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Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10451/5565

Título: Forest certification as a promotion tool for sustainable forest management in Portugal
Autor: Marques, Joana Alexandra Gomes, 1988-
Orientador: Cabral, Henrique N., 1969-
Gouveia, Filipa de Jesus
Palavras-chave: Florestas
Gestão florestal
Gestão ambiental - Portugal
Teses de mestrado - 2011
Issue Date: 2011
Resumo: Sustainable Forest Management (SFM) intends to balance all interests pending on forests, whether they are social, economic or environmental. SFM can be implemented and verified through certification schemes, with a set of Principles, Criteria and Indicators. The Forest Stewardship Council (FSC) and the Program for Endorsement of Forest Certification (PEFC) schemes have been implemented in Portugal since 2003 and still hasn‘t been done an evaluation of its progress in Portuguese forestry. With this study were assessed what type of companies have joined certification, and their perceptions on the process. For this, surveys were applied to 71 certified companies in Portugal. Relationships were sought between the opinions presented and the standards adopted. Additionally, through the analysis of surveillance reports, was verified if certification had real impacts on forest practices, and which were the most common causes for non-compliance with standards. At last, the hypothesis of developing a new national forestry certification standard in compliance with several international schemes was evaluated, and four standards were compared and analysed for similarities. Surveys were sent to five auditing companies and an A‘WOT was performed based on their response. Groups of companies were found with distinctive features, reasoning and benefits from certification. These groups were associated with a different type of certification according with its characteristics. Also related with the companies‘ characteristics were the types of non-compliances addressed in audits. Most non-compliances concerned social and system issues and these persisted even post certification. However certification has contributed to enhance forest management and environmental practices. The impacts found were similar to both the FSC and the PEFC standards. The strategic analysis has shown that positive aspects weight more than negatives, and therefore the development of a national standard would be desirable to the Portuguese forestry sector.
As florestas têm um papel essencial nos ecossistemas, além dos múltiplos recursos fornecidos à comunidade. A forma como são geridos e conciliados os diversos interesses incidentes nas florestas tem levantado diversas questões, desde a primeira Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento em 1992. Para atingir uma gestão florestal sustentável e conseguir gerir todos os valores sociais, ambientais e económicos foram desenvolvidos Critérios e Indicadores por várias iniciativas internacionais. Estes mecanismos podem ser implementados e verificados através de sistemas de certificação florestal. Actualmente existe uma multiplicidade de sistemas de certificação com âmbito nacional ou regional, mas apenas dois com âmbito internacional: o Forest Stewardship Council (FSC) e o Program for the Endorsement of Forest Certification (PEFC). Em Portugal a certificação florestal surgiu em 2003, através de ambos sistemas, tendo obtido rapidamente valores de área florestal certificada na ordem dos 8%. Considerando a importância económica, ambiental e social que as florestas representam para o país, a certificação pode potenciar o valor dos produtos comercializados e melhorar a gestão efectuada, reduzindo as ameaças incidentes. De acordo com a Estratégia Nacional para as Florestas, até 2013 pretende-se que existam cerca de 500 000 hectares de floresta certificada e 20% dos produtos de madeira e cortiça certificados. Existe no entanto bastante desconhecimento por parte do consumidor, e do público em geral, desta forma de valorização dos produtos, tornando a iniciativa pouco apelativa a proprietários com menor capacidade de investimento. Para contrabalançar estes factores, existem algumas propostas de formas de redução de custos e de recursos, através da criação de normas adaptadas ao contexto nacional. Considerando as falhas de conhecimento existentes, com este estudo pretende-se investigar a forma como a certificação florestal está a ser conduzida e implementada em Portugal, assim como possíveis alternativas para tornar este processo acessível e apelativo a todos os interessados. Como primeiro trabalho sobre o assunto em Portugal, este estudo pretende também contextualizar o tema na actualidade e ser um possível ponto de partida para futuras questões. A presente dissertação é constituída por um primeiro capítulo introdutório, seguido de três outros escritos sob a forma de publicação científica de forma a responder directamente às questões colocadas. For fim, estes são procedidos de um capítulo final com as considerações gerais da investigação. Na introdução geral é abordado o conceito de gestão florestal sustentável e a forma como esta pode ser potenciada e avaliada através de sistemas de certificação florestal. É explicitada também a forma como os sistemas de gestão ambiental podem ser aplicados ao sector florestal e a caracterização geral do sector em Portugal. Por fim são indicados os objectivos do presente trabalho. No segundo capítulo procurou-se avaliar a forma como