Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/6496
Título: Philosophical investigations of attention
Autor: Gerner, Alexander Matthias
Orientador: Pombo, Olga, 1946-
Nabais, Nuno, 1957-
Palavras-chave: Teses de doutoramento - 2012
Data de Defesa: 2011
Resumo: A atenção está a ser estudada em várias disciplinas científicas empíricas, como a psicologia (cognitiva) e as Neurociências, especialmente nos domínios da percepção e da motricidade, mas também, mais recentemente, da cognição central executiva, da memória de trabalho, “mental imagery” e da consciência. Uma abordagem da atenção no âmbito da filosofia das ciências ganha importância à medida que se conceptualiza a atenção humana, não como um efeito secundário da percepção visual ou da motricidade ocular de reconhecimento de objectos já preexistentes, mas sim como um fenómeno que participa na constituição do objecto e da experiência em geral. Esta tese não aborda a criação de novos modelos de implantação da atenção em agentes artificiais. Baseia-se antes na questão: como é que através da atenção o novo entra na nossa percepção, no nosso conhecimento, raciocínio e imaginação. Para lhe responder, propõe-se uma investigação filosófica multifacetada sobre a atenção em quatro mapas. [I] Na primeira de quatro Investigações filosóficas teóricas, que actuam como mapas de orientação acerca do fenómeno da atenção, tratamos da fenomenologia da atenção em Husserl inicial e em Bernhard Waldenfels, como facto da experiência entre o evento do que aparece, e o que aparece na atenção para a primeira pessoa da experiência atenta em seus vários modos. Não só aparece >algo< habitualmente, mas a atenção está ligada ao facto de >algo< aparecer mesmo e não simplesmente nada, que >isto< aparece e não realmente >aquilo<. Sem essa “matéria original” da atenção não haveria nada para ver correctamente e nada para ouvir, pensar, imaginar ou sentir. Também não seria possível atender com mais ou menos interesse, ou com mais ou menos intensidade. Visto desta perspectiva, a possibilidade de um ser vivo com atenção torna também possível que a experiência seja dinâmica e não estática, gerando a possibilidade da aprendizagem. Simultaneamente, a atenção diz respeito à experiência holística [percepção geral], que é concebida como inter-modal, ainda não distribuída para as modalidades dos sentidos perceptivos diferentes, ou entre o intuitivo perceptivo e o intuitivo eidético categorial (Husserl). A atenção é um fenómeno complexo e “nómada” (Bernhard Waldenfels) que não se fixa num campo disciplinar. Recentemente, tem sido alvo de mais estudos filosóficos, desde a recente publicação das palestras de Göttingen de Edmund Husserl (Hua 38; 2004), em que se destaca o tema da atenção entre >interesse< e o “Meinen” intencional. Entendemos que o conceito da atenção em Husserl depois de 1911 se torna operacional no seu tratamento da consciência. Aqui vemos a atenção não como em Husserl, como um acto da modulação da consciência, mas como um fenómeno que cria o contorno da orientação e está a ser chamado no plano de uma nova situação. Esse fenómeno da atenção aparece, no sentido de Waldenfels, como um duplo evento entre >Auffallen< o “o que acontece” e >Aufmerken< o “o que acontece a mim” e ao qual o meu corpo ou eu respondemos. A atenção participa no aparecer como um duplo evento, de acordo com Waldenfels (2004), estando ligado a entreinstâncias como a imagem, o diagrama ou a metáfora. Depois, seguimos seis figuras conceptuais de uma atenção entre o possível e o impossível: a atenção meramente transcendental e não sensualista - Monsieur Teste de Paul Valéry; a atenção sempre alerta - o caçador de Ortega y Gasset; a atenção sem sentido - Lucile de Paul Celan; a atenção como o falhar do atender ao singular e o atender eticamente igual - Senhor Palomar de Ítalo Calvino; e a atenção autoscópica (fora de um corpo) (Metzinger/Blanke) e a atenção extática em conjunto (Sloterdijk). [II] O estatuto problemático da atenção como conceito e objecto da ciência não parece clarificado nas ciências cognitivas com vertentes mais empíricas, apelando antes a uma investigação filosófica conceptual, num campo interdisciplinar entre psicologia, filosofia, filosofia das ciências e neurociências. Neste contexto, é abordada na segunda Investigação a diferença e relação entre atenção e