poeta compõe sobre quadros retirados do quotidiano lisboeta, empregando uma linguagem nova em poesia, porque coloquial, desprovida de alegorias e construções complexas. Mantendo as formas clássicas, e procurando um espaço mais amplo para fazer poesia, Garção supera a sua própria tradição aproximando-se de um concreto que só se encontrará mais tarde em Cesário Verde. Esta inovação da poesia de Garção justifica então uma reflexão sobre a verdadeira abrangência do Neoclassicismo português.
Abstract: As the second half of the 18th century, in Portugal, was known by the intimacy between the Baroque and Classic tendencies, Correia Garção distinguishes himself, among those who were part of the Arcádia Lusitana, for the complexity that sublies in his relation with tradition. Pursuing the literary reflections produced since the end of the 17th century, the poet manages the Arcadia pedagogic activity, especially in what concerns imitation. This is a delicate process, through which it is acquired the said needed tools to assume the “good poet” status as follows: the study and assimilation of the Greek, Latin and Portuguese models of the Five hundred period; the imagination moderate use that serves understanding; the recovering of the purity of the language. The Arcadia’s intention, adopting the critic as method, was to restore the Portuguese Eloquence and Poetry, after an excessively long Baroque aesthetic. Garção understood the imitative process as a guarantee for the success of the Arcadia goals. However, his poetic legacy isn’t only reduced to the writing that follows the principles and rules of the classic aesthetic. The poet re-evaluates the meaning and embracement of the imagination concept, giving it a double functionality: he can both apply it to the interior of literature, allowing formation through models; and, at the same time, gives it extraordinary new amplitude, defending its overcoming. The overcoming process, in its own right, was, already, clamed by Horace. Nevertheless, the reading that Garção does of his poetic’s takes him in a daring discovery: parallelly to the classic motives, the poet writes about real daily life pictures of people from Lisbon, using a new language in poetry, because it’s colloquial, without allegories or complex constructions. Keeping the classic forms, and seeking a wider space to do poetry, Garção overcomes his own tradition getting close to a concrete that will only be found later on in Cesário Verde. This innovation in Garção’s poetry justifies a reflection about the true embracement of the Portuguese neoclassicism.
Descrição: Tese de mestrado, Teoria da literatura, Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, 2005
URI: http://hdl.handle.net/10451/3696
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