Universidade de Lisboa Repositório da Universidade de Lisboa

Repositório da Universidade de Lisboa >
Reitoria (REIT) >
REIT - Teses de Doutoramento (Enfermagem) >

Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10451/5782

Título: Influence of personality on family caregiver’s burden, depression and distress related to the behaviour of persons with dementia
Autor: Silva, Maria da Graça de Melo e, 1957-
Orientador: Basto, Marta Lima
Mendonça, Alexandre de, 1958-
Palavras-chave: Cuidadores
Demência
Depressão
Teses de doutoramento - 2012
Issue Date: 2011
Resumo: Introduction Behavioural and psychological symptoms of dementia (BPSD) affect the majority of patients. The personality of the caregiver has significant influence on the responses to the care experience. We hypothesized that the personality influences the caregiver's depression, burden and distress related to the BPSD; and the personality is associated with specific strategies used by family caregivers to deal to the BPSD. Materials and Methods Participants were 105 consecutive patients with dementia and their family caregivers, living at home, attending a Dementia Outpatient Clinic. A cross-sectional design was used with a structured interview applied at home. Assessments included: Cognitive function (MMSE), Stage of Dementia (GDS), BPSD (NPI), Personality (NEO-FFI), Burden (ZBI), Depression (CESD), Distress related to BPSD (NPI-distress), and an open question to identify the strategies used by caregivers when faced with BPSD. The qualitative analysis of content was guided by Bardin. Path analysis was developed to 7 test hypothetical causal and mediation effects between personality traits, depression, burden and distress related to the BPSD; generalized linear model was used to appraise the influence of depression on use of strategies to deal with BPSD; a logit general linear model with binomial probability distribution, using the different strategies as repeated measures, to test the association between personality and strategies, followed by multiple logistic regression for each strategy. Results Neuroticism increased, whereas extraversion decreased, both caregiver’s depression and burden. Agreeableness was also found to decrease the burden. The personality characteristics only indirectly influenced the caregiver’s distress related to BPSD. Depression did not have a significant effect over the use of strategies. Only extraversion determined the use of caregiver strategies to deal with BPSD and more extroverted caregivers using “confronting” strategy less often. Conclusion Assessment of caregiver’s personality characteristics should be taken into account for the planning of intervention programs.
Introdução A demência é uma síndrome caracterizada por declínio cognitivo e funcional global adquirido. Foi calculado que cerca de 24.3 milhões de pessoas vivem com demência no mundo, estando seis milhões na União Europeia. Cuidar de uma pessoa com demência é uma actividade exigente que afecta o bem-estar físico e psicológico do cuidador familiar acarretando elevado risco de sobrecarga, isolamento social e depressão. Os sintomas psicológicos e comportamentais da demência (SPCD) afectam o doente em qualquer estádio da progressão de doença e ocorrem num processo dinâmico que envolve o cuidador, o doente e o ambiente. Tem sido reportado que os cuidadores diferem nas suas respostas emocionais aos sintomas psicológicos e comportamentais perante situações similares, e que a percepção do cuidador destes comportamentos é mais importante que o comportamento “per si”. A personalidade do cuidador tem influência significativa nas respostas à experiência de cuidar e na predisposição para utilizar certo tipo de estratégias de coping. Neste estudo, tivemos como hipóteses: 1) a personalidade influencia a depressão, a sobrecarga e o distress do cuidador relacionado com os 9 SPCD; 2) a