Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/5393
Título: A missionação franciscana no estado do Grão-Pará e Maranhão (1622-1750) : agentes, estruturas e dinâmicas
Autor: Amorim, Maria Adelina, 1958-
Orientador: Farinha, António Dias, 1940-
Palavras-chave: Cristóvão de Lisboa,1583-1652
Franciscanos - Brasil - séc.17
Índios - Brasil - séc.17
História religiosa - Brasil - séc.17
Data de Defesa: 2011
Resumo: Esta Tese pretende analisar, partindo do conhecimento da sua estrutura interna, o modo como a Ordem Franciscana se implantou no antigo Estado do Grão-Pará e Maranhão, e aí exerceu o seu munus durante três séculos. Sistematiza-se, à luz de abundante documentação inédita, a orgânica desta Ordem Mendicante, os seus principais agentes, com destaque para Frei Cristóvão de Lisboa, e o seu percurso histórico na Amazónia colonial portuguesa. Explicam-se os mecanismos e dinâmicas de que os Menores, sobretudo os da Província de Santo António, responsável primeira desse processo, se serviram no decurso do seu apostolado, relacionando-a com outras instituições e agentes, tanto no terreno, desde os moradores, índios ou brancos, aos membros de governação local e às outras ordens regulares e clero secular, como no Reino, desde a Coroa às instâncias que regulavam a vida eclesiástica e a missionação. Parte-se, assim, do entendimento do sentido de Missão da Ordem Franciscana nas suas bases arcanas, e a orgânica das estrutura daí decorrentes, tomando como pressuposto que, se não houvesse essa matriz fundadora – o desiderato de evangelizar, propagar a fé cristã, divulgar a mensagem, pregar o Evangelho –, a própria existência desta organização no antigo Estado colonial do Norte brasileiro estaria comprometida. Seguindo a exportação de práticas evangelizadoras e de modelos pedagógicos, a acção dos Franciscanos antoninos no espaço amazónico nos séculos XVII e XVIII foi uma história marcada por duas vertentes distintas e complementares: a fidelidade a valores de identidade e a um lugar de pertença, ou seja, uma instituição com Regra, estatutos e jurisdição próprios, e a aplicação desta, tantas vezes de forma contraditória e conflitual. Tal explica o papel identitário dos antoninos, e também os conflitos com as estruturas da governação colonial, os vários grupos laicos e religiosos e, até, os que existiram no seio da família franciscana entre os três ramos, com a chegada de frades da Piedade (1693) e a cisão com os da Conceição (1706). Tem que se entender o historial desta instituição, não só a partir da actuação no espaço colonial onde estavam integrados, mas também dentro da dinâmica da Ordem Seráfica, que foi sempre um factor determinante, fazendo valer privilégios, prerrogativas e jurisdições em qualquer lugar do antigo Império português. Importa perceber de que modo os Franciscanos actuaram, quais os processos que utilizaram, e o que tinham de diverso em relação a outras instituições afins; que marca 14 identitária lhes permitiu distinguirem-se dos outros agentes no terreno. Que diferença? Há diferença? E se a História precisa de interpretar os vestígios memoriais subjacentes, o presente estudo vem demonstrar que os Franciscanos não escreveram a sua História na areia, e que é possível reavaliar este capítulo da historiografia luso-brasileira. É deste legado histórico, cultural, ideológico, e patrimonial, edificado pelos Franciscanos desde a formação do Estado pará-maranhense, a partir de 1621, que trata a presente dissertação.This thesis intends to find out the role of the Franciscan Order, starting from the knowledge of its internal structure, in order to examine the way of its deep fixing in the State of Grão-Pará and Maranhão, bearing there its munus for three centuries.
The organics of the Mendicant Order are systematized in presence of an abundant and unpublished documentation, as well as its principal agents (i.e. Friar Cristovão de Lisboa) and historical way in the Portuguese colonial Amazonia. The mechanisms and dynamics used by the Minor Friars during their apostolate are explained, in particular those from the Province of Santo Antonio - the first one responsible on this process - relating them with other institutions and agents, both in ground (from the inhabitants, Indian or White, to the members of local management and other regular orders and secular clergy) and in Kingdom (from the Crown to the instances that regulate the ecclesiastic life and evangelization). Thus, the sense of Mission of the Franciscan Order in its arcane roots and the organics of the subsequent structures are studied, starting from the presupposition that if there isn‘t that founding matrix, the desideratum of evangelizing, propagate the Christian faith, divulge the message, preach the Gospel, the existence of this very organization in the old colonial State of the Northern part of Brazil would be endangered. Following the exportation of evangelizing practices and pedagogical patterns, the action of the Antonian Franciscans in the Amazonian space, in XVII and XVIII centuries, was an 15 history marked by two distinct and complementary forms: the fidelity to identity values and to a place of presence, i.e., an institution with Rule, its own statutes, jurisdiction and its application, so many times applied in a contradictory and contentious way. This explains the identitary role of the Antonians and also the conflicts with the colonial governing structures, among the several laic and religious groups, and even within the existing structures among the three branches of the Franciscan family, with the arriving of Piedade friars (1693) and the separation of those of Conceição (1706). The history of this institution must be understood not only from its actuation inside the colonial space where it was integrated, but also within the dynamics of the Seraphic Order, which was always a decisive factor, asserting its privileges, prerogatives and jurisdictions in any place of the Portuguese Empire. It matters to understand the way the Franciscans acted, which are the methods they used and what are the differences in relation to other similar institutions. What identitary mark allowed them to distinguish themselves from the other agents in the ground? What difference? Is there a difference? And if History needs to interpret the subjacent memorable vestiges, this study will demonstrate that the Franciscans did not write their History in the sand, and that is possible to inscribe a new chapter in the Luso-Brazilian historiography. The present dissertation deals with this historical, ideological, cultural and artistic legacy built by the Franciscans of Santo Antonio, since 1621, in harmony with the formation of the Pará and Maranhão State.
Descrição: Tese de doutoramento, História (História e Cultura do Brasil), Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, 2012
URI: http://hdl.handle.net/10451/5393
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