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Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10451/5163

Title: A complexidade do tratamento da dor oncológica : a intensidade da dor como factor preditivo
Authors: Pina, Paulo Reis, 1970-
Advisor: Barbosa, António, 1950-
Keywords: Cuidados paliativos
Medição da dor
Analgésicos opióides
Estudos prospectivos
Oncologia
Teses de mestrado - 2011
Issue Date: 2011
Abstract: INTRODUÇÃO: Mais de 70% dos doentes com cancro apresenta dor. Os doentes oncológicos podem ter quadros dolorosos de complexidade variada. Na maioria dos casos é possível alcançar um bom controlo da dor, contudo, alguns doentes com síndromes álgicas complexas podem ser difíceis de tratar. A intensidade da dor é, sem dúvida, uma das dimensões clinicamente mais relevantes na experiência da dor. Várias características são bem conhecidas como podendo influenciar a resposta a diferentes tratamentos. OBJECTIVOS: Pretendeu-se demonstrar que a intensidade da dor na avaliação inicial (Di) era um factor preditivo de complexidade no tratamento da dor oncológica. A complexidade congregava: tempo para controlar a dor (Tm); prescrição de opiáceos (PO); dose final de opiáceos (DDEM); tolerância final aos opiáceos (índice de escalada de opiáceos, IEO>4% dia); prescrição de co-analgésicos e de adjuvantes (COAA); utilização de atendimentos profissionais não programados (ANP). Pretendeu-se também identificar outros factores inerentes a características individuais, clínicas, tumorais e dolorosas, que pudessem afectar a expressão da complexidade relacionada com a Di. MÉTODOS: Estudo quantitativo, experimental, prospectivo, não controlado; envolvendo doentes consecutivos com cancro e com dor oncológica, ambulatórios, seguidos numa Consulta de Dor. A Di foi medida utilizando uma escala numérica graduada de 0 a 10. Os participantes foram avaliados durante 70 dias através de 3 consultas (inicial; intermédia, às 5 semanas; e final) e 8 telefonemas semanais (4 após a consulta inicial; 4 após a consulta intermédia). Foram calculadas as associações entre Di e: Tm (Kaplan-Meier); PO, IEO e COAA (Wilcoxon); Tipo de opiáceos (TO), DDEM e ANP (Kruskal-Wallis). Foram também analisadas as associações entre Di e várias características individuais, clínicas, tumorais e relativas à dor dos participantes. RESULTADOS: 264 incluídos (Sobreviventes=184, Óbitos=65, Transferidos=15). Sucesso=88% (dor controlada). Complexidade) Tm=21dias, 96% PO, DDEM= 104.3mg, mais de 22% com IEO>4% dia, COAA [80% AINE, anti-inflamatórios não esteróides; 49% AD (antidepressivos); 8% MR (miorelaxantes)], 97% ANP (média 3.16+1.40). Individuais) 50% mulheres, idades 63.74±21.07 anos, 65% casados, 70% escolaridade básica, 72% reformados, 87% rendimento mensal<450 euros. Clínicos) 81% com comorbilidades (50% cardiovasculares), 88% com estado ansioso/depressivo, 59% dependentes de terceiros, ECOG=1.48 (média), 57% em cuidados paliativos. Tumorais) 90% carcinomas (30% Cabeça/Pescoço, 25% Intestino), 76% metástases (35% ósseas). Dor) Di=7.92 (média), 67% dor mista (neuropática e nociceptiva), 78% dor episódica. Estatística) Di associada a: Tm (p=0.002), PO (p=0.002), DDEM final (p=0.009), tolerância IEO>4% (p=0.009), AINE (p=0.015), AD (p=0.002), MR (p=0.03), Histologia tumoral (p=0.046). Tm associado a: PO (p<0.001), TO (p=0.001). ANP: Telefonema Dor associado a Consulta Dor (p=0.0004). Sem outras correlações detectadas na análise bivariada. CONCLUSÕES: A Di é um factor preditivo significativo de complexidade do tratamento da dor oncológica. Os doentes com dor insuportável necessitam, para controlar a dor, de: mais Tm (que depende da PO e do TO), opiáceos, AINE, RM e AD. Os doentes com dor insuportável fazem doses superiores de opiáceos e desenvolvem mais tolerância. Os doentes com carcinomas têm dores de pior prognóstico. Os doentes que mais utilizam o recurso telefónico são os que mais utilizam as Consultas de Dor não programadas por sintomatologia descontrolada.
