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Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10451/553

Título: O Cancioneiro da Ajuda : confecção e escrita
Autor: Ramos, Maria Ana, 1954-
Orientador: Castro, Ivo, 1945-
Palavras-chave: Lírica galego-portuguesa
Codicologia
Crítica textual
Cancioneiros
Teses de doutoramento
Issue Date: 2009
Resumo: O título O Cancioneiro da Ajuda. Confecção e escrita pretende anunciar um estudo que se posiciona entre a filologia do códice e a filologia do texto. O Cancioneiro da Biblioteca do Palácio da Ajuda em Lisboa é a compilação antológica mais antiga da produção lírica galegoportuguesa referente a cantigas de amor. O estudo de 1904 de Carolina Michaëlis de Vasconcellos concedeu-nos a edição crítica do ciclo de amor e facultou-nos também grande parte das características e das hipóteses históricas relativas ao códice. H. H. Carter em 1941 publicou a importante edição diplomática do Cancioneiro da Ajuda, que restituirá ao público uma visão mais genuína do estado gráfico do manuscrito, ao demonstrar as diversidades entre a edição de C. Michaëlis e a trasladação medieval. Só em 1994, bastante tempo mais tarde, a edição fac-similada veio favorecer melhor aproximação ao manuscrito, criando condições propícias ao confronto com as edições precedentes. Este trabalho não se coloca, no entanto, em um âmbito editorial. Não se trata, pois, de mais um tipo de edição, mas de um estudo que, tendo como finalidade última a concepção textual mais apurada, procura acercar-se o mais possível da verdade textual primitiva que o trovador lhe terá conferido. Configurando-se estes modos de examinar um códice fragmentado como prolegómenos imprescindíveis a qualquer trabalho editorial, notar-se-á que a materialidade permite reconstituir estádios precedentes à cópia e elucidar alguns dos maiores problemas relativos às linhas de transmissão textual (unidades de cópia, momentos de tradição, qualidade de certas lições, inserções extemporâneas na colecção, fontes, etc.). Recuar até ao exemplar de base, do modo mais racional possível, é a maneira mais apropriada para observar a estrutura organizativa de um Cancioneiro que é, na realidade, produto de um aditamento criterioso de vários materiais de proveniências e de cronologias inconstantes. A reconstrução do modelo textual coopera também na representação da figura do compilador ou do comanditário, no perfil de um scriptorium, mas sobretudo na reflexão sobre a substância do manuscrito-arquetípico. O estudo da mise en page e da mise en texte permite apreender a disposição textual, assim como as condições nas quais se encontravam os modelos trovadorescos. Por outro lado, o carácter incompleto e inacabado explicita a ausência inicial de uma mise en livre que clarifica a fragilidade do códice que hoje conhecemos. A mise en graphie coloca por sua vez em evidência as técnicas adoptadas quanto ao modelo de escrita para um livro de amplo formato, a competência de quem copiou e as regras imprescindíveis a um livro de canto, projectado também para acolher partituras musicais. A descrição e análise dos procedimentos grafemáticos consentem com apoio na raridade, na repetição e na alografia especificar a significação de um ou de outro fenómeno na tradição textual. Tanto a padronização gráfica como a persistência de alguns substratos gráficos proporcionam avaliações plausíveis quanto ao carácter das fontes utilizadas. As suposições sobre o estabelecimento da tradição manuscrita reavaliam a posição estemática do Cancioneiro da Ajuda e dos seus textos no conjunto da tradição lírica galego-portuguesa.
Le titre O Cancioneiro da Ajuda. Confecção e escrita prétend annoncer une étude qui sesitue entre la philologie du manuscrit et la philologie du texte. Le Cancioneiro de laBibliothèque du Palácio da Ajuda à Lisbonne est la compilation anthologique la plus anciennede la production lyrique gallego-portugaise ayant pour sujet les cantigas de amor. L'étude de1904 de Carolina Michaëlis de Vasconcellos nous a fourni l'édition critique du cycle d'amourdes troubadours et nous a également fait connaître une grande partie des caractéristiques et deshypothèses historiques concernant le manuscrit. H. H. Carter, auteur en 1941 de la publicationde l'importante édition diplomatique du Cancioneiro da Ajuda, restitue au public une vision plusexacte de l'état graphique du manuscrit en mettant en évidence les différences entre l'édition deC. Michaëlis et la translation médiévale. C'est seulement bien plus tard, en 1994, que l' éditionfac-similée a permis une meilleure approche du manuscrit en créant les conditions propices à saconfrontation avec les éditions précédentes. Ce travail ne se situe cependant pas dans un contexte éditorial. Il ne s'agit pas d'un nouveau type d'édition, mais d'une étude ayant comme finalité ultime la conception textuelle la plus proche de l'original et le meilleur accès possible de la vérité textuelle primitive qui lui a été donnée par le troubadour. Définir les modes d'examen d'un manuscrit fragmentaire comme préliminaires indispensables à tout travail éditorial nous oblige à noter que sa matérialité permet de reconstruire les états précédents de sa copie et d'élucider quelques uns des plus importants problèmes relatifs aux procédés de transmission textuelle (unités de copie, moments de tradition, qualités de certaines lectures, d'autres insertions dans la collection, des sources, etc.). Revenir à l'exemplaire de base de façon la plus rationnelle possible est la manière la plus appropriée pour observer la structure organisatrice d'un Cancioneiro qui est, en réalité, un produit qui a ajouté selon certains critères divers matériaux de provenances diverses et de chronologies inconstantes. La reconstruction du modèle textuel fait partie aussi de la représentation de la figure du compilateur ou du commanditaire, du profil d'un scriptorium, mais surtout de la réflexion sur la substance du manuscrit archétype. L'étude de la mise en page et de la mise en texte permet de découvrir la disposition textuelle ainsi que les conditions dans lesquelles se trouvaient les modèles de la poésie de troubadours. Par ailleurs le caractère incomplet et inachevé explicite l'absence initiale de la mise en livre qui éclaire la fragilité du manuscrit que nous connaissons aujourd'hui. La mise en graphie met à son tour en évidence les techniques adoptées quant au modèled'écriture pour un livre de grand format, la compétence du copiste et les règles incontournablesapplicables à un livre de chant destiné également à accueillir des partitions musicales. Ladescription et l'analyse des procédés graphématiques, grâce à l'appui de la rareté, de la répétitionet de l'allographie, parviennent à préciser la signification d'un phénomène dans la traditiontextuelle. Tant la conformité au modèle graphique que la persistance de quelques substratsgraphiques nous fournissent les raisons plausibles des sources utilisées. Les suppositionstouchant à l'établissement de la tradition manuscrite confirment la position du Cancioneiro daAjuda et de ses textes dans le stemma de l'ensemble de la tradition lyrique gallego-portugaise.
Descrição: Tese de doutoramento em Linguística (Linguística Histórica), apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Letras, 2009
URI: http://sibul.reitoria.ul.pt/F/?func=item-global&doc_library=ULB01&type=03&doc_number=000546965
http://hdl.handle.net/10451/553
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