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Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10451/5738

Título: A insularidade e as suas condicionantes económicas : o caso dos pequenos estados insulares em desenvolvimento
Autor: Santos, Aquiles Celestino Vieira Almada e, 1979-
Orientador: Simões, José Manuel, 1955-
Abreu, Diogo de, 1947-
Palavras-chave: Ilhas - Aspectos económicos
Empresas - Países insulares em desenvolvimento
Países insulares em desenvolvimento - Condições conómicas
Teses de doutoramento - 2012
Issue Date: 2011
Resumo: O presente estudo tem como propósito esclarecer se a insularidade influência o desempenho macroeconómico dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PEID) e das suas empresas, engendrando situações de vulnerabilidade económica, de vantagens comparativas e de sobrecustos empresariais nestes espaços. O autor parte da hipótese de que a insularidade condiciona o comportamento económico dos PEID, fazendo com que sejam economicamente muito vulneráveis e apresentem um tecido empresarial pouco competitivo. Não obstante defender também que a configuração territorial acaba por dotar esses países de um conjunto de vantagens comparativas. Este desempenho económico seria explicado basicamente pela configuração geográfica desses Estados, principalmente pela sua pequena dimensão territorial, demográfica e económica, pela sua reduzida acessibilidade e pela sua elevada fragmentação territorial, ainda que subsidiariamente o seu nível de desenvolvimento económico e social e o seu estatuto político pudessem ajudar a compreender esse comportamento. Para a validação destas hipóteses comparou-se o desempenho de alguns indicadores estatísticos dos PEID com os dos Estados Continentais em desenvolvimento e desenvolvidos e analisou-se a influência das variáveis que caracterizam a condição insular sobre esse comportamento e sobre as empresas sediadas na ilha de Santiago em Cabo Verde. Tendo-se recorrido para a recolha e análise desses dados à consulta de fontes estatísticas e bibliográficas diversas, à realização de entrevistas e à aplicação de questionários, bem como a técnicas de estatística descritiva, multivariada e de análise e diagnóstico do meio envolvente (environmental scanning). Os resultados obtidos confirmam as hipóteses inicialmente apresentadas. Os PEID apresentam níveis de vulnerabilidade económica superiores às dos restantes países em desenvolvimento e desenvolvidos, e isso deve-se ao facto de as suas economias serem pouco diversificadas e muito dependentes do exterior, de existir uma elevada propensão para ocorrência de desastres naturais e por suportarem custos de funcionamento de Estado maiores do que as dos restantes países em confronto. Factores geradores de maior instabilidade económica e social nesses territórios. Contudo, registe-se que os PEID apresentam um conjunto de vantagens comparativas no sector dos serviços, tirando partido de rendas de situação, mas também ao nível da coesão social, da modernização das estruturas sociais, da facilidade em adoptar e propagar tecnologias, que devidamente exploradas poderão vir a constituir importantes recursos económicos. Ao nível empresarial confirma-se igualmente a ideia de que as empresas dos PEID são menos competitivas que as suas congéneres continentais, já que apresentam sobrecustos no domínio das tecnologias, abastecimento, produção, venda e distribuição e recursos humanos, comprometendo as suas capacidades competitivas, mormente as que laboram nos sectores primário e secundário. As análises realizadas ao longo da tese corroboram também a ideia de que as variáveis que configuram a condição insular exercem grande influência sobre o desempenho macroeconómico desses Estados, com destaque para a pequena dimensão demográfica e económica, para a reduzida acessibilidade, para a vulnerabilidade económica e para o nível de desenvolvimento económico e social desses países. Enquanto que, ao nível empresarial, as variáveis da insularidade com maior influência sobre o desempenho das firmas insulares são o estatuto político dos países, a dimensão territorial, demográfica e económica dos Estados, o grau de fragmentação territorial e o de acessibilidade das ilhas.
