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Título: A metafísica do medo : leituras da obra de Al Berto
Autor: Anghel, Golgona,1979-
Orientador: Amaral, Fernando Pinto do,1960-
Nabais, Nuno,1957-
Palavras-chave: Poesia portuguêsa
Imanencia (Filosofia)
Medo
Teses de doutoramento
Issue Date: 2008
Resumo: Os grandes temas recebidos dos gregos são convocados por Al Berto sobre o horizonte da percepção da imanência, a percepção das coisas como inscritas numa matéria única. A meditação sobre o espaço, o movimento dos corpos, ou a meditação sobre os tempos, os devires indeterminados das coisas no crepúsculo, ou ainda as experiências em negativo do ser, os abismos de um corpo em desaparecimento a partir do seu próprio interior tudo isso é registado no plano da univocidade do ser. Essa percepção da imanência tem, na sua poesia, a forma da experiência de um devir-texto do corpo, de um devir-anjo que convoca com o seu silêncio o devir-imperceptível. Pelo tempo e pelo espaço a poesia de Al Berto se deixa pensar. Mas há muito mais ressonâncias dessa metafísica da imanência que podem ser descobertas em O Medo ou em O Anjo Mudo. A estrutura dos afectos é desde a raiz pensada no registo da imanência. Ao contrário de Heidegger e da sua distinção entre a angústia e o medo distinção que remete para uma diferença entre o ser afectado pelo nada, por algo que não pertence à esfera da percepção, e o ser vítima da representação aterradora de algo que nos aparece como hostil ou ameaçador Al Berto, como Deleuze, faz sempre da paixão, da estrutura da passividade, do poder de ser afectado, algo de material, de imanente ao mundo dos corpos e da coisas. O modo essencial de estar no mundo não é a angústia, mas o medo, essa promiscuidade permanente entre a nossa vida e o mundo que nos toca, invade, ou que simplesmente nos abandona. Do nada não há angústia mas medo, porque o nada tem, para Al Berto, a condição, não de algo que se dá na sua não aparência, mas a da ausência, do desaparecimento.
Les grands thèmes reçus des grecs sont convoqués par Al Berto sur l'horizon de la perception de l'immanence, la perception des choses comme inscrites dans une matière unique. La méditation sur l'espace, le mouvement des corps ou la méditation sur les temps, les devenirs indéterminés des choses dans le crépuscule, ou, en plus, les expériences en négatif de l'être, les abîmes d'un corps en disparition à partir de son propre intérieur tout est enregistré sur le plan de l'univocité de l'être. Cette perception de l'immanence, dans sa poésie, la forme de l'expérience d'un devenir-texte du corps, d'un devenir-ange que convoque avec son silence le devenir-imperceptible. C'est à travers de l'espace et du temps que l'ouvre d'Al Berto se laisse penser. Mais il y en a beaucoup d'autres résonances de cette métaphysique de l'immanence qui puissent être découvertes dans O Medo et O Anjo Mudo. La structure des affects y est pensée dès l'origine dans le registre de l'immanence. À la différence de Heidegger et de sa distinction entre l'angoisse et la peur distinction qui renvoie à une différence entre l'être affecté par le néant, par quelque chose qui n'existe pas, par quelque chose qui n'appartient à la sphère de la perception, et l'être victime de la représentation terrifiante de quelque chose qui nous apparaît comme hostile et menaçant Al Berto, tout comme Deleuze, rends matériel, immanent au monde des corps et des choses, la passion, la structure de la passivité, le pouvoir d'être affecté. Le mode essentiel d'être dans le monde n'est pas l'angoisse, mais la peur, cette promiscuité permanente entre notre vie et le monde qui nous touche, nous envahit, ou, simplement, nous abandonne. Devant le néant on ne sent pas de l'angoisse mais de la peur, parce que le néant désigne, pour Al Berto, la condition, non de quelque chose qui se donne dans son non apparence, mais celle-là de l'absence, de la disparition.
Descrição: Tese de doutoramento, Estudos de Literatura e de Cultura (Estudos Portugueses), 2009, Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras
URI: http://sibul.reitoria.ul.pt/F/?func=item-global&doc_library=ULB01&type=03&doc_number=000553828
http://hdl.handle.net/10451/542
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