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http://hdl.handle.net/10451/4593
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| Title: | Staphylococcus aureus resistentes à meticilina (MRSA) : estudo do papel dos lares de terceira idade no ciclo epidemiológico entre o hospital e a comunidade |
| Authors: | Nunes, Maria João Velez, 1981- |
| Advisor: | Miragaia, Maria Lencastre, Hermínia Garcez de Hänscheid, Thomas, 1964- |
| Keywords: | Doenças transmissíveis emergentes Staphylococcus aureus Staphylococcus aureus resistente à meticilina Epidemiologia Lares de idosos Hospitais Teses de mestrado - 2011 |
| Issue Date: | 2011 |
| Abstract: | A bactéria Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) é um dos
agentes patogénicos humanos com maior relevância a nível hospitalar e tem
surgido recentemente também como causa de infecções em pessoas sadias na
comunidade. Os utentes dos lares de Terceira Idade são uma população
particularmente vulnerável a infecções por MRSA, não só pela debilidade do
seu sistema imunitário, mas porque frequentam com regularidade os hospitais.
Apesar da sua importância desconhece-se qual a frequência, origem e tipos
clonais de MRSA existentes nos lares de Terceira Idade em Portugal, assim
como não está esclarecido qual o papel dos utentes destas instituições no ciclo
epidemiológico de MRSA entre o hospital, lares e comunidade. Neste estudo
contribuímos para o esclarecimento destas questões.
Foram recolhidos 133 isolados de S. aureus de 307 pacientes no concelho de
Évora durante um período de 12 meses, nomeadamente: nos serviços de
internamento e de urgência do Hospital do Espírito Santo de Évora e em dez
lares de Terceira Idade deste concelho. Após identificação da espécie e
determinação do perfil de resistência a um painel de 21 agentes
antimicrobianos, foi testada a presença do determinante de resistência à
meticilina (mecA) e da leucocidina Panton Valentine (PVL) por reacção em
cadeia da polimerase (PCR, de polimerase chain reaction). A caracterização
molecular foi feita por electroforese em campo pulsado (PFGE, de pulsed-field
gel electrophoresis) e isolados representativos foram adicionalmente
analisados por tipagem do gene spa e do elemento SCCmec (de,
staphylococcal cassette chromosome mec).
Nos lares de Terceira Idade encontrou-se uma frequência de MRSA de 16%.
Da totalidade de S. aureus identificados nos lares de Terceira idade, verificouse
que 37% correspondiam a isolados de MSSA e MRSA epidémicos do
hospital e 16% correspondiam a isolados de MSSA relacionados com clones
epidémicos da comunidade.
A taxa de MRSA encontrada na comunidade (4%) foi superior à encontrada em
2001 (menos de 1%), mas semelhante à frequência de CA-MRSA encontrada
em doentes sem contacto prévio com o hospital e que recorreram ao hospital
em 2009 em Portugal (5%). Os resultados sugerem que a frequência de MRSA
associada à comunidade (CA-MRSA) aumentou no nosso país na última
década. A única estirpe MRSA isolada deste ambiente pertencia a um clone
tipicamente hospitalar (ST5-II).
De igual forma a taxa de MRSA no hospital foi superior (57%) aos valores
reportados em anos anteriores, tendo-se encontrado uma elevada diversidade
genética. Grande parte dos isolados de MRSA pertencia ao clone EMRSA-15
(46%), mas também foram encontrados isolados pertencentes aos clones
USA800 (ST5-IV), USA700 (ST72-IV), USA100 (ST5-II) e Clone Italiano
(ST228-I).
A grande maioria dos isolados MRSA era multiresistente (85%), tendo-se
encontrado uma elevada frequência de resistência às quinolonas (37%) e
macrolidos (34%). No entanto, nenhum isolado de S. aureus continha a
leucocidina PVL.
As relações epidemiológicas identificadas entre lares, hospitais e comunidade
foram marcadamente diferentes para MSSA e MRSA. Enquanto se observou haver uma extensa e livre disseminação de estirpes MSSA entre estes três
ambientes, a disseminação de MRSA verificou-se ser bastante menos extensa,
realizando-se apenas entre lares e hospitais e sendo limitada a tipos clonais
específicos transportando o SCCmec tipo IV (ST22-IVh e ST5-IV).
Methicillin-resistant Staphylococcus aureus (MRSA) is one of the most relevant
human pathogens in hospitals and has been frequently identified as a cause of
infections in healthy individuals in the community. Long term care facilities
(LTCF) residents are a population particularly vulnerable to MRSA infections,
not only because they are usually immunocompromized but also because they
often attend hospitals.
In spite of its clinical relevance, the frequency, origin and population structure of
MRSA in LTCF in Portugal is unknown. Moreover, the role of the LTCF in the
epidemiological cycle of MRSA between the hospital, community and LTCF is
not clarified. In this study we contributed to the clarification of these issues.
A collection of 133 S. aureus isolates was recovered from 307 patients in
Hospital do Espírito Santo in Évora during a 12 month period and in ten LTCF
of the same geographic location. Isolates were identified at species level and
their susceptibility tested to a panel of 21 antimicrobial agents. The presence of
the genetic determinant for methicillin resistance (mecA) and of the Panton
Valentine leucocidin (PVL) was tested by polymerase chain reaction (PCR) and
the genetic background characterized by pulsed-field gel electrophoresis
(PFGE). Representative isolates were additionally characterized by spa typing
and staphylococcal chromosome cassette mec (SCCmec) typing.
We found a 16% MRSA frequency in LTCF. From the global number of the
identified S. aureus isolates in LTCF, 37% were MSSA and MRSA related to
hospital epidemic clones and 16% were MSSA related to community epidemic
clones.
In the community environment the frequency of MRSA found was considerably
higher (4%) than that previously determined in Portugal in 2001 (less than 1%)
and similar to the CA-MRSA frequency found in Portugal in 2009 in patients
without any previous contact with hospital environment (5%). The results
suggest that the frequency of community-associated MRSA (CA-MRSA) in our
country has increased in the last decade. The single MRSA isolate collected in
this environment corresponded to a typical hospital-associated clone (ST5-II).
Likewise the frequency of MRSA in the hospital was found to be higher than
that determined in previous years. The population structure was found to be
composed by a high genetic diversity in clonal types. In particular, we found that
a great part of MRSA belonged to EMRSA15 (46%), but we also found isolates
that belonged to USA800 (ST5-IV), USA700 (ST72-IV), USA100 (ST5-II) and
Italian Clone (ST228-I).
Overall the great majority of the MRSA isolates found were multidrug resistant
(85%) and a high frequency of resistance to quinolones (37%) and macrolides
(34%) was identified. Nevertheless, none of the isolates carried the PVL.
The type of epidemiological relations identified between LTCF, hospital and
community were markedly different for MRSA and MSSA. MSSA isolates were
found to extensively and freely disseminate between the three environments.
But MRSA dissemination was less extensive, restricted to LTCF and hospitals,
and only observed in clonal types carrying SCCmec IV (ST22-IVh and ST5-IV). |
| Description: | Tese de mestrado, Doenças Infecciosas Emergentes, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2011 |
| URI: | http://hdl.handle.net/10451/4593 |
| Appears in Collections: | FM - Dissertações de Mestrado
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