This study aims to clarify whether the insularity influences the macroeconomic performance of Small Island Developing States (SIDS) and their companies, generating situations of economic vulnerability, comparative advantages and extra business cost in these spaces. The author bases on the assumption that insularity affects the economic behavior in these countries so that they are economically vulnerable and have a little competitive business environment. However, he also defends that the territorial configuration of these spaces ultimately provides them with a set of comparative advantages. This economic performance is explained primarily by the geographic configuration of these States, mainly because of its small territorial, demographic and economic dimension, by its difficult accessibility and territorial fragmentation, even when the level of economic and social development and its political status could alternatively help explain this behavior. To validate these hypotheses, some statistical indicators of SIDS was compared with the ones of the Continental States developed and/or in development, and the influence of variables that characterize the insular condition was analyzed as cause for the behavior of this islands States and companies based on Santiago Island of Cape Verde. Several sources were consulted for the collection and analysis of these data, from statistical and literature to interviews and questionnaires, as well as diverse techniques of descriptive and multivariate statistics and environmental scanning. The results confirm the hypothesis originally presented. The levels of economic vulnerability of SIDS are higher than those of other developed and developing countries. In fact their economies are poorly diversified, very dependent on outside help, at high risk for the occurrence of natural disasters, and supporting State– running costs higher than those of other countries, generating high economic and social instability in these territories. However, it is noteworthy that these countries present a set of comparative advantages in the service sector, taking advantage not only of situation rents, but also at the level of social cohesion, of modernization of social structures, skill to easily adopt and disseminate technologies, which are likely to be important economic resources if properly explored. At the business level, it is also confirmed that SIDS’s enterprises are less competitive than their continental counterparts’, since they have additional costs in terms of technologies, supply, production, sale and distribution and human resources, undermining the competitiveness of its enterprises, especially those dealing with primary and secondary sectors. Analysis have been carried in the theses agree with the idea that the variables that shape the insular condition greatly influence the macroeconomic performance of these States, especially the small demographic and economic size, the limited accessibility, as well as the economic vulnerability and the level of economic and social development of those countries. On the other hand, at the enterprise–level, the insularity variables with the greatest influence on island–firms performance are the political status of countries, the territorial, demographic and economic dimension of the States, the degree of territorial fragmentation and the level of accessibility of the islands.
La présente étude a pour finalité de savoir si l’insularité influence le développement macro-économique des Petits États insulaires en Développement (PEID) et de ses entreprises, engendrant des situations de vulnérabilité économique, des avantages comparatives et des surcoûts entrepreneuriaux dans ces espaces. L’auteur part de l’hypothèse que l’insularité conditionne le comportement économique de ces pays, les rendant économiquement très vulnérables et présentant ainsi un tissu entrepreneurial peu compétitif. Toutefois, il défend aussi que la configuration territoriale de ces espaces fini par doter ces pays d’un ensemble d’avantages comparatives. Cette performance économique serait expliquée essentiellement par la configuration géographique de ces États, principalement compte tenu de sa petite dimension territoriale, démographique et économique, par son accessibilité réduite et par sa grande fragmentation territoriale, bien que subsidiairement son niveau de développement économique et social et son statut politique puissent aider à expliquer ce comportement. Pour la validation de ces hypothèses l’auteur a, d’une part, comparé la performance de certains de ces indicateurs statistiques des PEID avec ceux des États continentaux développés et ceux en développement et, d’autre part, il a analysé l’influence des variables que caractérisent la condition insulaire sur ce comportement et sur les entreprises sises dans l’île de Santiago au Cap-Vert. L’auteur a fait recours tant au recueil et à l’analyse de ces données, à la consultation de diverses sources statistiques et biographiques, à la réalisation d’interviews et à l’application de questionnaires qu’à des techniques de statistique descriptive, multivariée et de l’«environmental scanning». Les résultats obtenus confirment les hypothèses présentées au départ. Les PEID présentent des niveaux de vulnérabilités économiques supérieures à ceux des restants pays développés et ceux en développement, dans la mesure où, d’une part, leurs économies sont peu diversifiées, très dépendantes de l’extérieur et avec une très forte propension à l’occurrence des désastres naturels et, d’autre part, ils supportent des coûts de fonctionnement de l’État plus élevés que ceux des autres pays en étude, générant ainsi une plus grande instabilité économique et social dans ces territoires. Toutefois, il faut noter que ces pays présentent un ensemble d’avantages comparatifs dans le secteur des services, tirant ainsi partie de rentes de situation, mais aussi du niveau de la cohésion sociale, de la modernisation des structures sociales, de la facilité pour adopter et propager des technologies qui, bien exploitées, pourront constituer d’importantes ressources économiques. Au niveau entrepreneurial, il est confirmé également l’idée que les entreprises des PEID sont moins compétitives que leurs congénères du continent, étant donné qu’elles présentent des surcoûts tant au niveau des technologies, des approvisionnements, de la production, de la vente et distribution qu’au niveau des ressources humaines, compromettant ainsi la capacité compétitive de leurs entreprises, notamment celles qui opèrent dans les secteurs primaires et secondaires. Les analyses effectuées corroborent également l’idée que les variables qui configurent la condition insulaire exercent une grande influence sur la performance macro-économique de ces États, en particulier, la petite dimension démographique et économique, la réduite accessibilité, la vulnérabilité économique et le niveau développement économique et social de ces pays. En revanche, au niveau entrepreneurial les variables de l’insularité qui exercent une plus grande influence sur le développement des entreprises insulaires sont le statut politique des pays, la dimension territoriale, démographique et économique des États, le degré de fragmentation territoriale et le niveau de l’accessibilité des îles.
Descrição: Tese de doutoramento, Geografia (Geografia Humana), Universidade de Lisboa, Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, 2012
URI: http://hdl.handle.net/10451/5738
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