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Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10451/4999

Title: Interpretações de ameaça e estratégias de coping em crianças em idade escolar face a situações ambíguas
Authors: Cabral, Andreia Carina Nunes
Advisor: Pereira, Ana Isabel
Keywords: Ansiedade
Coping
Crianças em idade escolar
Teses de mestrado - 2011
Issue Date: 2011
Abstract: De acordo com alguns modelos cognitivos (Beck et al., 1985, cit. por Puliafico & Kendall, 2006; Kendall, 1985, cit in. por Muris & Doorn, 2001), a ansiedade patológica resulta da hiperactivação crónica de esquemas relacionados com a vulnerabilidade pessoal e o perigo, levando os indivíduos, quando confrontados com algum tipo de ameaça, novidade ou ambiguidade, a direccionarem os seus recursos atencionais e de processamento da informação para o estímulo ameaçador, dando origem a distorções cognitivas. Uma das metodologias utilizadas para a avaliação dos enviesamentos de interpretação baseia-se no paradigma das situações ambíguas - breve descrição de situações de conteúdo ambíguo facilmente reconhecidas do quotidiano de uma criança -, através do qual é avaliado o tipo de interpretações efectuadas face a situações de conteúdo ambíguo e as estratégias utilizadas para lidar com as mesmas. O presente trabalho integra dois estudos. O primeiro tem por objectivo o desenvolvimento da versão portuguesa do Questionário de Situações Ambíguas (QSA - versão experimental de Pereira, Barros & Barrettt, 2010) e o estudo das suas características psicométricas. O segundo estudo pretende contribuir para um melhor conhecimento dos enviesamentos de interpretação e estratégias de coping utilizadas por crianças em idade escolar perante situações ambíguas e a sua relação com a ansiedade. O segundo estudo apresenta como objectivos específicos: a) a caracterização das interpretações de ameaça e dos planos de acção face a situações de conteúdo ambíguo, b) o estudo das diferenças de idade de género quanto às interpretações de ameaça face a situações ambíguas e estratégias de coping, c) a análise da relação entre interpretações de ameaça e planos de acção perante situações ambíguas, d) a análise da relação entre a ansiedade total (pontuação total do SCARED-R) e interpretações de ameaça e estratégias de coping e, e) a análise das diferenças entre dois grupos de crianças, com ansiedade elevada e ansiedade baixa-moderada, quanto às interpretações de ameaça e às estratégias de coping. A amostra do primeiro estudo foi constituída por 187 crianças, entre os 8 e os 13 de anos de idade (M = 10,4 anos; DP = 0,9). A amostra do segundo estudo, seleccionada a partir dos resultados obtidos pelas crianças no SCARED-R (foram seleccionadas as crianças com níveis baixo-moderados de ansiedade – percentil ≤ 50 - e crianças com níveis elevados de ansiedade – percentil ≥ 80), foi composta por 120 crianças, entre os 7 e os 13 anos de idade (M = 9,6; DP = 1,3). Após diferentes fases do processo de desenvolvimento do Questionário de Situações Ambíguas, os resultados apontam para a existência de uma boa consistência interna do instrumento (α = 0,71) e apoiam a sua validade de construto. As escalas que constituem o instrumento revelam valores de consistência interna entre o moderado e o elevado (Ameaça de Separação α = 0,86, Ameaça Social α = 0,75, e Ameaça Física α = 0,68). Os resultados do segundo estudo revelam diferenças significativas entre crianças do sexo masculino e crianças do sexo femino relativamente às três dimensões de interpretações de ameaça – ameaça de separação, ameaça social e ameaça física – e também em relação a determinadas estratégias de coping e planos de acção (Resolução de Problemas e Desamparo). As meninas, comparativamente aos meninos, revelaram mais interpretação de ameaça nos três domínios. Relativamente às estratégias de coping, as meninas manifestaram mais resposta de Desampro face às situações interpretadas como ameaçadoras, e menos recurso a estratégias de Resolução de Problemas do que sexo oposto. Em termos da idade não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre crianças mais novas (7-9 anos de idade) e crianças mais velhas (10-13 anos) quanto às interpretações de ameaça. Porém, verifica-se que crianças mais novas e crianças mais velhas diferem em algumas das estratégias de coping utilizadas (Procura de Suporte e Tranquilização). As crianças entre os 7 e 9 anos de idade revelaram recorrer a mais estratégias de Procura de Suporte e menos a estratégias de Tranquilização comparativamente a crianças entre os 10 e os 13 anos. A análise da relação entre enviesamentos de interpretação e estratégias de coping face a situações ambíguas mostra que existem interpretações de ameaça e estratégias de coping que se relacionam mais fortemente entre si do que outras. Interpretações de ameaça revelam uma associação significativa positiva com estratégias de coping mais desadaptadas (Evitamento-Fuga, Desamparo, Tranquilização), e uma associação significativa negativa com estratégias de coping mais adaptadas (Resolução de Problemas, Procura de Informação). Os resultados do segundo estudo mostram ainda que, crianças com níveis mais elevados de ansiedade manifestam mais interpretações de ameaça de separação, ameaça social e ameaça física, do que crianças com níveis baixo-moderados de ansiedade. No que concerne às estratégias de coping utilizadas, as crianças com ansiedade por comparação às crianças com baixos níveis de ansiedade manifestaram maior tendência para recorrer a formas de coping negativas, embora esta tendência não se tenha revelado significativa.
