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Título: Viagem e utopia em J.-M. G. Le Clézio, Le chercheur d'or e Voyage à Rodrigues
Autor: Santos, Maria Paula Silva Costa dos
Orientador: Martins, Maria de Lourdes Câncio,1944-
Palavras-chave: Le Clézio,J. M. G.,1940-
Romance francês - séc.20
Viagens
Utopias
Distopias
Identidade
Teses de mestrado - 2009
Issue Date: 2009
Resumo: Em Le Chercheur d'or (1985) e Voyage à Rodrigues (1986), dois romances da autoria de J.-M. G. Le Clezio, e a viagem que estrutura a narrativa, criando uma ruptura entre o mundo civilizado, conhecido, e um outro, da natureza exaltada, que se deseja e se procura, ao sustentar assim a problematica da utopia. Como no modelo legado por Thomas More, a viagem permite, nestes textos, o distanciamento critico face a sociedade distopica, identificada com a civilizacao ocidental, ao mesmo tempo que propicia a defesa e a adesão aos valores e as praticas das culturas tradicionais, em comunhao com os elementos. Para aceder a este mundo da pureza original, os sentidos constituem um meio de acesso privilegiado. Le Clezio revela-nos que o que e utopico para uns e distopico para outros, que o seu sonho pode, a qualquer instante, tornar-se um pesadelo. Nestes textos, podemos observar uma dualidade permanente, uma tensao sem resolucao entre anti-utopia e utopia, assinalando o modo proprio do autor abordar e problematizar o genero. Trata-se de um projecto utopico abrangente que reflecte as fronteiras da ilha geografica no espaco da interioridade. Nesta perspectiva original, a viagem da utopia adquire uma dimensao ontologica, iniciatica e onirica. De configuracao espiralar, ela implicara o retorno do sujeito ao ponto de origem, como uma busca de si proprio, associando-se, todavia, a uma evolucao e transformacao. A utopia lecleziana da introspeccao parece assim situar-se a meio termo entre uma visao regressiva e progressista, projectando o ser na descoberta da sua identidade. A viagem utopica que nos propoe le Clezio nao se inscreve todavia num trajecto linear. Segue antes por caminhos labirinticos, rizomaticos, da perda e do reencontro ciclicos, dos meandros sinuosos, que o leitor «cooperante» percorre, numa tentativa de desvendar os sentidos ocultos do texto, desenvolvido segundo os principios da estetica pos-moderna, do heterogeneo, do descontinuo e do fragmentario. Por entre um interminavel jogo de reflexos, de estruturas especulares apoiadas na mise en abyme, herdada do Nouveau Roman, e recorrendo a tecnicas de multiplicacao, acumulacao e cruzamento de registos semióticos diferentes, Le Clezio apresenta uma forma actualizada do projecto utopico. Criando uma ruptura com movimentos literarios anteriores, mas tambem prolongando certas linhas da tradicao literaria, como a romantica e a simbolista, o autor produz uma obra assente na reescrita e na recomposicao que insistentemente procura a sua identidade perfeita e total.
Dans Le Chercheur d'or (1985) et Voyage à Rodrigues (1986), deux romans ecrits par J.- M. G. Le Clezio, c'est le voyage qui structure le recit, dans la mesure ou il cree une rupture entre le monde civilise, connu, et celui d'une nature vantee qu'on desire et on cherche, en soutenant de cette facon la problematique de l'utopie. Selon le modele legue par Thomas More, le voyage permet, dans ces textes, l'eloignement critique face a la societe distopique, assimilee a la civilisation occidentale, en meme temps que la defense et l'adhesion aux valeurs et aux pratiques des cultures traditionnelles, en communion avec les elements. Pour acceder a ce monde de la purete originale, les sens seront toujours un moyen d'acces privilegie. Le Clezio nous montre que ce qui est utopique pour les uns est distopique pour les autres, que leur reve peut, a un moment donne, devenir un cauchemar. Dans ces conditions, il y aura toujours une dualite, une tension sans resolution entre anti-utopie et utopie, qui designe une facon tres personnelle d'aborder et de problematiser le genre. Il s'agit d'un projet utopique etendu qui reflete les frontieres de l'ile geographique dans l'espace de l'interiorite. Cela etant, le voyage de l'utopie acquiert une dimension ontologique, initiatique et onirique. Par sa configuration spiralee, il dicte le retour du sujet au point de depart, comme une quete du soi et du même, en signalant une evolution et une transformation. Aussi l'utopie leclezienne de l'introspection concoit-elle finalement un modele hybride, base sur une vision simultanement regressive et progressiste, qui projette l'etre dans la decouverte de sa veritable identite. Le voyage utopique que Le Clezio nous propose ne s'inscrit pas toutefois dans un trajet lineaire. Il suit des chemins labyrinthiques, rhizomatiques, de la perte et de la rencontre cycliques, des meandres zigzagants, que le lecteur «cooperateur» parcourt, a la recherche des sens multiples du texte, celui-ci etant produit selon les principes de l'esthetique postmoderne, de l'heterogene, du discontinu et du fragmentaire. Parmi un interminable jeu de reflets, de structures speculaires appuyees sur la mise en abyme, heritee du Nouveau Roman, et en recourant a des techniques de multiplication, accumulation et croisement de registres semiotiques differents, Le Clezio presente un modele actualise du projet utopique. En creant une rupture avec des mouvements litteraires anterieurs, mais en prolongeant aussi certaines lignes de la tradition litteraire, comme celle du Romantisme ou du Symbolisme, l'auteur produit une oeuvre de reecriture et de recomposition qui cherche son identite parfaite et totale.
Descrição: Tese de mestrado, Estudos Românicos (Estudos Franceses), Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, 2009
URI: http://catalogo.ul.pt/F/?func=item-global&doc_library=ULB01&type=03&doc_number=000571243
http://hdl.handle.net/10451/460
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