consciência. O segundo assunto epistemológico - como podem a atenção e a abdução estar ligadas no momento em que o novo entra no nosso pensamento - é abordado através da epistemologia dinâmica de Charles Saunders Peirce, do raciocínio diagramático (diagramatic reasoning), do tema da abdução (abduction), e da abstracção entre >prescission< e >hypostatic abstraction<. [III] A ausência de uma teoria unificada satisfatória da atenção pede uma pragmática da metafísica; a pesquisa da atenção nas ciências cognitivas está nas garras de uma multidão de metáforas heurísticas, mas incoerentes e pré-teóricas (Fernandez-Duque & Johnson 2002), e sob o domínio de modelos reducionistas, como o da atenção na metáfora absoluta da informação computacional, tratada como uma mera “redução da informação”. Por isso introduzimos na primeira parte da [III] terceira investigação uma metodologia, a da “metaforologia” de Hans Blumenberg [2010], a abordagem indirecta da observação do fenómeno da atenção pela via da observação das metáforas da atenção, como o filtro, o raio intencional de luz, a lente, a mão, a esfera. Aplicamos essa variação metaforológica a uma abordagem da hypotyposis (Kant), em que algo que não é perceptível (a atenção mostra-se quando falha ou desaparece) é tornado sensível pelo esquematismo, ou pelo símbolo (o qual Blumenberg por sua vez chama de “metáfora absoluta”). Nesta investigação cristaliza-se a tese de que a atenção é, em si, uma metáfora absoluta nas ciências cognitivas e na filosofia. [IV] A quarta Investigação trata de quatro aspectos acerca da atenção na experiência estética e em relação ao objecto de arte. 1) O que é um mapa e como pode ser descrita a relação entre a atenção e o mapa na experiência estética? Quando se fala da atenção muito raramente se fala sobre o mapa como sentido básico de orientação, na sua dinâmica de : orientar a atenção (mapmaking e seguir percursos); desorientar (desvio parcial, ou desterritorialização completa); e reorientar (o recrear do novo mapa). Propõe-se também nesta investigação a hipótese de a arte ser o contexto onde um mapa pode ser o “mapa de si próprio” (Terry Atkinson & John Baldwin 1967), o território de si próprio e não uma representação. Isto não significa que este index sui esteja ausente nos mapas científicos, apenas que ele se apresenta menos visível, ou menos temático. 2) Fará sentido falar da Estética apenas como disciplina da Filosofia? Ou será a Estética, se entendida como uma certa forma de Aisthesis (percepção) empírica, uma mera função biológica - uma emergente e dinâmica propriedade interna do sistema de consciência perceptiva e seus correlatos neuronais, inteiramente abrangida pela Neurociência e uma Neuroestética forte? Apresenta-se aqui a hipótese de a experiência estética não ser o preenchimento de rotinas perceptivas pré-instaladas, mas sim a forma como estas rotinas são aplicadas a objectos subdeterminados, a situações ou eventos da realidade que podem contradizer comportamentos rotineiros instalados (como por exemplo, tarefas de reconhecimento ou identificação). Nem uma Neuroestética empírica forte nem uma Estética Transcendental forte são suficientes para explicar a experiência estética. Neste contexto, a atenção surge como fenómeno crucial para podemos entendemos esse caminho da experiência estética. 3) Como descrever a relação entre os limiares experimentais e os estratos de atenção, através do objecto da arte? A análise é feita através de duas exposições de Sérgio Costa, “Strata” e “Thresholding”. 4) A produção de uma nova experiência - no sentido de algo que aparece de maneira diferente – é proposta pelo artista Francis Alys como decorrente do hábito/repetição, aqui renomeados de ensaio(rehearsal)/reparação(repair), duas vertentes do teatro de produção da atenção.
Descrição: Tese de doutoramento, (História e Filosofia das Ciências), Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, 2012
URI: http://hdl.handle.net/10451/6496
Aparece nas colecções:FC - Teses de Doutoramento

Ficheiros deste registo:
Ficheiro Descrição TamanhoFormato 
ulsd062909_td_Alexander_Gerner.pdf123,9 MBAdobe PDFVer/Abrir


FacebookTwitterDeliciousLinkedInDiggGoogle BookmarksMySpace
Formato BibTex MendeleyEndnote Degois 

Todos os registos no repositório estão protegidos por leis de copyright, com todos os direitos reservados.