personalidade está associada com estratégicas específicas utilizadas pelos cuidadores quando lidam com os SPCD. Materiais e Métodos Foi efectuado um estudo transversal com a aplicação de uma entrevista estruturada ao cuidador familiar, em casa. Participaram 105 pessoas com demência e os seus respectivos cuidadores, recrutadas consecutivamente, que viviam em domicílio familiar e eram acompanhadas em uma Clínica de Demência. O diagnóstico clínico de demência obedeceu aos critérios definidos pelo DSM-IV-TR (2000). Os cuidadores estavam há pelo menos seis meses a cuidar do seu familiar e, no mínimo, 2 horas por dia. Os cuidadores com pontuação que mostrava provável compromisso cognitivo, na avaliação breve do estado mental, foram excluídos. Efectuámos a avaliação breve do estado mental (MMSE) ao cuidador e ao doente. Neste, foi avaliado o estádio da doença com a Escala de Deterioração Global (GDS) e os sintomas psicológicos e comportamentais pelo Inventário Neuropsiquiátrico (NPI). No cuidador, avaliámos as cinco dimensões da personalidade (NEO-FFI), sobrecarga (ZBI), depressão (CESD) e o distress relacionado com os sintomas psicológicos e comportamentais do doente (NPI-distress). Colocámos uma pergunta aberta ao cuidador sobre as estratégias específicas que utilizava ao lidar com os sintomas psicológicos e comportamentais da pessoa com demência. 10 Na análise qualitativa de conteúdo seguimos a metodologia da análise temática proposta por Bardin. A estatística de análise de trajectórias foi utilizada para testar a hipotética relação causal e os efeitos de mediação entre as dimensões da personalidade, a sobrecarga e o distress relacionado com os SPCD; o modelo geral linear, com função log, foi usado para verificar a possível influência da depressão no cuidador na utilização de estratégias; modelo geral log-linear com distribuição binomial probabilística, utilizando as diferentes estratégias como medidas repetidas, foi desenvolvido para investigar os efeitos da personalidade do cuidador na utilização de estratégias para lidar com os SPCD. Seguidamente, foi realizada a análise de regressão logística para determinar como as dimensões da personalidade do cuidador, encontradas no modelo geral log-linear como significativas, estavam associadas com estratégias específicas do cuidador. Resultados A maioria dos cuidadores familiares era do género feminino (68.6%). Também a maioria era cônjuge (75.2%) e consequentemente quase todos coabitavam. A média das idades nos cuidadores foi de 67.0 ± 12.5 anos e nos doentes 75.4 ± 8.1. Nas pessoas com demência o valor médio na pontuação da avaliação do estado mental (MMSE) foi de 13.9 ± 7.9 e, relativamente ao nível de gravidade da demência (GDS), 62.9% estavam no estádio ligeiro/moderado 11 e 37.1% no grave/muito grave. A pontuação média obtida no NPI foi de 26.4 ± 17.1. Na avaliação do cuidador obtivemos os seguintes valores médios na pontuação das escalas: depressão (CES-D) 18.6 ± 11.4; sobrecarga (ZBI) 31.8 ± 14.3; e distress relativo aos SPCD (NPI-Distress) 15.2 ± 10.3. Na avaliação da personalidade no cuidador, em cada uma das cinco dimensões, os valores médios da pontuação obtida foi a seguinte: neuroticismo 25.7 ± 8.3; extroversão 27.0 ± 6.8; abertura à experiência 25.7 ± 5.6; amabilidade 33.1 ± 4.0 e conscienciosidade 37.0 ± 4.8. Os sintomas psicológicos e comportamentais na pessoa com demência mais frequentes e com pontuação mais elevada (frequência x gravidade) foram a apatia (79%, 5.2 ± 4.2) e agitação (62.9%, 3.1 ± 3.7). Os cuidadores mostraram igualmente pontuação mais elevada, no NPI-Distress, para os mesmos itens, apatia (2.6 ± 1.9) e agitação (2.3 ± 2.1). As estratégias utilizadas pelos cuidadores para lidarem com os SPCD foram: evitar o conflito, confronto, tranquilizar, orientar, responder coercivamente, distrair, conluio, medicar e restringir os movimentos. O modelo de análise de