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Título: Adesão ao regime medicamentoso em idosos na comunidade : eficácia das intervenções de enfermagem
Autor: Henriques, Maria Adriana Pereira, 1959-
Orientador: Costa, Maria Arminda S. Mendes, 1949-
Cabrita, José, 1954-
Palavras-chave: Pessoa idosa
Medicação
Enfermagem
Consulta e encaminhamento
Teses de doutoramento - 2010
Issue Date: 2011
Resumo: A não adesão à medicação é considerada como um aspecto de saúde relevante para a prática de enfermagem, que afecta grande parte dos idosos. Estudar a adesão à medicação foi o modo de percebermos como as pessoas idosas gerem a sua medicação e como os enfermeiros os podem ajudar no processo de gestão da doença crónica. Realizámos o Estudo I, observacional, transversal e descritivo, com pessoas com 65 ou mais anos, que residiam na comunidade, em domicílio familiar, em meio urbano, inscritos num Centro de Saúde Lisboa; Estudo II, de intervenção, não farmacológico, do tipo experimental, em que a exposição foi a participação do idoso polimedicado num plano individualizado de intervenções de enfermagem; Estudo III, focus group que permitiu compreender as necessidades que os idosos tinham na gestão do regime medicamentoso e na adesão à medicação. Os 341 idosos incluídos no estudo I apresentaram uma média de 76 anos de idade, em que 7% tinha mais de 85 anos, 72,4% eram mulheres, apresentavam baixa escolaridade, fraco estado de saúde percepcionado, excesso de peso, sem quedas no último ano, autónomas na locomoção, na autonomia física e instrumental, com insatisfatório estado emocional, bom estado cognitivo, insatisfatório estado social e com hábitos (exercício e alimentação) satisfatórios. A qualidade de vida geral percepcionada apresentou uma média de 55,9, no domínio físico 59,8, no psicológico 63,1, nas relações sociais 75,50 e no ambiente 57,78. Declararam uma média de 2,82 doenças auto-relatadas (DP=1,59;Min= 0 e Max = 7), em que as doenças mais prevalentes são hipertensão (61,5%), hipercolesterolémia (50,6%), doenças osteo-articulares (40,6%) e diabetes (15,6%). Os idosos inquiridos têm uma média 5,61 medicamentos prescritos (DP = 3,13; Min=0 e Max =18) e 72,1% tomam 4 ou mais medicamentos, sendo por isso considerados polimedicadas. Dos 1902 medicamentos prescritos, os grupos de medicamentos mais utilizados são: sistema cardiovascular 41%, sistema nervoso 20,4%, tracto gastrointestinal 14,2% e músculo-esquelético 9,6%. O Índice de Complexidade Medicamentosa (ICM) tem um valor médio de 13,25 (DP= 7,87; Min = 0 e Max = 40) com fraca associação com o número de doenças auto-relatadas (r de Spearman = 0,37, p <0,001). Cerca de 87% dos idosos declaram aderir à medicação. Os preditores de adesão são a autonomia física (p=0,012;OR = 0,28; IC = 0,10-0,84), a polimedicação (p = 0,011;OR = 0,47;IC=0,26-0,86), conhecimentos dos medicamentos (p=0,035;OR= 1,90; IC= 1,02-3,51), as multipatologias (p = 0,047; OR = 0,53;IC = 0,28-0,98) e a doença auto-declarada – hipercolesterolémia (p=0,014;OR = 0,50; IC = 0,28-0,87). Das razões de não adesão à medicação, o esquecimento surge em 60,5% dos inquiridos, 24,4% não os tinha consigo na hora da toma, 14,5% considera que não tomar de vez em quando não faz mal, 12,8% não tinha dinheiro para os comprar e 7,6% tentou poupar dinheiro. A necessidade de ajuda para gerir a medicação é declarada por 36,1% das pessoas idosas. O estudo II permite concluir que as intervenções de enfermagem (aconselhamento sobre os medicamentos, controlo dos medicamentos e ensino sobre os medicamentos) revelam eficácia no aumento de adesão ( Χ2 =33,70; p <0,001). RR =5,33; IC (95%) = [2,50-11,37]). O score de adesão no grupo de intervenção, no momento final é de 4,6 e 4,4 no grupo de controlo. Não se verifica diferença entre o grupo de intervenção e o grupo de controlo, na qualidade de vida das pessoas idosas e nas idas às urgências e internamento hospitalar. O Estudo III permitiu identificar e compreender, dando “voz” às pessoas idosas, que viver com medicamentos é um processo dinâmico e complexo, que tomar medicamentos é percepcionado pelas pessoas idosas como uma consequência da idade, integrando essa acção na sua vida como um hábito que implica mudanças nas rotinas da vida diária. As crenças que as pessoas têm sobre os medicamentos explicam uma parte da não adesão. A disponibilidade do profissional de saúde, nomeadamente o enfermeiro, para ouvir e ajudar as pessoas de forma individualizada e continuada são consideradas pelos idosos como ajudas úteis na gestão da doença, da medicação e podem contribuir para o aumento da adesão à medicação. A consulta de enfermagem como contexto de cuidados, onde as intervenções de enfermagem contribuíram para um aumento de adesão à terapêutica nas pessoas idosas, deve ser integrada na organização dos cuidados de enfermagem, em cuidados de saúde primários, no cuidado à pessoa idosa. Este contexto de cuidados permite individualizar um plano de intervenção de cuidados de enfermagem às pessoas idosas. O nosso trabalho evidência que a adesão à medicação é um indicador sensível aos cuidados de enfermagem, onde a intervenção do enfermeiro, numa unidade de cuidados de saúde primários, privilegia a qualidade da comunicação e relação com os idosos e os ajuda a melhorar a gestão da sua medicação e do seu estado de saúde, sendo por eles reconhecida.
