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Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10451/4768

Título: Effect of inflammation on bone : biological, structural and mechanical behavior
Autor: Lopes, Joana Ribeiro Caetano, 1982-
Orientador: Fonseca, João Eurico Cortez Cabral da, 1969-
Konttinen, Yrjö Tapio, 1952-
Palavras-chave: Teses de doutoramento - 2011
Issue Date: 2011
Resumo: The term osteoimmunology was used for the first time in 2000 to describe the interaction of cells from the immune system and bone These two systems have several regulatory factors in common, such as cytokines, transcription factors and receptors. Consequently, they interact with each other both in physiological and pathological conditions. The aim of this dissertation thesis was to understand the effect of immune mediated inflammation on bone structural, mechanical and biological behaviour, using rheumatoid arthritis (RA) and fracture healing as a model. The first study of this thesis focused on the analysis of the effect of arthritis on bone biomechanical behavior. An animal model of arthritis, the SKG mice, was used and bone behavior was evaluated by mechanical three-point bending tests. Scanning electron microscopy (SEM) and multiphoton microscopy (MPM) were applied to study, respectively, bone structure and the collagen network organization in trabecular bone. Results from this study have shown that arthritic bones had poor biomechanical quality compared to control bones. MPM and SEM observations disclosed signs of impaired collagen organization and poor trabecular architecture. In this work we verified that chronic inflammation per se leads to impairment of bone biomechanics in terms of stiffness, ductility and ultimate strength. In the same model, we then proceed to study the effect of inflammation on collagen metabolism and organization. The evaluation of bone included mechanical tests, SEM, MPM and serum bone turnover markers, specifically procollagen type - amino-terminal peptide (P1NP) and carboxy-terminal crosslinked telopeptide of type I 6 collagen (CTX). Femoral bones of SKG mice revealed increased fragility expressed by deterioration of mechanical properties. In accordance, as observed by SEM, intertrabecular distance was increased and trabecular thickness decreased. MPM depicted a disorganized matrix and loose collagen structure compared to controls. Moreover, the collagen metabolism assessed in the serum was also highly increased in arthritic mice. In this work we found that the bone weakening effect of arthritis was due to high bone turnover and disorganized collagen type I matrix. Following these initial animal model data, the first to describe a direct effect of arthritis on collagen structure and bone biomechanics, we confirmed and further detailed these observations in human RA bone. Patients with RA submitted to hip replacement surgery were recruited. Trabecular bone microarchitecture was assessed by microcomputed tomography (microCT) and mechanical behavior by compression tests of a bone cylinder extracted from the femoral epiphysis. Bone cell activity was analyzed by studying gene expression in the bone microenvironment. Genes that code for proinflammatory cytokines were upregulated in RA patients, particularly IL-17, which plays an important role in stimulating osteoclastogenesis. RA bone microenvironment had a gene expression profile characterized by upregulated pro-osteoclastogenic cytokines and dickkopf homolog 1 (DKK1) and increased RANKL/OPG ratio. This was paralleled by raised expression of factors that promote osteoblastic activity, such as IGF-I, FGF2 and PDGF, but with low type I collagen expression. DKK1 is a negative regulator of the WNT/β- catenin signaling, which is a key pathway in the stimulation of osteoblast differentiation, meaning that its upregulation in RA patients is limiting the effects of pro-osteoblastic factors. Bone loss in a chronic inflammatory disease, such as RA, thus appears to result from enhanced bone resorption and impaired bone formation, which 7 constitutes a detrimental imbalance of bone remodeling and precipitates the rapid loss of bone mass. Indeed, differences were observed in gene expression between RA and primary osteoporosis (OP) bone in spite of the fact that these two patient groups had similar bone microarchitecture and biomechanical properties. These observations might