Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/3822
Título: O exercício do poder nos cuidados de enfermagem : os cuidados de higiene
Autor: Salvado, Maria Manuela Geraldes Gândara Janeiro, 1952-
Orientador: Botelho, Maria Antónia Rebelo, 1955-
Palavras-chave: Cuidados de enfermagem
Higiene
Vulnerabilidade
Corpo
Teses de doutoramento - 2010
Data de Defesa: 2010
Resumo: O poder dos cuidados de enfermagem ora se situa numa perspectiva libertadora e potencializadora das capacidades em presença, ora numa perspectiva redutora em que a dominação sobre o outro acontece. Um conhecimento mais aprofundado do fenómeno do poder e das estratégias utilizadas pelo enfermeiro num momento em que o doente se encontra mais vulnerável e frágil, como são os cuidados de higiene, permite uma consciencialização de um fenómeno que ocorre no seio da interacção enfermeiro-doente, e que interroga a compreensão do doente enquanto sujeito de cuidados, questiona os modos de acção do enfermeiro e questiona a própria finalidade do cuidado. A fim de compreender os modos e mecanismos do exercício do poder que emergem na interacção com o doente, no momento dos cuidados de higiene, e analisar as estratégias de poder usadas pelo enfermeiro nestes cuidados, utilizou-se o estudo de caso. Seleccionado o contexto de um serviço de medicina interna, usou-se a observação participante e as entrevistas formais e informais como métodos de recolha de dados. Os resultados evidenciaram que os enfermeiros exercem um poder através de duas modalidades: uma que se exerce pela linguagem, usando um discurso mais personalizador ou mais regulador da acção; outra através do controlo da participação nos cuidados através do controlo do envolvimento, do tempo e da comunicação. Estas modalidades são influenciadas pela interpretação que o enfermeiro faz do contexto organizacional, do sentido atribuído aos cuidados de higiene e da pessoa do doente. Elas fluem e alternam-se no decurso da mesma interacção de cuidados de higiene, surgindo como uma acção ou reacção ao outro. São modalidades de exercício que são situacionais, variáveis e imprevisíveis. O exercício do poder do enfermeiro surge como um poder agir com e sobre o outro. É um exercício que não é reconhecido como tal, escondendo-se sob o carácter beneficente da acção, sendo muito condicionado pelo modo como o contexto é interpretado e vivenciado. É um exercício que não comporta uma intencionalidade nem um reconhecimento dos seus efeitos e consequências, e que revela um espaço de liberdade do enfermeiro para determinar os mecanismos e estratégias de poder a usar na interacção com o doente.
The power of nursing care can be interpreted as a liberating and potentiated force enlarging both nurse and patient capacities or as a reductionist approach in which the domination over the other happens. A deeper understanding of the phenomenon of power and the strategies used by nurses in a moment where the patient is more vulnerable and fragile, like hygiene care, allows the consciousness of a phenomenon that occurs in the heart of the nurse-patient interaction and question the meaning of the patient as a subject of care, questions the way the nurse care and questions the purpose of caring. With this study case I want to understand the modes, and mechanisms of power that emerge in a hygiene body care interaction and to analyze the power strategies used by nurses in these care situations. The study context selected was a ward medicine and as data collection techniques I used participant observation and formal and informal interviews. Qualitative data analyses shows that nurses used two power modalities: language, through the use of a more personalized or regulator discourse, and the control of participation in care through an involvement, time and communication control. These modalities are influenced by the context of care, the meaning nurses give to hygiene care and the way nurses interpret the person cared for. Both modalities flow and interchange mutually in the hygiene care as an action or a reaction to the patient. These are modalities of power exercise that are situational, variable and unpredictable. The nurse power exercise appears as a power to act with and over the other. Is a power exercise not recognized as such and hidden itself under the beneficent character of the action and much conditioned by the lived experience and interpretation of the context of care. Is an exercise without any intentionality or a recognition of its effects and consequences, revealing a space of freedom nurse has to determine the power mechanisms and strategies to be used in a nurse-patient interaction.
Descrição: Tese de doutoramento, Enfermagem, Universidade de Lisboa, com a participação da Escola Superior de Enfermagem, 2011
URI: http://hdl.handle.net/10451/3822
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