Universidade de Lisboa Repositório da Universidade de Lisboa

Repositório da Universidade de Lisboa >
Faculdade de Ciências (FC) >
FC - Teses de Doutoramento >

Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10451/6658

Título: Colonisation history of a ubiquitous invasive, the house mouse (Mus musculus domesticus):global, continental and insular perspective
Autor: Gabriel, Sofia Isabel Vieira, 1979-
Orientador: Mathias, Maria da Luz, 1952-
Searle, Jeremy Byron, 1956-
Palavras-chave: Rato doméstico
Mus musculus domesticus
História da colonização
DNA mitocondrial
D-loop
Microsatélites
Teses de doutoramento - 2012
Issue Date: 2012
Resumo: For millennia, humans, either involuntarily or purposefully, have transported numerous species outside their natural range. Among these species, the house mouse (Mus musculus) has become one of the most successful and ubiquitous mammals worldwide, in particular its western subspecies M. m. domesticus. Due to its commensal relationship with humans, M. m. domesticus has colonised all 5 continents and a large proportion of islands, being transported as a stowaway. As well as being interesting in its own right, the colonisation history of house mice provides exciting and novel insights into movements and colonisations of humans. This study uses a ‘phylogeographic’ approach to examine the colonisation history of the western house mouse at three different geographical scales: regional (insular), continental and global. Regional (insular) scale. Particular emphasis was given to the colonisation of the Azores archipelago, making use of mitochondrial DNA sequences (D-loop) and nuclear markers (microsatellites and subspecies-specific DNA sequences). A complex colonisation history was revealed, with the cultural and historical link with Portugal being reflected on some but not all islands, with a surprising northern European origin relating to Santa Maria, Terceira and Flores. On the other hand, microsatellites seem to have retained little phylogeographic signal, revealing instead generally high levels of genetic diversity within the Azorean house mouse populations. Evidence of recent migration was also detected mainly among islands of the Central group but not with mainland Portugal or the neighbouring Madeiran archipelago. Continental scale. The colonisation of the Australian continent by the invasive house mouse was thought to have occurred soon after the establishment of the first British penal colony. Through the analysis of D-loop sequences from both Australia and potential source areas, the historical link with Britain was confirmed, helping to validate the use of phylogeographic patterns of house mice as a proxy of human settlement history. Global scale. This approach was exploited further with D-loop sequences of the western house mouse being obtained from plentiful locations throughout Western Europe, North, Central and South America, Africa, Australasia and numerous islands worldwide, resulting in the widest sampling yet attained throughout the range of this subspecies. Despite the expected complexity in the patterns of D-loop variation, there is a striking overlap between the presence of certain D-loop lineages in particular regions of the world and the expectations from human history. Both Viking Age and Age of Discovery explorers and subsequent settlers appear to have had a particular influence in the current distribution and genetic makeup of house mouse populations worldwide. Overall, the main achievements of this study comprise additional validation to the use of house mice as proxies of human movements and colonisations, based on both intense regional and broad global coverage. Accordingly, this study confirmed the suitability of the mitochondrial D-loop as a good molecular marker to assess initial colonisation of house mice in a given geographic area.
Na Era do ‘ADN’, o uso de marcadores moleculares tem vindo a revolucionar a forma como olhamos para o mundo biológico que nos rodeia. Nos últimos 25 anos, a Filogeografia tem-se desenvolvido como um ramo da Biologia de eleição para explorar questões relacionadas com a história da expansão e colonização de inúmeras espécies de plantas e animais, incluindo o Homem. Uma das muitas aplicações práticas desta abordagem filogeográfica relaciona-se com o estudo de uma das mais devastadoras causas de perda de biodiversidade em todo o mundo: as espécies invasoras. Os seres humanos, seja involuntária ou propositadamente, têm vindo a transportar inúmeras espécies muito para além da sua área de distribuição e habitat natural, afectando a trajectória evolutiva quer das espécies introduzidas, quer das espécies nativas do ecossistema invadido. De entre as centenas de espécies invasoras mais bem-sucedidas, o ratinho-caseiro (Mus musculus) é certamente uma das que origina efeitos deletérios mais impactantes. Este pequeno roedor de hábitos comensais é um dos mamíferos mais ubíquos, apresentando uma distribuição practicamente global. Em estreita associação com o Homem, o ratinho-caseiro colonizou todos os continentes e uma grande proporção das ilhas de todo o mundo. A sub-espécie de ratinho-caseiro mais comum, que ocorre na Europa Ocidental, Mus musculus domesticus, tornou-se comensal na região do Médio Oriente, há cerca de 10 000 – 12 000 anos, continuando o seu percurso evolutivo em paralelo com o Homem. Esta associação coincidiu com o início do processo de sedentarização das populações humanas na zona do antigo Crescente Fértil, onde a agricultura e a domesticação de animais davam os primeiros passos. O ratinho caseiro estava, então, no lugar e tempo certos para tirar partido das condições involuntariamente proporcionadas pelo Homem, nomeadamente, recursos alimentares ilimitados e abrigo contra predadores e condições climatéricas adversas. Mais recentemente, há cerca de 3000 – 4000 anos, na sequência da intensificação das trocas comerciais dos povos da Idade do Bronze, a sub-espécie domesticus iniciou então uma expansão da sua área de distribuição para Oeste, que foi reforçada com as movimentações marítimas dos povos da Idade do Ferro, estimuladas por intensas trocas comerciais ao longo de todo o Mediterrâneo. Sob estas condições, o ratinho-caseiro foi sendo transportado acidentalmente ao longo de ambas as costas do Mediterrâneo, progredindo para Oeste pelo Norte da África e Europa Ocidental. Contudo, é já no início do século XV, com o advento da Grande Expansão Marítima, inicialmente protagonizada pelos Portugueses e Espanhóis, seguidos dos Britânicos, Franceses e Holandeses, que a espécie testemunha a maior expansão da sua história evolutiva, sendo transportada ‘clandestinamente’ de forma global onde quer o Homem se deslocasse. Assim, para além do interesse intrínseco do estudo desta espécie, a história da colonização do ratinho-caseiro oferece uma oportunidade ímpar e empolgante de tirar ilacções acerca da história das colonizações e movimentações humanas. Este estudo utilizou uma abordagem filogeográfica para examinar a história da colonização da sub-espécie Ocidental de ratinho-caseiro (Mus musculus domesticus) em três escalas geográficas distintas: regional (insular), continental e global. Escala regional (insular). O estudo realizado à escala regional focou-se no arquipélago dos Açores, que foi objecto de uma análise detalhada, fazendo uso de diferentes marcadores moleculares, com o fim de obter resultados estabeleceram) em certas regiões do mundo. Estes resultados, apoiados por estudos anteriores, reforçam a influência dos povos europeus de países como a Noruega e Dinamarca (durante a Era Viking) e de Portugal, Espanha, França e Reino Unido (na época dos Descobrimentos) na actual área de distribuição do ratinho-caseiro e, consequentemente, nos padrões de variação genética aí observados. Dada a inédita amplitude geográfica coberta por este trabalho, foi ainda possível reiterar a adequabilidade de sequências mitocondriais de D-loop enquanto marcador molecular da colonização inicial de uma dada área geográfica pelo ratinho-caseiro, até aqui apenas avaliada em estudos à escala regional. Em suma, o estudo da colonização desta sub-espécie permitiu inferências sobre as colonizações humanas, enfatizando o valor do ratinho-caseiro como um ‘artefacto’ vivo, passível de ser incorporado por historiadores no debate de cenários históricos, muitas vezes rodeados de controvérsia.
Descrição: Tese de doutoramento, Biologia (Biologia Evolutiva), Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, 2012
URI: http://hdl.handle.net/10451/6658
Appears in Collections:FC - Teses de Doutoramento

