Universidade de Lisboa Repositório da Universidade de Lisboa

Repositório da Universidade de Lisboa >
Faculdade de Ciências (FC) >
FC - Dissertações de Mestrado >

Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10451/6162

Título: Systematic selection of conservation priority areas for MPA design: an application to the East African Coast
Autor: Antão, Laura Inês Henriques, 1985-
Orientador: Paula, José Pavão Mendes de, 1959-
Palavras-chave: Oceanografia biológica
Biodiversidade
Gestão costeira
Áreas protegidas
Teses de mestrado - 2008
Issue Date: 2008
Resumo: The designation of marine protected areas has become a widespread strategy for coastal and marine ecosystems conservation and management. MPA planning and management has to be incorporated into a comprehensive framework for the coastal area, as its resources are critical to the livelihoods of coastal communities, especially in the Western Indian Ocean region. MPA planning and management has to be incorporated into a comprehensive strategy for the coastal area. MPAs of the Eastern African coast do not fully represent all of the important habitats found in the region’s coastal zone, and many of them lack the minimum features needed to ensure effective management. However countries in the region recognize the urgent need for better and more effective management of the coastal and marine resources. The use of mathematical algorithms coupled with geographic information systems provides an explicit and transparent mechanism for identifying maps of alternative reserve network scenarios that efficiently represent the full range of biodiversity. We explored the utilization of the support decision software Marxan, coupled with a developed R-Manifold solution, to produce and evaluate several different portfolios, particularly in Mnazi Bay Ruvuma Estuary Marine Park, Tanzania. The final reserve system configurations produced to this Marine Park indicate that the established Core zones may not be the most important conservation areas for the consevation features considered. Moreover the Marxan-R-Manifold solution developed showed how versatile and flexible interpretation of Marxan outputs can be, providing several levels of relevant information for reserve design configuration. Management frameworks and strategies should be improved and based on long-term perspectives, as the costal and marine environment is constantly evolving and being altered by human activities and as new information arises. The conservation and sustainable development of the marine environment is an issue of pressing global concern, and it is urgent to find a balance between political and socio-economic issues and ecological and nature conservation principles.
Existe um consenso generalizado na comunidade científica relativamente à necessidade de uma melhor conservação da biodiversidade marinha e costeira. Após a Conferência das Nações Unidas para o Ambiente e o Desenvolvimento em 1992 (Conferência do Rio de Janeiro) e do consequente estabelecimento da Convenção sobre a Diversidade Biológica, foram levadas a cabo várias tentativas para a criação de mais áreas protegidas marinhas e costeiras em inúmeras partes do mundo. O IV Congresso Mundial de Parques Naturais recomendou que 20% das linhas de costa a nível global deviam ser incluídos em áreas protegidas até ao ano 2000. A mesma questão foi sublinhada na Declaração de Lisboa em 1998, que culminou com o Ano Internacional dos Oceanos, e também na Recomendação da II Conferência dos Signatários do Acordo da Diversidade Biológica (Mandato de Jacarta). Em 2002 a Cimeira Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável de Joanesburgo reforçou estes compromissos e destacou os ecossistemas litorais, em particular recifes de coral, florestas de mangal, ervas marinhas e praias arenosas, como ecossistemas criticamente ameaçados. Mais recentemente, o V Congresso Mundial de Parques Naturais (2003) colocou especial enfâse na conectividade de AMP’s, gestão costeira integrada, abordagens bio-regionais e conservação transfronteiriça. No entanto, a realidade é que, até ao ano 2003, apenas cerca de 1% da linha de costa mundial está integrada em áreas de protecção, contrastanto com cerca de 9% de superfície terrestre. A IUCN definiu em 1988 Área Marinha Protegida como “Qualquer área de terreno intertidal ou subtidal, conjuntamente com a água sobrejacente e flora, fauna, características históricas