Non-adherence to medication is a phenomenon in nursing perceived to be an important health issue for the practice of nursing (CIPE) and which affects large numbers of elderly people. Studying adherence to medication enabled us to understand how the elderly manage their own medication intake and how nurses can help them manage chronic disease. Study I was observational, cross-sectional and descriptive, and involved studying people aged 65 or above living in the community, at home, urban, and registered at a Health Centre in Lisbon; Study II was interventional, non-pharmacological and experimental, involving aged people taking distinct types of drugs and subject to individual nursing intervention. Study III was carried out by means of a focus group which allowed understanding the needs of the elderly in managing their medicine intake and adherence to medication. The average age of the 341 elderly people who took part in Study I was 76 years, of whom 7% were above 85 years of age, while 72.4% were women. The group had a low education level, weak health, was overweight, had suffered no falls in the previous year, and could walk unassisted, denoting physical and instrumental autonomy, low emotional condition, good cognition, inadequate social conditions and satisfactory habits (exercise and dietary). The perceived quality of life indicated an average of 55.9 59.8 in physical terms, 63.1 in psychological terms, 75.0 with regard to social relations, and 57.78 in environmental terms. They declared an average of 2.82 self-reported illnesses (DP=1.59;Min= 0 and Max = 7), the most prevailing diseases being hypertension (61.5%), high cholesterol levels (50.6%), joint diseases (40.6%), and diabetes (15.6%). The elderly who were interviewed took an average of 5.61 prescribed medicines (DP =3.13; Min=0 and Max =18) and 72.1% took 4 or more drugs, for which reason they are considered multiple drug takers. Out of the 1902 drugs prescribed, the most used groups addressed the following medical conditions: cardiovascular system 41%, nervous system 20.4%, gastrointestinal tract 14.2%, and muscular-skeletal system 9.6%. The Medication Complexity Index (MCI) showed an average value of 13.25 (DP= 7.87; Min = 0 and Max = 40) and a weak association with the number of self-reported illnesses (Spearman’r = 0.37, p <0.001). About 87% of the elderly stated they adhered to prescribed medication. The predictors of adherence were physical autonomy (p=0.012; OR = 0.28; IC =0.10-0.84), multiple drug intake (p = 0.011; OR = 0.47; IC=0.26-0.86), knowledge of drugs (p=0.035; OR= 1.90; IC= 1.02-3.51), multiple pathologies (p = 0.047; OR = 0.53; IC= 0.28-0.98) and self-declared diseases –high cholesterol level (p=0.014; OR = 0.50; IC = 0.28-0.87). As part of the reasons for non-adherence to medication, 60.5/ of the patients indicated forgetfulness, 24.4% stated they did not have them with them at the time of intake, 14.5% said that missing medication occasionally was not a problem, 12.8% indicated they had no money to buy them, and 7.6% did it as a means to save money. The need of assistance in managing drug intake was advanced by 36.1% of the elderly. Study II allowed us to conclude that nursing interventions (giving advise on drugs, drugs control and drug education) are effective in increasing adherence (Χ2 = 33.70; p <0.001). RR = 5.33; IC (95%) = [2.50-11.37]). The adherence score of the intervention group was, at the final stage, of 4.6, and of 4.4 with regard to the control group. There was no difference between the intervention and the control groups in terms of life quality of the elderly and in attendance of emergency rooms and of hospitalization. Study III enabled us to identify and understand, by giving a “voice” to the elderly, that living with drugs is a dynamic and complex process, and that taking medication is perceived by elderly people as a consequence of their ageing, which requires them to include that process in their lives as a habit implying changes in their daily routines. Beliefs people have about drugs account, to some extent, for non-adherence. The elderly consider that the willingness of health professionals, namely nurses, to listen and offer individual and ongoing assistance are useful forms of help in managing their illnesses and medication, and, accordingly, may contribute to increasing adherence to medication. Nursing appointments as part of care, where nursing interventions have contributed towards an increase in adherence to therapy by the elderly, should be included in the organization of nursing care, in primary health care, and in the care of the elderly. This care allows individualized nursing intervention plans for the elderly. This work demonstrates that adherence to medication is a sensitive indicator for nursing care, where the intervention of the nurse within a primary health care unit privileges the quality of communication and the relationship with the elderly, helping them to improve the management of their drug intake and health, a fact that they actually acknowledge
Descrição: Tese de doutoramento, Enfermagem, Universidade de Lisboa, com a participação da Escola Superior de Enfermagem, 2011
URI: http://hdl.handle.net/10451/3801
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