Files in This Item:

File Description SizeFormat
ulsd063134_td_tese.pdf12,48 MBAdobe PDFView/Open
Restrict Access. You can request a copy!
ulsd0631132_td_cap_2_fig_S1.pdf473,91 kBAdobe PDFView/Open
Restrict Access. You can request a copy!
ulsd063132_td_cap_3_fig_S1.pdf542,28 kBAdobe PDFView/Open
Restrict Access. You can request a copy!
ulsd063132_td_cap_4_fig_S1.pdf483,3 kBAdobe PDFView/Open
Restrict Access. You can request a copy!
Statistics
FacebookTwitterDeliciousLinkedInDiggGoogle BookmarksMySpaceOrkut
Formato BibTex mendeley Endnote Logotipo do DeGóis 

Items in DSpace are protected by copyright, with all rights reserved, unless otherwise indicated.

 

  © Universidade de Lisboa / SIBUL
Alameda da Universidade | Cidade Universitária | 1649-004 Lisboa | Portugal
Tel. +351 217967624 | Fax +351 217933624 | repositorio@reitoria.ul.pt - Feedback - Statistics
DeGóis
Promotores do RCAAP   Financiadores do RCAAP

Fundação para a Ciência e a Tecnologia Universidade do Minho   Governo Português Ministério da Educação e Ciência PO Sociedade do Conhecimento (POSC) Portal oficial da União Europeia