According to some cognitive models (Beck et al., 1985, cit. por Puliafico & Kendall, 2006), pathological anxiety results from chronic hyperactivation of schemes related to individual vulnerability and danger, making individuals centralize their attention and processing resources face to some kind of threat, novelty or ambiguity, resulting in different cognitive distortions. One of the methodologies used to assess biases in interpretation is based on the ambiguous situations paradigm that allows evaluating interpretations made facing to ambiguous situations and strategies used to deal with them. The present work includes two studies. The first concerns the development of Portuguese version of the Ambiguous Situations Questionnaire (QSA – experimental version of Pereira, Barros, & Barrettt, 2010) and the study of its psychometric characteristics. The second study aims to contribute to a better understanding about biases of interpretation and coping strategies used by school-age children when confronted with ambiguous situations and its relationship with anxiety. The second study presents specific objectives: a) the characterization of the interpretations of threat and action plans addressing situations of ambiguous content, b) the study of age and gender differences regarding the interpretation of threat in the face of ambiguous situations and strategies coping, c) analysis of the relationship between interpretations of threat and action plans towards ambiguous situations, d) analysis the relationship between total anxiety (total score of the SCARED-R) and the interpretations of threat and coping strategies, and, e) analysis the differences between two groups of children (children with anxiety and children without anxiety) regarding the interpretations of threat and coping strategies. A sample of 187 children (from 8 to 13 years old, M = 10,4; DP = 0,9) participated in the first study. The second sample of the study, selected from the results obtained by children with SCARED-R (two groups of children: with low-moderate levels of anxiety and with high levels of anxiety), was composed by 120 children (from 7 to 13 years-old, M = 9,6; DP = 1,3). The development of the Ambiguous Situations Questionnaire has suffered the results point to the existence of a good internal consistence of the instrument (α = 0,71) and support their construct validity. The scales which constitute the instrument reveal internal consistency between the moderate and high (threat of Separation α = 0,86, Social threat α = 0,75, Physical threat α = 0,68). The study results point to significant differences in gender for the three dimensions of interpretations of threat - threat of separation, social threat and physical threat - and also for same coping strategies (Problem Solving and Helplessness). Girls, compared with boys, revealed more interpretations of threat in the three dimensions presented. Also in coping strategies, girls showed more responses of Reassurance face situations interpreted as threatening, and less resource strategies for Problem Solving than the opposite sex. In terms of age there were no statistically significant differences between younger children (7-9 years old) and older children (10-13 years) for the interpretation of threat. However, it appears that younger children and older children differ in some types of coping strategies (Seeking-support and Reassurance). Children between 7 and 9 years of age revealed a greater use of Seeking-support strategies and a less use of strategies of Reassurance comparatively reassuring children between 10 and 13 years. The analysis of the relationship between biases interpretation and coping strategies facing to ambiguous situations reveals that there are interpretations of threat and coping strategies which are strongly related each others. Threat interpretations reveal a significant positive association with more maladaptive coping strategies (Fuga-Avoidance, Helplessness, Reassurance), and a significant negative association of more adapted coping strategies (Problem-solving, Information). The results of the second study also showed that children with higher levels of anxiety display more interpretations of threat of separation, social threat and physical threat, than children with low-moderate levels of anxiety. With regard to coping strategies, although without statistically significant differences, children that expressed anxiety showed a greater tendency to resort negative coping strategies than children with low levels of anxiety.
Description: Tese de mestrado, Psicologia (Secção de Psicologia Clínica e da Saúde - Núcleo de Psicologia Clínica da Saúde e da Doença), Universidade de Lisboa, Faculdade de Psicologia, 2011
URI: http://hdl.handle.net/10451/4999
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