trajectórias, no qual testámos o hipotético efeito directo das dimensões da personalidade no distress do cuidador relacionado com os sintomas psicológicos e comportamentais da pessoa com demência, bem como, o efeito indirecto mediado pela depressão e pela sobrecarga, mostrou que a personalidade do cuidador influencia a depressão e a sobrecarga do cuidador. O neuroticismo aumentou a 12 depressão (b= 0.63, p <0.001), enquanto a extroversão diminuiu a depressão (b= - 0.24, p <0.001). O neuroticismo também aumentou a sobrecarga do cuidador (b= 0.42, p <0.001), ao invés da extroversão (b = - 0.18, p = 0.04) e a amabilidade (b= – 0.20, p = 0.03) que diminuiu a sobrecarga do cuidador. Nenhuma dimensão da personalidade influenciou directamente o distress do cuidador relacionado com os SPCD. Contudo, a sobrecarga aumentou o distress do cuidador (b = 0.51, p <0.001); pelo que, o neuroticismo indirectamente aumentou o distress do cuidador mediado pela sobrecarga, enquanto a extroversão e a amabilidade diminuíram o distress também mediado pela sobrecarga. A depressão do cuidador não influenciou o distress relacionado com os comportamentos. Este modelo explicou 42% da variância no distress do cuidador relacionado com os sintomas psicológicos e comportamentais da pessoa com estratégias demência (R² = 0.42, p <0.001). A depressão não influenciou no cuidador a utilização de estratégias para lidar com os SPCD (χ2 (1) = 0.231, p = 0.63). Na análise com o modelo geral log-linear, com distribuição probabilística binomial, usámos as diferentes estratégias do cuidador, para lidar com o comportamento do familiar, como medidas repetidas. O modelo mostrou que, entre as dimensões da personalidade do cuidador, apenas a extroversão determina o uso pelos cuidadores de estratégias para lidarem com os SPCD (b = - 0.22, p = 0.01). A regressão logística efectuada em seguida, para determinar quais as estratégias específicas que estavam associadas com a extroversão, 13 mostrou que a extroversão apenas estava associada com a estratégia de confronto. Os cuidadores mais extrovertidos utilizaram menos esta estratégia (β = - 0.73, p = 0.007). Conclusão Pelos resultados obtidos neste estudo, concluímos que a personalidade é um factor decisivo que influencia os resultados quer no cuidador quer no doente e ajuda a compreender a variabilidade e diferenças entre cuidadores e, assim, a razões porque os cuidadores respondem distintamente em situações similares. Estes resultados reforçam a importância de incluir a personalidade como um recurso individual do cuidador nos modelos conceptuais e de investigação no caregiving. Na prática clínica, a avaliação das características da personalidade deve ser tomada em conta no planeamento de programas de intervenção, visto que o caregiving é um processo marcado pelas características dos cuidadores e doentes.
Descrição: Tese de doutoramento, Enfermagem, Universidade de Lisboa, com a participação da Escola Superior de Enfermagem, 2012
URI: http://hdl.handle.net/10451/5782
Appears in Collections:REIT - Teses de Doutoramento (Enfermagem)

Files in This Item:

File Description SizeFormat
ulsd062239_td_Maria_Silva.pdf877,5 kBAdobe PDFView/Open
Restrict Access. You can request a copy!
Statistics
FacebookTwitterDeliciousLinkedInDiggGoogle BookmarksMySpaceOrkut
Formato BibTex mendeley Endnote Logotipo do DeGóis 

Items in DSpace are protected by copyright, with all rights reserved, unless otherwise indicated.

 

  © Universidade de Lisboa / SIBUL
Alameda da Universidade | Cidade Universitária | 1649-004 Lisboa | Portugal
Tel. +351 217967624 | Fax +351 217933624 | repositorio@reitoria.ul.pt - Feedback - Statistics
DeGóis
Promotores do RCAAP   Financiadores do RCAAP

Fundação para a Ciência e a Tecnologia Universidade do Minho   Governo Português Ministério da Educação e Ciência PO Sociedade do Conhecimento (POSC) Portal oficial da União Europeia