Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/6239
Título: Autoconceito e disrupção escolar dos jovens : conceptualização, avaliação e diferenciação
Autor: Veiga, Feliciano
Orientador: Musitu Ochoa, Gonzalo
Dias, Ester Luísa Rodrigues
Palavras-chave: Autoconceito
Problemas de comportamento
Psicologia da educação
Teses de doutoramento - 1991
Data de Defesa: 1991
Resumo: A investigação realizada teve como objectivo principal o estudo da relação entre o autoconceito e a disrupção escolar dos jovens estudantes portugueses, atendendo aos efeitos de factores sociodemográficos. Os objectivos do trabalho fizeram sentir a necessidade de adaptação e de elaboração de instrumentos adequados à análise da relação entre o autoconceito e a disrupção escolar nos jovens. Foi criada a Escala de Disrupção Escolar Professada pelos Alunos (EDEP) e a Escala de Disrupção Escolar Inferida pelos Professores (EDEI). Para se proceder à avaliação do autoconceito, foram adoptados dois instrumentos, especificamente o Piers-Harris Children´s self-concept Scale (PHCSCS) e um outro, de natureza mais académica, o Self-concept as a Learner Scale (SCAL). A amostra foi constituída por 915 alunos entre o 7º e o 9º ano de escolaridade, de variadas regiões do país. Os resultados indicaram um autoconceito superior nos alunos com menor disrupção escolar, de nível socioeconómico médio-alto, residentes no Litoral, e do sexo masculino. A disrupção escolar foi menor nos grupos do sexo feminino, do Interior e de nível socioeconómico médio e alto. Embora, numa primeira análise dos resultados, tenha sido encontrada uma diminuição do autoconceito e um aumento da disrupção escolar em função da idade ou do ano de escolaridade, posteriores análises, com o controlo da variável “número de reprovações”, permitiram encontrar a não diferenciação do autoconceito e da disrupção escolar, em função de tais variáveis relativas ao tempo (idade e ano de escolaridade). Foram detectadas correlações, no sentido esperado, do autoconceito e da disrupção escolar com o número de reprovações. O significado dos valores obtidos poderá traduzir um afastamento da perspectiva clássica da adolescência (PCA), sugerindo que, na maioria dos jovens, as especificidades do processo de desenvolvimento psicológico não se reflectem negativamente na generalidade das dimensões do autoconceito ou da disrupção escolar, havendo, no entanto, a possibilidade de algumas destas dimensões da personalidade irem sofrendo a influência de factores adversos (reprovações escolares), o que contribuiria para a formação de um subgrupo de adolescentes com características próprias, estas sim explicáveis pela PCA. Os dados configuram uma nova perspectiva cognitivo-social da adolescência — encarada como uma idade de mudanças equilibradas que requerem apoio familiar e escolar —, em oposição às teorias tradicionais, que conceptualizam a adolescência como um tempo de rebeliões e conflito de gerações. Numa integração da informação obtida, verificou-se, por um lado, que os alunos percepcionados pelos professores como mais disruptivos apresentaram, quando comparados com os menos disruptivos, níveis inferiores de autoconceito e, por outro, que o autoconceito apareceu associado à disrupção professada pelos alunos, ou seja, que os alunos com menor autoconceito se descreveram como mais disruptivos que os alunos com maior autoconceito. A globalidade dos resultados parece abonar a ideia de que os comportamentos disruptivos apresentados pelos alunos no dia-a-dia poderiam ir contribuindo para que se desenvolvessem nos professores percepções negativas acerca desses sujeitos; face a tais percepções, os alunos tenderiam a ver-se a si próprios como menos conceituados, o que os levaria a ser mais disruptivos. Por último, os resultados sugerem a alteração dos contextos que discriminam os alunos pelo grupo de pertença, bem como a realização posteriores estudos, sobretudo longitudinais e de intervenção psico-educacional.
Descrição: This investigation had the main purpose to study the relations between self-concept and school disruption, in Portuguese young students, considering the effects of sociodemographic factors. The aims of this work led to the need to adapt and create instruments appropriate to the analyses of the relationship between self-concept and school disruption in youth. It was created the Scholar Disruption Scale Professed by Students (EDEP) and also the Scholar Disruption Scale Inferred by Teachers (EDEI). In order to evaluate self-concept, two academic instruments were used: Piers-Harris Children´s self-concept Scale (PHCSCS) and also Self-concept as a Learner Scale (SCAL). The sample was constituted by 915 students of the 7th and 9th grade, from several regions of Portugal. The results indicate a higher self-concept in students presenting lower school disruption, from medium/higher socio-economic status, from seaside regions and male students. School disruption was lower in female groups, from interior regions and medium/higher socio-economic status. Although first analyses of the results found a lower self-concept and higher school disruption according to age and scholar year, later analyses, controlling the variable number of failures, showed no differences concerning to self-concept and school disruption referring to such variables of time (age and scholar year). Correlations between self-concept and school disruption and number of failure were found, as expected. The results may illustrate a withdrawal from the Classical Perspective of Adolescence (PCA), suggesting that, in most youth, the specificities of the psychological processes do not reflect negatively in the general dimensions of self-concept or school disruption. However, we considered the possibility that some of these dimensions of personality can be influenced by adverse factors (such as scholar failure) which may contribute to the formation of a sub-group of adolescents with specific characteristics, which can be explained by PCA. The data implied a new social-cognitive perspective of adolescence- seen as a period of balanced change that requires familiar and scholar support-, opposing to the traditional theories which conceptualize adolescence as a period of rebellion and generations conflict. We verified, in one hand, that the students seen as disruptive by teachers present, when compared with the less disruptive, lower levels of self-concept and, on other hand, that self-concept was associated with the disruption professed by students, namely, students with lower self-concept describe themselves as more disruptive than student with higher self-concept. In general, the results seem to support the idea that disruptive behaviors presented by students in everyday life could contribute, over time, to the development of negative perceptions in teachers. Before those perceptions, students tend to regard themselves as less worthy, what, in turn, could lead them to be more disruptive. At last, the results suggest the modification of contexts which discriminate students according to the belonging groups, as well as the completion of future studies, mostly of longitudinal nature, as well as psycho-educational intervention.
Tese de doutoramento em Educação (Psicologia Educacional), apresentada à Universidade de Lisboa, 1991
URI: http://hdl.handle.net/10451/6239
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