os proprietários florestais estão a reagir à certificação florestal. Para isso, investigou-se a hipótese de haver preferência na escolha do sistema de certificação adoptado, dependendo das características da exploração florestal. Assim, foi realizado um questionário dirigido a todos os proprietários florestais certificados procurando apurar quais os benefícios, desvantagens e motivos percepcionados, para aderir à certificação. Para aferir relações entre o tipo de exploração florestal e as respostas dadas ao questionário foram realizadas análises de tabelas de contingência, e análises multivariadas para verificar padrões nas respostas, através de análises de escalamento multidimensional e análise de clusters. Foram encontradas diferenças significativas no que diz respeito aos benefícios percepcionados e motivos de adesão, suportadas pelos agrupamentos detectados nas análises multivariadas. O sector florestal que procura certificação dos seus produtos e das suas práticas pode ser dividido em três grupos com características distintas, de acordo com os resultados obtidos. Um primeiro grupo diz respeito a proprietários industriais, geralmente de cadeia de custódia, que aderiram devido a pressões de compradores e que esperam obter ou já obtiveram benefícios económicos da certificação. No segundo grupo os proprietários não são industriais e têm certificados de gestão florestal FSC. Geralmente esperam melhorar as suas práticas ambientais e aderem devido a pressões dos seus fornecedores. Por último existem proprietários que têm certificação de gestão florestal por ambos os sistemas, FSC e PEFC, embora em menor número do que nos grupos anteriores. Esta diferenciação é confirmada por estudos anteriores, mostrando que diversos sectores da indústria florestal estão a aderir à certificação considerando-a uma mais valia. Foi ainda possível percepcionar a existência de um grupo emergente de proprietários, ainda em número reduzido, que procuram a certificação dupla, talvez em busca de benefícios adicionais, ou por pressões de mercado. Seguidamente, procedeu-se à análise do impacto do processo de certificação nas práticas florestais implementadas. Procurou-se também relacionar os tipos de não-conformidades encontradas com a capacidade de adaptação dos proprietários às exigências das normas de certificação. Para isso foram utilizados relatórios de auditorias realizadas a todas as empresas certificadas pelo FSC e PEFC, registando-se o número de não-conformidades identificadas por critério e por tipo de não-conformidade. A análise dos relatórios demonstrou que existem alterações em todos os aspectos da gestão florestal, uma vez que foi pedido aos proprietários que alterassem práticas ambientais, sociais, de gestão, económicas e legais e de sistema. Não-conformidades sociais e de sistema foram as mais frequentes, e não foram resolvidas com sucesso em auditorias de seguimento. No entanto, as não-conformidades ambientais, de gestão e económicas e legais demonstraram algumas melhorias após a certificação. Os resultados também indicaram que maiores áreas certificadas apresentam um maior número de não-conformidades ambientais, no entanto o número de unidades de gestão florestal não parece influenciar o tipo de não-conformidades detectada. A monitorização dos resultados globais das auditorias poderão contribuir para a melhoraria dos requisitos das normas em futuras revisões e ajudar os proprietários a saber em que áreas devem alocar mais esforços no cumprimento das normas de certificação. No capítulo 4, foi feita uma avaliação estratégica da hipótese de elaboração de uma norma nacional, adaptada à realidade territorial, mas em conformidade com o FSC, o PEFC e com outros dois sistemas de gestão ambiental, o EMAS e a ISO 14001:2004. Com esse objectivo, foi feita uma comparação dos requisitos das quatro normas e uma análise A‘WOT. Esta última considerou as opiniões de entidades certificadoras, consultadas através de um inquérito. A comparação das normas demonstrou que a combinação destes diferentes tipos de certificação pode trazer benefícios para a manutenção e implementação de práticas florestais sustentáveis, nomeadamente colmatando problemas identificados em auditorias, explicitados no capítulo anterior. Através da análise estratégica comprovou-se que as entidas certificadoras são da opinião de que as vantagens de criar esta norma superariam as desvantagens, devendo no entanto de se acautelar eventuais contrapartidas relacionados com o desconhecimento das normas de certificação florestal por parte dos consumidores. No último capítulo, é feita uma compilação das principais evidências deste estudo, assim como falhas no conhecimento que ficaram por esclarecer. A implementação deste tipo de normas que permitem certificar a boa gestão do local de origem dos produtos, é uma mais valia e deve continuar a ser promovida como forma de protecção dos recursos naturais. O desenvolvimento de novos caminhos para o futuro da certificação em Portugal é fundamental para que estas formas de gestão e conciliação de interesses possa expandir-se e proliferar. Assim sendo, este tipo de estudos deve continuar para melhorar a forma como a certificação é percepcionada e como forma de monitorizar o seu impacto nas práticas florestais.
Descrição: Tese de mestrado. Biologia (Ecologia e Gestão Ambiental). Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, 2011
URI: http://hdl.handle.net/10451/5565
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