indicate that the differences in gene expression reflect biologically specific mechanisms responsible for bone fragility in RA and that the inhibition of DKK1 can be a possible treatment strategy for tackling the effects of RA on bone. In the final work of this thesis, we have used the post-fracture inflammatory reaction as a model for characterizing the kinetics of inflammatory and bone remodeling related genes. Unlike the chronic inflammation seen in RA, fracture healing is a highly regulated and brief process. Patients submitted to hip replacement surgery after a low-energy hip fracture were enrolled in this study. Patients were grouped according to the time interval between fracture and surgery: bone collected within 3 days after fracture; between the 4th and 7th day; and one week after fracture. Inflammation and bone metabolism related genes were assessed at the fracture site. Our results indicate that the expression of inflammation related genes, especially IL-6, is highest at the very first days after fracture but from day 4 onwards there is a shift towards bone remodeling genes, suggesting that the inflammatory phase triggers bone healing. Sclerostin expression, an inhibitor of osteoblast differentiation, has an initial high expression level that is diminished after the reduction of inflammatory gene expression. We propose the existence of a two step process in bone healing, dependent on an initial inflammatory stimulus and a latter decrease in sclerostin-related effects, with a consequent proosteoblastic effect. Therefore, local promotion of these events might constitute a promising medical intervention to accelerate fracture healing. 8 The work herein discussed clearly shows that inflammation has a complex role in bone regulation. The identification of key regulators of this system will be crucial both for RA and fracture healing future management.
O termo osteoimunologia foi usado pela primeira vez em 2000 para descrever a interacção entre células do sistema imunitário e do osso. Estes dois sistemas têm vários factores em comum, tais como citocinas, factores de transcrição e receptores. Consequentemente, a sua interacção ocorre, não só em condições fisiológicas, mas também patológicas. O objectivo desta dissertação de doutoramento é o de compreender o efeito da inflamação mediada pelo sistema imunitário no comportamento estrutural, mecânico e biológico do osso usando a artrite reumatóide e a regeneração de fracturas como modelos. O primeiro estudo desta tese foca a análise do efeito da artrite no comportamento biomecânico do osso. Foi utilizado um modelo animal de artrite, o ratinho SKG, para avaliar o comportamento biomecânico do osso por testes de flexão de 3 pontos. A microscopia electrónica de varrimento e a microscopia multifotão foram utilizadas, respectivamente, para o estudo da estrutura óssea e da organização da rede de colagénio no osso trabecular. Os resultados deste estudo mostraram que o osso de ratinhos com artrite apresenta pior qualidade biomecânica comparando com os controlos. Observações por microscopia multifotão e microscopia electrónica de varrimento demonstraram alteração da organização do colagénio e da estrutura trabecular. Neste trabalho verificámos que a inflamação crónica per se conduz à degradação das propriedades biomecânicas, particularmente da rigidez, ductilidade e resistência. No mesmo modelo animal, prosseguimos com o estudo do efeito da inflamação no metabolismo e organização do colagénio. A avaliação do osso incluiu ensaios mecânicos, microscopia electrónica de varrimento, microscopia multifotão e doseamento de marcadores 2 séricos de remodelação óssea, especificamente o péptido aminoterminal do procolagénio tipo I (P1NP) e o carboxi-terminal do telopéptido do colagénio tipo I (CTX). O osso dos ratinhos SKG revelou aumento da fragilidade óssea expresso pela deterioração das propriedades mecânicas. Em concordância, por microscopia electrónica de varrimento foi observado que a distância intertrabecular aumentou e a espessura trabecular reduziu e a microscopia multifotão demonstrou uma matriz desorganizada, com baixa densidade de colagénio. O metabolismo do colagénio foi ainda estudado no soro, encontrando-se aumentado nos ratinhos com artrite. Neste trabalho determinámos que o efeito de fragilidade óssea induzido pela artrite se deve à elevada remodelação óssea e desorganização da matriz de colagénio