e culturais associadas, que foi reservada por lei ou por outro meio efectivo para proteger parte ou todo o ambiente reservado” (Resolução 17.38 da Assembleia Geral da IUNC, 1988). De acordo com a IUCN, novamente, o objectivo das AMP’s é conservar a diversidade e produtividade biológicas dos oceanos, incluindo os sistemas ecológicos de suporte da vida. Por outro lado, as Áreas Marinhas Protegidas garantem vários bens e serviços às áreas costeiras e marinhas envolventes, como conservação da biodiversidade, protecção de habitats críticos, aumento da produtividade pesqueira, aumento do conhecimento sobre o ambiente marinho, refúgio e protecção da diversidade genética e protecção da herança cultural e patrimonial. A implementação de AMPs é uma estratégia cada vez mais evocada para a conservação do meio marinho e para a gestão sustentada de uso dos recursos. A escala dos benefícios que advêm das AMP’s depende da sua localização, design, dimensão e das interacções com outras formas de gestão. As redes de AMP’s amplificam os benefícios das reservas individuais e garantem a protecção dos processos de larga escala, como conectividade, fluxo de genes e variação genética. Assim, idealmente uma AMP deve fazer parte de uma rede de áreas protegidas que integre o movimento das espécies, dispersão larvar, troca de nutrientes e de outras matérias entre os ecossistemas. A visão de uma Gestão Costeira Integrada reconhece as inter-relações existentes entre os usos costeiros e marinhos e os ambientes que estes podem potencialmente afectar, estando vocacionada para ultrapassar a fragmentação inerente a uma abordagem sectorial da zona costeira. As Áreas Marinhas Protegidas, e preferencialmente sistemas ou redes de AMP’s, são componentes essenciais de programas de Gestão Costeira Integrada, uma vez que garantem a protecção da biodiversidade e dos processos ecológicos dos quais também depende o uso humano dos recursos costeiros, constituindo assim um contributo chave para o desenvolvimento sustentável e potenciais benefícios económicos. A ausência de uma gestão integrada das zonas costeiras é um dos principais problemas na maioria dos países e para a maior parte das AMP’s. Assim, o estabelecimento e gestão bem sucedidos de Áreas Marinhas Protegidas dependem da existência de uma abordagem de gestão de recursos, de conservação e de desenvolvimento sustentável. O zonamento é uma ferramenta fundamental na gestão de AMP’s multi-usos, excluindo ou regulamentando certas actividades e permitindo que determinadas áreas sejam reservadas para a protecção de habitats, áreas de nursery ou de reprodução, investigação e educação, pesca e turismo, o que contribui para reduzir ou eliminar potencias conflitos entre os diferentes grupos de interesse envolvidos. Do ponto de vista da conservação da natureza, seria de esperar que se tentasse definir o maior sistema de reservas possível. No entanto, a dimensão de qualquer sistema de reservas vai ser limitado por constrangimentos sociais e económicos, pelo que é necessário seleccionar o mais eficientemente possível de entre os locais disponíveis, isto é minimizando o “custo” do sistema de reservas para atingir determinados objectivos de biodiversidade. A designação de reservas marinhas tem ocorrido primariamente ad hoc e direccionada pela oportunidade e não por objectivos estratégicos ou abordagens sistemáticas; esta última abordagem será sempre preferível à opção ad hoc, uma vez que maximiza as possibilidades de criar sistemas de reservas marinhas representativos, garantindo um processo transparente e defensível e permitindo uma utilização mais eficiente dos recursos disponíveis. Por outro lado, até agora os factores sócio-económicos têm sido utilizados como um filtro post hoc das áreas seleccionadas considerando apenas aspectos biológicos e considerações sobre o design das reservas marinhas, em vez de serem incluídos no próprio processo de definição do sistema. O uso de algoritmos matemáticos, conjugado com Sistemas de Informação Geográfica, constitui um mecanismo explícito e transparente para a identificação de mapas espacialmente explícitos de cenários de reservas marinhas alternativos; estes métodos garantem ainda um nível de flexibilidade de design de reservas, que nao pode ser obtido exclusivamente com base em conhecimento de expertise. Na região Oeste do Oceano Índico existem mais de setenta reservas marinhas de vários tipos; no entanto, estas