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Título: Memória plural e fidelidade à herança. Considerações a propósito da intervenção de Victor Mestre e Sofia Aleixo no edifício centenário do Lyceu Passos Manuel
Autor: Ó, Jorge Ramos do
Palavras-chave: Arquitectura escolar
Issue Date: 2011
Editora: Uzina Books
Citação: Ó, Jorge Ramos do (2011). Memória plural e fidelidade à herança. Considerações a propósito da intervenção de Victor Mestre e Sofia Aleixo no edifício centenário do Lyceu Passos Manuel. In José Manuel das Neves (Ed.). Heritage – Between Time and Movement. Lyceu Passos Manuel. Victor Mestre. Sofia Aleixo. Lisboa: Uzina Books, pp. 198-211.
Resumo: Os liceus foram fundados em Portugal no ano de 1836, tendo Passos Manuel, o seu criador, tomado como referência a França que os instituíra trinta e quatro anos antes. Mas o ímpeto modernizador dos nossos liberais terá ficado expresso quase só na letra da lei. Na verdade, estes estabelecimentos de ensino conheceram uma fase inicial, que se prolongaria quase até ao termo da centúria, marcada pela instabilidade, o desacerto e uma baixíssima frequência de efectivos. São múltiplos os testemunhos de observadores directos que falaram de “caos” e “anarquia” para caracterizar este subsistema de ensino nos decénios subsequentes à sua criação. A situação só viria a alterar-se quando, no ano de 1894, e pela mão de Jaime Moniz, o Governo de João Franco estabeleceu as bases da modernização do ensino liceal, permitindo, sobretudo entre as décadas de 1910 e 1940, consolidar-se um processo de diferenciação baseado numa nova classe de idade, distinta da infância. Ora, para a consolidação dessa operação a arquitectura viria a ser uma peça essencialíssima. Sabemos que todos os programas educativos da modernidade tiveram suposta a existência do espaço serial, quer dizer, partiram do princípio de que a determinação de lugares individuais tornaria possível tanto o controlo de cada sujeito, tomado como uma unidade autónoma, como a orquestração do trabalho simultâneo de todos. Cumpre, desde logo, salientar que este modelo de enquadramento pedagógico, então denominado semi-internato e que postulou o afastamento físico do aluno do mundo social no interior de um edifício com características específicas, não mais sairia de cena. Estamos perante uma modalidade de poder, tornada natural ao longo de cem anos, que produz a realidade de uma população específica e se imagina ao mesmo tempo capaz de penetrar e conformar a mente, o corpo e a alma de cada escolar. Em Portugal, a máquina de ensinar, vigiar, avaliar e hierarquizar conhecimentos e comportamentos adolescentes iniciou-se com a inauguração do edifício do Liceu Passos Manuel em 1911. E ainda nos governa na sua inteireza.
Arbitragem científica: yes
URI: http://hdl.handle.net/10451/5715
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