tipo I. Seguindo os dados iniciais obtidos em modelo animal, os primeiros a descrever o efeito directo da artrite na estrutura do colagénio e na biomecânica do osso, confirmámos e detalhámos estas observações em osso humano com artrite reumatóide. Foram recrutados doentes com AR submetidos a artroplastia da anca. A microarquitectura do osso trabecular foi avaliada por microtomografia computadorizada e o comportamento biomecânico por teste de compressão de um cilindro de osso trabecular extraído da epífise femoral. A actividade das células ósseas foi analisada através do estudo da expressão génica no microambiente ósseo. Observou-se um aumento da expressão dos genes que codificam citocinas pró-inflamatórias, particularmente a IL- 17, a qual desempenha um importante papel na estimulação da osteoclastogénese. O microambiente do osso com AR apresenta um perfil de expressão génico caracterizado pelo aumento das citocinas pró-osteoclastogénicas e de DKK1 e ainda do rácio de expressão RANKL/OPG. Paralelamente, verificou-se um aumento da expressão de factores indutores da actividade osteoblástica, tais como o IGF-I, FGF2 e PDGF, apesar da baixa expressão de colagénio tipo I. O DKK1 3 é um regulador negativo da via de sinalização WNT/β-catenina, sendo esta uma via chave na estimulação da diferenciação do osteoblasto. Assim, o aumento deste inibidor nos doentes com artrite reumatóide limita o efeito pró-osteoblastogénico do ambiente molecular do osso artrítico. A perda óssea associada às doenças crónicas inflamatórias, tal como a artrite reumatóide, parece, desta forma, resultar do aumento da reabsorção óssea e de uma diminuição na formação, conduzindo ao desequilíbrio da remodelação e precipitando a rápida perda de massa óssea. De facto, foram observadas diferenças na expressão génica entre o osso de doentes com artrite reumatóide e com osteoporose primária, apesar destes dois grupos de doentes terem microestrutura óssea e propriedades biomecânicas semelhantes. Estas observações parecem indicar que as diferenças encontradas a nível da expressão génica reflectem mecanismos biológicos específicos responsáveis pela fragilidade óssea na artrite reumatóide e a inibição do DKK1 poderá vir a ser uma possível estratégia terapêutica para diminuir os efeitos da artrite reumatóide sobre o osso. No último trabalho desta tese, utilizámos a reacção inflamatória pósfractura como modelo para caracterizar a cinética de expressão dos genes relacionados com a inflamação e remodelação óssea. Ao contrário da inflamação crónica, característica da artrite reumatóide, a regeneração de fracturas é um processo breve e cuidadosamente regulado. Foram incluídos neste estudo doentes submetidos a artroplastia da anca devido a fracturas de baixo impacto. Os doentes foram agrupados de acordo com o tempo decorrido entre a fractura e a cirurgia: osso colhido nos 3 dias após fractura, entre o 4º e o 7º dias, e uma semana após fractura. Um conjunto de genes relacionados com a inflamação e o metabolismo ósseo foram estudados no local de fractura. Os resultados obtidos indicam que a expressão dos genes relacionados com a inflamação, especialmente a 4 IL-6, estão aumentados nos primeiros dias após fractura; contudo, a partir do dia 4 verifica-se um desvio para os genes de remodelação óssea, sugerindo que a fase inflamatória activa a regeneração da fractura. A expressão da esclerostina, um inibidor da diferenciação do osteoblasto, está aumentada durante os primeiros dias após fractura e diminui após a redução da expressão dos genes pró-inflamatórios. Desta forma, propomos a existência de um processo em duas fases que conduz à regeneração de fracturas, dependente de um estímulo inicial inflamatório e uma diminuição subsequente dos efeitos relacionados com a esclerostina, com consequente estímulo osteoblástico. Assim, a indução local destes eventos poderá constituir uma intervenção promissora para acelerar a regeneração óssea após fractura. O trabalho aqui discutido claramente demonstra o complexo papel da inflamação na regulação óssea. A identificação de factores reguladores chave deste sistema será crucial para o futuro tratamento da artrite reumatóide e das fracturas.
Descrição: Tese de doutoramento, Ciências Biomédicas (Ciências Biopatalógicas), Universidade de Lisboa, Faculdade de Medicina, 2011
URI: http://hdl.handle.net/10451/4768
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