INTRODUCTION: More than 70% of cancer patients suffer with disease-related pain. In fact, they exhibit different, yet complex, painful disorders. Although it is possible to achieve a reasonable/acceptable pain control for the majority of such patients, some deal with complicated pain syndromes quite difficult to manage. The intensity of cancer-related pain is, undoubtedly, one of the most clinically relevant di-mensions as far as pain enduring is concerned. Several characteristics are well recognized as being able to affect the outcome of each of the different treatments. OBJECTIVES: We intended to demonstrate that the very initial assessment of the pain intensity (Di) is a predictive factor of the cancer-related pain treatment com-plexity. Complexity criteria established were: time needed to control pain (Tm); opioids prescription (DDEM); final doses of opioids (DDEM); final opioid tolerance (opioid escalation index, IEO, > 4% day); prescription of co-analgesics and adjuvants (COAA); utilization of unscheduled professional consultations (ANP). It was also our purpose to identify other personal, clinical, tumor- and pain-related characteristics which would be able to interfere with Di display. METHODS: Quantitative, experimental, prospective, uncontrolled study; in-volving consecutive outpatients with cancer-related pain, followed at a Pain Clinic. Di was measured using a 0 to 10 graduated numerical scale. Patients were clinically as-sessed for a 70 day period, under a 3 consultation routine priorly scheduled (initial, week 5, week 10) and an 8 phone call scheme, every week (4 after the initial consulta-tion, and 4 after the 5th week). The correlations between Di and other variables were calculated, namely: Tm (Kaplan-Meier); PO, IEO and COAA (Wilcoxon); Type of opio-id (TO), DDEM and ANP (Kruskal-Wallis). We also analyzed the correlations between Di and individual, clinical, tumoral and pain-related characteristics. RESULTS: 264 patients were included (Survivals=184, Deaths=65, Trans-ferred=15). Successful treatment=88% (pain control). Complexity) Tm=21days, 96% PO, DDEM= 104.3mg, more than 22% had IEO >4% day, COAA [80% AINE - non-steroidal anti-inflammatory drugs; 49% AD (antidepressants); 8% MR (myorelaxants)], 97% ANP (average 3.16+1.40). Individual) 50% women, ages 63.74±21.07 years, mar-ried 65%, 70% basic education (or less), 72% retired, 87% monthly income less than 450 Euros. Clinical) 81% with comorbidities (cardiovascular 50%), 88% with an-xious/depressive conditions, 59% ECOG=1.48 (average), 57% in palliative care. Tu-moral) 90% carcinomas (30% Head/Neck, 25% G-Intestinal), 76% metastases (35% bone). Pain-related) Di=7.92 (average), 67% mixed pain (neuropathic and nociceptive), 78% episodic pain. Statistics) Variables associated with Di: Tm (p=0.002), PO (p=0.002), final DDEM (p=0.009), tolerance IEO> 4% (p=0.009), AINE (p=0.015), AD (p=0.002), MR (p=0.03), Histology of Tumour (p=0.046). Variables associated with Tm: PO (p< 0,001), TO (p=0.001). ANP: Phone calls were associated with Pain Consulta-tions (p=0.0004). No other correlations were detected in the bivariate analysis. CONCLUSIONS: Di is a significant predictive factor of cancer-related pain treatment complexity. Patients with severe/unbearable pain need, in order to control it: longer Tm (which depends on the PO and TO), opioids, AINE, MR and AD. Patients with severe/ unbearable pain take superior doses of opioids and tend to develop toler-ance. Carcinoma-related pain has the worst prognostic. The most phone-assistance dependent patients require more unscheduled Pain Consultations due to uncontrolled symptomatology.
Description: Tese de mestrado, Cuidados Paliativos, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2011
URI: http://hdl.handle.net/10451/5163
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