AMP’s não representam por completo a diversidade de habitats existentes na costa Leste Africana, caracterizada por florestas de mangal, recifes de coral, ervas marinhas, grandes estuários, praias arenosas, falésias e plataformas vasosas intertidais. Estes ecossistemas são altamente produtivos e fornecem importantes recursos biológicos e económicos, mas encontram-se sujeitos a crescentes ameaças naturais e decorrentes das actividades antropogénicas. A maior parte das AMP’s desta região apresenta objectivos relacionados com questões sociais, culturais e económicas, nomeadamente no sentido de melhorar as formas de subsistência das populações e de contribuir para a economia nacional, mas também relacionados com a promoção do turismo. No entanto, a maioria das AMP’s não apresenta as ferramentas básicas para assegurar uma gestão eficiente dos recursos. Apesar disso, os vários países reconhecem a necessidade premente de melhores e mais eficazes formas de gestão, para melhorar a qualidade de vida das populações, promover as economias nacionais e manter a produtividade e diversidade destes ecossistemas. O trabalho desenvolvido nesta tese de Mestrado esteve integrado no projecto TRANSMAP1 - Transboundary networks of marine protected areas for integrated conservation and sustainable development: biophysical, socio-economic and governance assessment in East Africa, cujo objectivo global é reunir o conhecimento científico para a criação das referidas redes de Áreas Marinhas Protegidas, em particular considerando o tipo, dimensão e localização das reservas, que em conjunto serão capazes de manter as funções ecológicas, o uso dos recursos e os futuros desenvolvimentos sócio-económicos. O projecto pretendia desenvolver conhecimento multi- e inter-disciplinar para a criação de áreas transfronteiriças de conservação marinha e costeira na costa Leste Africana, pretendendo integrar as dimensões de sócio-economia e de governança numa análise multi-critério, a fim de incorporar múltiplos objectivos para uma base de gestão integrada. Esta visão integrante vai de encontro às recomendações relacionadas com a Conservação e Gestão dos Ecossistemas Costeiros e Marinhos, que preconizam uma perspectiva de Gestão Integrada dos vários níveis de interesse, com vista à implementação do conceito de desenvolvimento sustentável. A publicação científica apresentada tem um âmbito geográfico mais restrito, incidindo numa área protegida já existente, Mnazi Bay Ruvuma Estuary Marine Park (MBREMP), no Sul da Tanzânia. Apesar de ser uma AMP já implementada, com um Plano Geral de Gestão aprovado (2005) e com um esquema de zonamento já estabelecido, existem ainda algumas questões referentes à sua configuração e persistem também vários conflitos com as comunidades locais; por outro lado, o esquema de zonamento foi delineado numa base experimental. Foi explorada a utilização do software auxiliar no design de reservas Marxan (Ball e Possingham, 2000), através de uma nova interface desenvolvida com o software estatístico R (R Development Core Team, 2008) e com o Sistema de Informação Geográfica Manifold (Manifold GIS, 2008), para a criação de vários portfólios diferentes para MBREMP, comparando o cenário político e sócioeconómico estabelecido com um cenário matemático sistemático, e analizando os potencias conflitos existentes, bem como as diferenças espaciais e ecológicas entre ambos, com vista a avaliar a eficiência do actual zonamento.
Descrição: Tese de mestrado. Ecologia Marinha. Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, 2008
URI: http://hdl.handle.net/10451/6162
Appears in Collections:FC - Dissertações de Mestrado

Files in This Item:

File Description SizeFormat
ulfc100084_tm_laura_antao.pdf1,76 MBAdobe PDFView/Open
Statistics
FacebookTwitterDeliciousLinkedInDiggGoogle BookmarksMySpaceOrkut
Formato BibTex mendeley Endnote Logotipo do DeGóis 

Items in DSpace are protected by copyright, with all rights reserved, unless otherwise indicated.

 

  © Universidade de Lisboa / SIBUL
Alameda da Universidade | Cidade Universitária | 1649-004 Lisboa | Portugal
Tel. +351 217967624 | Fax +351 217933624 | repositorio@reitoria.ul.pt - Feedback - Statistics
DeGóis
Promotores do RCAAP   Financiadores do RCAAP

Fundação para a Ciência e a Tecnologia Universidade do Minho   Governo Português Ministério da Educação e Ciência PO Sociedade do Conhecimento (POSC) Portal oficial da União Europeia