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Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10451/565

Título: Iminência do encontro:George Steiner e a leitura responsável
Autor: Soeiro, Ricardo Gil Costa Fonseca, 1981-
Orientador: Duarte, João Ferreira, 1947-
Palavras-chave: Filosofia da linguagem
Filosofia cultural
Ética
Responsabilidade
Hermenêutica
Teses de doutoramento
Issue Date: 2009
Resumo: Desde o aparecimento do seu primeiro livro, Tolstoy or Dostoevsky (1959), ao seu mais recente livro de ensaios, My Unwritten Books (2008), os escritos de George Steiner tem manifestado uma notável consistência de enfoque, facto que, a despeito da diversidade formal (ficção, poesia, ensaio filosófico) e do leque alargado de abordagens que exibem, gerou uma obra que se firma num conjunto de preocupações intelectuais claramente identificáveis. Em ultima analise, a presente dissertação procura, não só definir estas preocupações a medida que elas assomam nos livros steinerianos, mas também faze-las remontar a problemática central da leitura: o que significa ler um texto responsavelmente? Poderá haver dimensões de primeira grandeza num poema, numa pintura ou numa composição musical criados na ausência de Deus? Ou, será Deus sempre uma presença real nas artes? Tendo em conta estas questões imponentes,Steiner surpreende no encontro com a grande literatura ou arte como dando as boas-vindas a um hóspede, e, a fim de articular uma visão de interpretação que faz jus a nossa experiencia do 'outro', invoca a metáfora da cortesia. Assombrado pelo apavorante paradoxo do inumano no seio da humanidade, bem como pela revelação (trazida pela Shoah) de que o discurso humano pode ser usado tanto para amar como para odiar, e o judaísmo pós-Auschwitz de Steiner que esta por detrás da sua leitura sombria do homem e que o impele a 'apostar no sentido do sentido'.Reconhecendo que a aspiração de redigir algumas notas para a redefinição da cultura se desmoronou ante o inconcebível no castelo do Barba Azul e pretendendo formular uma nova fenomenologia da leitura, Steiner retoma a sua distinção avançada no ensaio 'Critic/ Reader' (1979): o leitor abre-se ao ser autónomo do texto, ao passo que o critico, ao invés, reifica o texto e posiciona-se contra ele. Inicialmente apresentando esta dicotomia (embora problematizando-a a luz da hermenêutica radical de John D. Caputo), fazendo contrastar a ontologia de Martin Heidegger (que deseja desconstruir a historia da metafísica e escutar a voz do Ser) com a teoria da desconstrução de Jacques Derrida (que procura desconstruir a tradição ocidental da 'onto-teologia', desmantelar o 'logocentrismo', enviar a Palavra para o exílio da escrita e questionar a imediatez do discurso e a proximidade da voz e do ser), faremos uso da filosofia de Paul Ricoeur a fim de mediar os extremos que a divisão linear de Steiner promove. Compulsando sobretudo Real Presences (1989), embora se considere um elenco de sub-temas que, esperemos, lancem uma renovada luz em livros como After Babel, Grammars of Creation ou The Death of Tragedy, a presente dissertação pretende tematizar a noção de responsabilidade de George Steiner, implicita no acto de leitura, tal como este e epitomizado pelo Le philosophe lisant, de Chardin. Tendo assim lançado a sua insaciável demanda por uma 'poética do sentido', caber-nos-á interrogar se a hermenêutica tão apaixonadamente defendida por Steiner proporciona um critério ético genuíno que possa fazer frente ao inumano.
From the appearance of his first book, Tolstoy or Dostoevsky (1959) to that of his most recent collection of essays, My Unwritten Books (2008), George Steiner's writings have revealed a remarkable consistency of focus, which, despite its formal variations (fiction, poetry, philosophical essay) and range of approaches, has yielded a body of work that rests upon a clearly identifiable set of intellectual concerns. The present thesis seeks not only to define these concerns as they appear in Steiner's books, but also to trace them back to the key subject of reading: What does it mean to read a text responsibly? Can there be major dimensions of a poem, a painting, a musical composition created in the absence of God? Or is God always a real presence in the arts? Bearing in mind these imposing questions, Steiner thinks of an encounter with great literature or art as welcoming a guest, and in order to articulate a vision of interpretation that does justice to our experience of 'the other', as he invokes the metaphor of courtesy. Haunted by the terrifying paradox of the inhumanity in humanity, as well as by the Shoah 's revelation of how human speech can be used both to love and to hate, it is Steiner's post-Auschwitz Jewishness that informs his dark reading of man and that compels him to 'wager on the meaning of meaning'. Conceding that the aspiration of putting together some notes toward a redefinition of culture crumbled before the unfathomable in Bluebeard's castle, Steiner tries to devise a new fenomenology of reading, thereby drawing upon his earlier distinction put forth in the 1979 essay Critic/ Reader' : the reader opens himself or herself to the autonomous being of the text, whereas the critic, by contrast, objectifies it and stands against' it. Initially putting forward this dichotomy (although questioning it in the light of radical hermeneutics sponsored by John D. Caputo), by contrasting the ontology of Martin Heidegger (who wishes to deconstruct the history of metaphysics and listen to the voice of Being) and the deconstruction theory of Jacques Derrida (who seeks to deconstruct the entire Western tradition of 'onto-theology,' to undo 'logocentrism', to send the Word into the exile of writing, and to question the immediacy of speech and the proximity of voice and being), subsequently we will make use of Paul Ricoeur's philosophy to mediate the extremes fostered by Steiner's clearcut division. Focusing primarily on Real Presences (1989), although considering a host of subthemes that will hopefully shed renewed light on books such as After Babel, Grammars of Creation, or The Death of Tragedy, the present dissertation wishes to address George Steiner's notion of responsibility entailed in the act of reading, as it is epitomized by Chardin's Le philosophe lisant. Having thus launched his unrelenting quest for a 'poetics of meaning', it remains to be asked whether Steiner's so passionately argued hermeneutics succeeds in providing a genuine ethical criterion to face the inhuman.
Descrição: Tese de doutoramento, Estudos de Literatura e da Cultura (Estudos Comparatistas), 2009, Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras
URI: http://catalogo.ul.pt/F/?func=item-global&doc_library=ULB01&type=03&doc_number=000568038
http://hdl.handle.net/10451/565
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